Só faltava mesmo a moção de censura para que gastássemos mais uns cobres e mudassem as figuras do xadrez. Ou o governo convida uns notáveis do PS para a coligação, género governo de salvação nacional, ou estamos em crise aberta e profunda. Não me conformo com a falta de bom senso dos políticos (deviam passar a metade, é verdade, e serem apenas servidores do bem comum). Seguro não tem sentido de Estado - critica para abater, como uma varina no mercado (que me desculpem as senhoras com os seus pregões)...Passos convidou Relvas para vender Portugal a Angola - portanto está riscado. Gostava de ouvir os Mais Velhos, os que vêm de trás e têm obra feita. Género Conclave de Portugal. Nada dos que fugiram para branqueamento da imagem em altos cargos, temos vários, nem vale a pena nomear...mas a Fundação da Capital da Cultura foi um exemplo gritante.
E depois há os mestres de obras CEO's das grandes empresas públicas e privadas da política que, depois de silenciados os escândalos, anunciam o regresso.
Portanto, Jorge Coelho, Teixeira dos Santos, Sócrates (não é o da honrosa cicuta)...vão todos voltar.
Ainda não passou pela cabeça de ninguém ir procurar os 4 mil milhões de euros que faltam aos banqueiros que colocaram dinheiro do BPN nas ilhas Caimão e outros paraísos fiscais.
Tenho imensa pena, porque Portugal é o meu amado país. Sem timoneiro, lindo, com gente boa e louca, mas ingovernável, como disse o mensageiro de César Augusto ao chegar á Lusitânia.
Quanto ao anunciado comentador ex-primeiro Pinóquio do país:
Pedro Silva Pereira, ex-assessor de Sócrates, acha normal o regresso do "engenheiro/filósofo", que nem vai regressar à política nacional...
tem todos os seus direitos, à liberdade de expressão.
O povo português também tem todo o direito que a corrupção dos políticos seja penalizada, legislada.
Portanto, entreguem a legislação aos membros do parlamento e não a gabinetes de advogados que tecem buraquinhos na teia da lei para que os poderosos, do passado, presente, e futuro, jamais sejam julgados.
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sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Juros dos empréstimos bancários
Os juros dos empréstimos bancários:
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
Cúmulo do absurdo
O ministro Relvas é daqueles que...enfim: cada cavadela, uma minhoca.
Então agora acha muito bem os nossos jovens emigrarem todos e fica muito feliz quando encontra portugueses fora? Então não percebe que o investimento académico de Portugal se esfuma e eles vão constituir família e pagar impostos noutros países? Ficamos mais pobres demograficamente. Socialmente, ficamos com os desempregados sem formação e os poucos cérebros que aceitam ganhar 500 euros por mês. O ministro Relvas está vaidoso com a exportação da massa cinzenta?
Então agora acha muito bem os nossos jovens emigrarem todos e fica muito feliz quando encontra portugueses fora? Então não percebe que o investimento académico de Portugal se esfuma e eles vão constituir família e pagar impostos noutros países? Ficamos mais pobres demograficamente. Socialmente, ficamos com os desempregados sem formação e os poucos cérebros que aceitam ganhar 500 euros por mês. O ministro Relvas está vaidoso com a exportação da massa cinzenta?
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Ministro Relvas
terça-feira, 8 de maio de 2012
Insensus
Adenda ao blog de ontem:
Bem...os Oisillon's tiveram direito, ontem, antes do feriado, a uma equipa de técnicos que reparou o problema pontualmente....quer dizer, para os próximos quatro, cinco dias. Esta foi a elucidação obtida telefonicamente. As crianças tiveram direito a banho quente e refeição normal. Até quando? haverá mortos no caso de explosão?
Hoje: nova baixa na redação, uma jornalista de economia. Ambulâncias, bombeiros, discussões ou risos nervosos, interrupção de trabalho ou mais trabalho. Depende mesmo dos próprios fantasmas. Por mim, depois do trabalho, optei por aceitar a provocatória discussão de uma francesa, uma defensora acérrima do sistema francês.
Ainda não houve baixas francesas nesta redação. Hoje foi uma jornalista de língua persa, que ainda está a ser examinada na Clínica/Hospital para onde foi levada. Estão a fazer exames completos, isso é bom.
Em Portugal, na Figueira, pelo menos, a permanência dos voluntários é assegurada nas casernas e o INEM, muitas vezes, muito tempo, está lá sediado, sempre entre o hospital e o quartel dos bombeiros. Seja em ambulância ou viatura de médico, enfermeiro e material de socorro. Aqui não... a discussão é essa...voluntários estão em casa, diz a "jornalista" francesa, mãe de um bombeiro: telefonam e ele vai socorrer durante a noite. E têm cursos, fazem mais do que os médicos...porque não processam os médicos quando os pacientes morrem?
Por mim, acho que o tempo de diagnóstico em França, transporte e admissão, é demasiado longo. Se houvesse um médico e emfermeiro como os nossos espetaculares INEMistas, chegava "tudo tratado" ao hospital: filhos paridos, corações recuperados, transfusões feitas, testas cozidas, etc....
Receio por este futuro tão kafkiano.
Bem...os Oisillon's tiveram direito, ontem, antes do feriado, a uma equipa de técnicos que reparou o problema pontualmente....quer dizer, para os próximos quatro, cinco dias. Esta foi a elucidação obtida telefonicamente. As crianças tiveram direito a banho quente e refeição normal. Até quando? haverá mortos no caso de explosão?
Hoje: nova baixa na redação, uma jornalista de economia. Ambulâncias, bombeiros, discussões ou risos nervosos, interrupção de trabalho ou mais trabalho. Depende mesmo dos próprios fantasmas. Por mim, depois do trabalho, optei por aceitar a provocatória discussão de uma francesa, uma defensora acérrima do sistema francês.
Ainda não houve baixas francesas nesta redação. Hoje foi uma jornalista de língua persa, que ainda está a ser examinada na Clínica/Hospital para onde foi levada. Estão a fazer exames completos, isso é bom.
Em Portugal, na Figueira, pelo menos, a permanência dos voluntários é assegurada nas casernas e o INEM, muitas vezes, muito tempo, está lá sediado, sempre entre o hospital e o quartel dos bombeiros. Seja em ambulância ou viatura de médico, enfermeiro e material de socorro. Aqui não... a discussão é essa...voluntários estão em casa, diz a "jornalista" francesa, mãe de um bombeiro: telefonam e ele vai socorrer durante a noite. E têm cursos, fazem mais do que os médicos...porque não processam os médicos quando os pacientes morrem?
Por mim, acho que o tempo de diagnóstico em França, transporte e admissão, é demasiado longo. Se houvesse um médico e emfermeiro como os nossos espetaculares INEMistas, chegava "tudo tratado" ao hospital: filhos paridos, corações recuperados, transfusões feitas, testas cozidas, etc....
Receio por este futuro tão kafkiano.
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sábado, 18 de fevereiro de 2012
Aumentem o nível, pleeaase!
Afastei-me porque já não posso repetir telejornais atrás uns dos outros, re-escutá-los, com o padrão subtilmente diferente, pessimista, aterrorizador, catastrofista. As histórias de sucesso vêm sempre em rubricas à parte, Ensina-se o povo afastar-se da informação, que é agora guardada apenas para os expert do catastrofismo
Faço votos para que isto mude. Não porque o meus filhos, amigos de filhos, pais recentes e criativos estejam todos na fase dos 30. Mas porque eu tenho de recomeçar de novo num país onde os quinquas sejam bem vindos, Parece que é a Islândia e a Noruega.
Faço votos para que isto mude. Não porque o meus filhos, amigos de filhos, pais recentes e criativos estejam todos na fase dos 30. Mas porque eu tenho de recomeçar de novo num país onde os quinquas sejam bem vindos, Parece que é a Islândia e a Noruega.
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aumentem o nível,
crise,
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soluções
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Suicídio de Professores
Parece que esta não é a segunda mas a quarta professora a suicidar-se nas últimas semanas. Os governantes devem repensar o rumo humanista ou capitalista a dar ao país. Por enquanto, acho que deviam pintar a cara de negro durante 24 horas. Sentidos pêsames à família e aos jovens filhos, colegas, amigos e alunos.
Notícia do jornal O Campeão:
"Uma professora que se suicidou, sexta-feira, em Coimbra, era filha de um antigo co-proprietário do Jornal “O Despertar” e prima do falecido eurodeputado socialista Fausto Correia, apurou o “Campeão”.
As cinzas de Maria de Fátima, 47 anos de idade, são depositadas num jazigo do cemitério de Santo António dos Olivais onde se encontram, desde Outubro de 2007, os restos mortais do outrora deputado do PS ao Parlamento Europeu.
A bióloga foi a segunda professora da Escola Secundária de D. Maria a pôr termo à vida num horizonte de 17 dias. A 10 de Janeiro [de 2012], Maria de Jesus, igualmente bióloga e amiga de Maria de Fátima, suicidou-se na praia da Figueira da Foz.
Fátima Sousa, casada, mãe de um rapaz e de uma rapariga, era filha de António de Sousa (já falecido) e de Primorosa Costa.
O viúvo terá sido enganado por um indivíduo, no âmbito de um negócio, e o casal passou por dificuldades económicas.
A docente, que deixou uma mensagem a apelar para não se culpar pelo seu acto quem quer que seja, faleceu na residência de uma estilista amiga dela, onde tinha posto alguns haveres depois de se desfazer da sua casa.
Outrora director de “O Despertar”, secretário de Estado, gestor, dirigente do PS, presidente da Académica/OAF e vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Fausto Correia era filho de Lúcia de Sousa, irmã do pai de Maria de Fátima."
Notícia do jornal O Campeão:
"Uma professora que se suicidou, sexta-feira, em Coimbra, era filha de um antigo co-proprietário do Jornal “O Despertar” e prima do falecido eurodeputado socialista Fausto Correia, apurou o “Campeão”.
As cinzas de Maria de Fátima, 47 anos de idade, são depositadas num jazigo do cemitério de Santo António dos Olivais onde se encontram, desde Outubro de 2007, os restos mortais do outrora deputado do PS ao Parlamento Europeu.
A bióloga foi a segunda professora da Escola Secundária de D. Maria a pôr termo à vida num horizonte de 17 dias. A 10 de Janeiro [de 2012], Maria de Jesus, igualmente bióloga e amiga de Maria de Fátima, suicidou-se na praia da Figueira da Foz.
Fátima Sousa, casada, mãe de um rapaz e de uma rapariga, era filha de António de Sousa (já falecido) e de Primorosa Costa.
O viúvo terá sido enganado por um indivíduo, no âmbito de um negócio, e o casal passou por dificuldades económicas.
A docente, que deixou uma mensagem a apelar para não se culpar pelo seu acto quem quer que seja, faleceu na residência de uma estilista amiga dela, onde tinha posto alguns haveres depois de se desfazer da sua casa.
Outrora director de “O Despertar”, secretário de Estado, gestor, dirigente do PS, presidente da Académica/OAF e vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Fausto Correia era filho de Lúcia de Sousa, irmã do pai de Maria de Fátima."
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Discriminação em (de) Portugal
A República Portuguesa discrimina o Presidente quando permite que o Estado pague mais a funcionários de organismos de alegado serviço público? Mais do que ao ao Chefe do próprio Estado?,
Os salários dos funcionários da RTP, acima do teto normal na sociedade portuguesa - principalmente os que estão acima dos 3 mil euros por funções exercidas por outros pagos abaixo dos 1500... e mesmo dos 600 - são aceites pelos sindicatos que protestam e todos os partidos representados na Assembleia da República?
Os administradores da RTP não vão responder judicialmente pelos milhões empregues em programas de manipulação do interesse público? Nomeadamente as novelas compradas em saldo à SIC, que passam diariamente na RTPi e que tão nocivas são para a cultura portuguesa na diáspora?
Exemplos: tráfico de orgãos, como uma generalidade, tráfico de crianças, raptadas em clínicas de políticos corruptos portugueses, romances de mulheres casadas com padres...um atentado permanente feito pelos mesmos atores e os mesmos produtores...
Por outro lado: se os funcionários de continuidade são pagos com dinheiro de patrocinadores, devem ir para as televisões privadas, onde não chocam irmandades, fraternidades e afins. Se forem jornalistas com salário pagos pela televisão pública...desculpem, senhores "ouvintes, leitores": com 13 mil euros por mes, pagam-se 13 jornalistas estagiários, desempregados, seja que for...mas dignos.
Jornalistas que vivem do produto das suas investigações independentes e não os que recebem uma dúzia de mil euros e ainda passsam umas horas diárias a lecionar nas universidades públicas!
O mesmo vale para os produtores, diretores, chefes encadeados num regime velho, num sistema gasto que não se coaduna com os princípios de desenvolvimento e justiça equitativa a nível europeu.
Não e por acaso que a Europa cedeu pelas pontas fragilizadas dos que fizeram ceder os códigos por interpretações abusivas e egoistas em nome ... de tudo o que não era o interesse social, o bem estar comum.
A moralidade de uma exigência de austeridade, em Portugal, deve começar pelo exemplo e pela legislação. Caso contrário... será inimiga da democracia,
A verdade é outro elemento essencial: quando falarem de parcerias da RTP e de alguns contratos, falem corretamente de números.
Sem transparência não há lealdade nem respeito. As fugas começam...e as parvoíces em todos os sentidos.
Assumam que Portugal não voltará a ser conhecido como pais de corruptos ou pedófilos que não cumprem prisão efetiva e continuam a ter voz publicamente.
Como as novelas da RTP fazem crer...mesmo antes das notícias das 20:00, hora de Lisboa.
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Albrecht Ritschl :dívida alemã do pós-guerra foi perdoada
O historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.
A Guerra Fria cancela a dívida alemã
Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.
No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.
À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.
Tiram-nos tudo - "até a camisa"
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.
E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.
Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.
A Guerra Fria cancela a dívida alemã
Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.
No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.
À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.
Tiram-nos tudo - "até a camisa"
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.
E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.
Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Basta
Todos os dias recebo emails sobre as reformas das figuras públicas, o orçamento, as parcerias público-privadas, e fico chocada com a imoralidade dos que colocam os portugueses da classe média como reféns dos créditos. É fácil retirar o poder de compra aos pequenos, fazer encerrar o comércio, apagar as luzes das cidades, provocar a fome escondida, as depressões, a toxicodependência e suicídio - por falta de contribuição estatal nos medicamentos...mas que país vai sobrar e para quem? Para os romenos? Para os brasileiros ou angolanos?
Por uma questão de solidariedade moral, a constituição devia ser alterada para qualquer e todo cidadão que receba uma reforma, tem de estar obrigatoriamente reformado. Que é isso de receber reforma e salários milionários do Estado? Distribuam isso pelos pobres deste país, paguem uns juros, façãm algo em prol do Bem Estar Comum.
Por uma questão de solidariedade moral, a constituição devia ser alterada para qualquer e todo cidadão que receba uma reforma, tem de estar obrigatoriamente reformado. Que é isso de receber reforma e salários milionários do Estado? Distribuam isso pelos pobres deste país, paguem uns juros, façãm algo em prol do Bem Estar Comum.
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Estradas de portugal,
políticos
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Comissão de Trabalhadores da RTP está com a euronews

A Euronews é serviço público de televisão.
O Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Miguel Relvas,
pediu à Administração da RTP, SA para "repensar" o contrato firmado
entre a empresa e o canal Euronews (Lusa 30 de Agosto de 2011). Na
opinião do ministro que tutela o sector de comunicação social do
Estado, os cerca de dois milhões de euros que custa anualmente um
canal onde a RTP não tem "qualquer acompanhamento editorial" resulta
num "ato de gestão errado e desnecessário". Miguel Relvas falava aos
deputados da Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação, onde estava a
ser ouvido sobre a “suspensão” das emissões da RDP Internacional em
Onda Curta.
“Ao contrário do que manda a Constituição e a Lei da [Rádio e da]
Televisão, onde se diz claramente que a empresa concessionária do
serviço público deve ser “livre e independente do poder político e do
poder económico’ (artigo 4.º), continuaram a ser os governos a nomear
as administrações” (Serviço Público Interesses Privados / O que está
em causa na polémica da RTP, António Pedro Vasconcelos, 2003).
Passados estes anos todos continua tudo na mesma, os partidos quando
chegam ao poder veem na comunicação social do Estado um instrumento
que utilizam sem pejo, e os ministros que tutelam o sector da
comunicação social do Estado servem-se dele, interferindo
despudoradamente, mesmo sabendo que a tal estão impedidos por Lei.
A intervenção do Ministro Miguel Relvas na Comissão de Ética,
Cidadania e Comunicação na Assembleia da República, no passado dia 30
de Agosto, foi indiscutivelmente denunciadora da sua interferência na
gestão da RTP, SA. Ao afirmar perante os senhores deputados o que
pretendia da Administração da RTP, SA e sugerindo o que no seu
entendimento é o serviço público de rádio e televisão, no qual não
cabe a Euronews, nem as emissões da RDP Internacional em onda curta;
as emissões da RTP Açores e da RTP Madeira, que existem no âmbito da
autonomia regional, o país presenciava impávido e em direto, ao que a
Comissão de Trabalhadores considerou tratar-se de uma passagem de
recados intencionais do Ministro Miguel Relvas para a Administração da
RTP, SA, que dificilmente não seriam percebidos como de uma indicação
se tratasse.
Este episódio configura uma situação claramente inconstitucional e
ilegítima. Estando o serviço público de rádio e televisão consignado
na Constituição da República, necessita de uma maioria de dois terços
para se efetuar a sua alteração na lei fundamental. Por isso, qualquer
intenção de alterar a política e as leis que garantem um serviço
público de rádio e televisão, só pode ser encontrada a partir de um
entendimento com outras forças políticas representadas na Assembleia
da República, e seria importante que tais entendimentos fossem fruto
de um consenso alargado a todas as forças políticas e não apenas aos
dois partidos que fazem parte da coligação no governo.
Se, como indiscutivelmente todos são levados a concordar, o Serviço
Público de Rádio e Televisão está constitucionalmente consagrado, e a
lei garante o princípio da independência dos meios de comunicação
social do Estado face ao Governo e demais poderes públicos, então
qualquer intenção que tenha como objectivo acabar com o serviço
público de rádio e televisão só pode ser entendida como
inconstitucional e ilegítima. Mesmo que se argumente, caso a caso, que
a intenção não é acabar mas suspender, como acontece com a interrupção
das emissões da RDP Internacional em Onda Curta ou a redução das
emissões da RTP Açores e RTP Madeira, isso não passa de um subterfúgio
mal-intencionado que mais não pretende que contornar a Constituição e
a lei, e é por essa razão reprovável.
Caso o entendimento da Comissão de Trabalhadores se configurar, cabe
ao Presidente da República garantir o regular funcionamento das
instituições democráticas tendo como dever defender e fazer cumprir a
Constituição da República Portuguesa.
O que é a Euronews?
É o único canal de notícias internacionais a transmitir em português
no mundo. Contribui para a influência portuguesa no mundo transmitindo
notícias sobre Portugal em nove línguas. O serviço português é
essencial para a Euronews, segundo a opinião da própria Euronews. Esta
parceria já existe há alguns anos e a Comissão de Trabalhadores não
entende por que razão é agora posta em causa. São 17 os jornalistas
portugueses (não são tradutores, como por lapso o Ministro José Relvas
os designou) que contribuem com a qualidade do seu trabalho para a
informação diária na Euronews. A implementação da Euronews em
português tem crescido muito nos últimos anos sobretudo no mercado
brasileiro.
A Euronews em português está disponível a 100% no cabo, satélite e na
televisão digital terrestre (TDT) nas casas portuguesas. A Euronews em
português também está no Brasil, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde,
Moçambique e no resto do mundo. A Euronews é o canal de notícias
internacional líder na Europa e em Portugal. Em Portugal é o mais
popular e o mais visto dos canais internacionais, devido a ser falado
em português. Está à frente da Sky News, da CNN International ou da
BBC World News.
Todos os portugueses podem ver a Euronews através do cabo, satélite,
IPTV, telemóveis ou TDT. A Euronews, também está em todos os canais
generalistas da RTP em períodos de menor audiência. De facto, os
conteúdos da Euronews preenchem apenas algumas horas no canal 1 (duas
horas e meia semanais) e no canal 2 (treze horas semanais), porque
conteúdos tão específicos como a informação internacional da Euronews
não cabem no desenho que as direções de informação e de programas da
RTP, SA fizeram para os canais generalistas em sinal aberto.
As obrigações com o serviço público de televisão contemplam os canais
regionais da RTP Açores e da RTP Madeira, assim como as suas emissões
no âmbito da autonomia regional. Nos Açores a Euronews ocupa cerca de
sete horas diárias de emissão, num total de 53 horas semanais e na
Madeira cerca de seis horas diárias num total de 40 horas semanais.
Quando o Conselho propõe poupar na redução das emissões da RTP Açores
e RTP Madeira esquece-se que um terço das emissões diárias destes dois
canais regionais está ocupado por conteúdos da Euronews (da meia noite
às oito da manhã de segunda a sexta e da meia noite às dez de sábado e
domingo).
A importância da Euronews prende-se também com a aposta estratégica na
difusão da língua portuguesa no mundo. De facto, esta aposta
estratégica podia estar sob a tutela do Ministério dos Negócios
Estrangeiros ou mesmo debaixo de uma instituição pública como o
Instituto Camões. Faltava-lhes meios tecnológicos e humanos para
executarem essa obrigação. E estas são algumas das razões porque cabe
ao operador público de televisão a concretização desta missão de
serviço público, que na opinião da Comissão de Trabalhadores da RTP
não pode deixar de ser cumprida.
PS. A Administração da RTP,SA entrega hoje ao Ministro da tutela o
Plano de Reestruturação e a Comissão de Trabalhadores da RTP opor-se-á
a qualquer corte no que são as obrigações do Contrato de Concessão de
Serviço Público de Rádio e Televisão.
Lisboa 20 de Setembro de 2011
A Comissão de Trabalhadores da RTP
Editoria:
Clima e política,
crise,
euronews,
rtp
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O escândalo em Guimarães
Folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães ( e porque é que a autarquia não assumiu o trabalho e teve de se criar uma fundação despesista?)
Figurões, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura
2012:Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos>
administradores e de outros
- Cristina Azevedo - Presidente do Conselho de Administração:
14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
- Carla Morais - Administradora Executiva
12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- João B. Serra - Administrador Executivo
12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo
2.000 € mensais + 300 € por reunião
Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.
Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano, em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!! Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM !
*Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !!! Alguém acredita em leis anti-corrupção feita por corruptos?
Figurões, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura
2012:Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos>
administradores e de outros
- Cristina Azevedo - Presidente do Conselho de Administração:
14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
- Carla Morais - Administradora Executiva
12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- João B. Serra - Administrador Executivo
12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo
2.000 € mensais + 300 € por reunião
Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.
Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano, em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!! Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM !
*Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !!! Alguém acredita em leis anti-corrupção feita por corruptos?
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Grécia sobe impostos para receber 2° pacote da ajuda
Os impostos parecem ser a preocupação central do plano de austeridade de Papandreu e dos credores da Grécia. Mas não o dinheiro de quem foge aos impostos.
O novo plano contempla medidas para arrecadar mais de 14,09 mil milhões de euros em impostos nos próximos quatro anos, ou seja, 649 milhões de euros a mais do que na versão inicial, anunciada em meados de junho.
Entre essas subidas de impostos, a nova taxa solidária que supõe uma retenção fiscal de 1 a 5 % sobre os impostos de quem ganha mais de 12 mil euros por ano.
Calcula-se que esta medida faça ganhar ao erário público 1,38 mil milhões de euros .
O IVA de bares e restaurantes vai passar de 13 para 23%
A isenção fiscal passa a ser apenas para quem ganha 8 mil euros anuais e não, como anteriormente, até 12 mil euros.
Também se cria um imposto sobre os bens de luxo, iates, piscinas e carros.
E aumenta o imposto sobre a propriedade.
.
Os impostos e quem os paga é um assunto que suscita polémica na Grécia.
Até o novo ministro das Finanças reconheceu as injustiças do sistema, ao mesmo tempo em que pediu ao Parlamento para aprovar o seu plano.
"A nossa principal prioridade é estabelecer um novo sistema de impostos, que tenha uma ampla aceitação, que ponha fim à flagrante injustiça que faz com que quem não foge aos impostos pague mais do que quem foge."
Mas Venizelos e Papandreou vão ter dificuldades em convencer à oposição a apoiá-los. Os apelos ao patriotismo caem em saco roto, tanto na ala mais esquerdista do governamento como na ala da direita da Nova Democracia.
Este é o prognóstico do analista George Tzogopoulos:
"Acho que o líder de Nova Democracia vai pedir a convocação de eleições antecipadas e a opinião pública continuará a sentir-se defraudada no futuro."
Na rua o sentimento dominante é de revolta: as novas medidas cortam entre 3 e 4 por cento dos rendimentos da classe média grega. Muitos consideram que as medidas se fazem à conta de quem paga os seus impostos e são inúteis na hora de lutar contra quem pratica as fraudes.
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O novo plano contempla medidas para arrecadar mais de 14,09 mil milhões de euros em impostos nos próximos quatro anos, ou seja, 649 milhões de euros a mais do que na versão inicial, anunciada em meados de junho.
Entre essas subidas de impostos, a nova taxa solidária que supõe uma retenção fiscal de 1 a 5 % sobre os impostos de quem ganha mais de 12 mil euros por ano.
Calcula-se que esta medida faça ganhar ao erário público 1,38 mil milhões de euros .
O IVA de bares e restaurantes vai passar de 13 para 23%
A isenção fiscal passa a ser apenas para quem ganha 8 mil euros anuais e não, como anteriormente, até 12 mil euros.
Também se cria um imposto sobre os bens de luxo, iates, piscinas e carros.
E aumenta o imposto sobre a propriedade.
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Os impostos e quem os paga é um assunto que suscita polémica na Grécia.
Até o novo ministro das Finanças reconheceu as injustiças do sistema, ao mesmo tempo em que pediu ao Parlamento para aprovar o seu plano.
"A nossa principal prioridade é estabelecer um novo sistema de impostos, que tenha uma ampla aceitação, que ponha fim à flagrante injustiça que faz com que quem não foge aos impostos pague mais do que quem foge."
Mas Venizelos e Papandreou vão ter dificuldades em convencer à oposição a apoiá-los. Os apelos ao patriotismo caem em saco roto, tanto na ala mais esquerdista do governamento como na ala da direita da Nova Democracia.
Este é o prognóstico do analista George Tzogopoulos:
"Acho que o líder de Nova Democracia vai pedir a convocação de eleições antecipadas e a opinião pública continuará a sentir-se defraudada no futuro."
Na rua o sentimento dominante é de revolta: as novas medidas cortam entre 3 e 4 por cento dos rendimentos da classe média grega. Muitos consideram que as medidas se fazem à conta de quem paga os seus impostos e são inúteis na hora de lutar contra quem pratica as fraudes.
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Programa do Governo
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Editoria:
Clima e política,
crise,
Estradas de portugal
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Crónica de Manuel António Pina - EP
Reproduzo, pelo interesse público da má ou boa gestao da coisa pública
Casualidade, causalidade
Talvez tenha visto mal mas não me apercebi de que, como vem sendo feito na Net, algum jornal se tenha ainda interrogado sobre a sucessão de três notícias em pouco mais de dois meses que, isoladas, talvez só tivessem lugar nas páginas de Economia mas que, juntas, e com um director ou um chefe de redacção curiosos de acasos, até poderiam ter sido manchete.
A primeira, de 16 de Março, a da renúncia - dois anos antes do termo do seu mandato - de Almerindo Marques à presidência da Estradas de Portugal (para que fora nomeado em 2007 pelo então ministro Mário Lino), declarando ao DE que "no essencial, est[ava] feito o [s]eu trabalho de gestão".
A segunda, de 11 de Maio, a de uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revelando que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5 400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.
E a terceira, de há poucos dias, a de que Almerindo Marques irá liderar a "Opway", construtora do Grupo Espírito Santo.
O mais certo, porém, é que tais notícias não tenham nada a ver umas com as outras, que a sua sucessão seja casual e não causal.
Casualidade, causalidade
Talvez tenha visto mal mas não me apercebi de que, como vem sendo feito na Net, algum jornal se tenha ainda interrogado sobre a sucessão de três notícias em pouco mais de dois meses que, isoladas, talvez só tivessem lugar nas páginas de Economia mas que, juntas, e com um director ou um chefe de redacção curiosos de acasos, até poderiam ter sido manchete.
A primeira, de 16 de Março, a da renúncia - dois anos antes do termo do seu mandato - de Almerindo Marques à presidência da Estradas de Portugal (para que fora nomeado em 2007 pelo então ministro Mário Lino), declarando ao DE que "no essencial, est[ava] feito o [s]eu trabalho de gestão".
A segunda, de 11 de Maio, a de uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revelando que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5 400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.
E a terceira, de há poucos dias, a de que Almerindo Marques irá liderar a "Opway", construtora do Grupo Espírito Santo.
O mais certo, porém, é que tais notícias não tenham nada a ver umas com as outras, que a sua sucessão seja casual e não causal.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011
Desabafo - dívida francesa
E se os alemães se entretivessem com os franceses, que estão com um défice orçamental de 27 mil milhões de euros e têm uma dívida pública de 1.250 mil milhões de euros? Hipócritas, cínicos todos (alemães, franceses e europeístas) ...deixem os periféricos em paz...
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Internacional Socialista expulsa partido de Mubarak
Mais vale tarde do que nunca:
A Internacional Socialista expulsou hoje o Partido Nacional Democrático (PND), a força política liderada pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak.
A expulsão do PND soma-se assim à do partido do recentemente deposto presidente da Tunísia, Zine El Abidide Ben Ali, o Agrupamento Constitucional Democrático (RCD).
A Internacional Socialista, de acordo com as fontes, esperava uma mensagem de Mubarak ao povo do Egipto que mostrasse um claro caminho para a mudança política, social e económica, que não aconteceu.
A Internacional Socialista expulsou hoje o Partido Nacional Democrático (PND), a força política liderada pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak.
A expulsão do PND soma-se assim à do partido do recentemente deposto presidente da Tunísia, Zine El Abidide Ben Ali, o Agrupamento Constitucional Democrático (RCD).
A Internacional Socialista, de acordo com as fontes, esperava uma mensagem de Mubarak ao povo do Egipto que mostrasse um claro caminho para a mudança política, social e económica, que não aconteceu.
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Israel teme impacto da revolta egípcia na região
Maria João Carvalho com Sophie Desjardin para a euronews
Os israelitas assistem impotentes, há duas semanas, à vacilação do regime com que contavam e em que se apoiavam na região. Confidencialmente o primeiro-ministro terá pedido aos aliados europeus e americanos para apoiarem Mubarak, mas discretamente.
Publicamente, Netanyaou lembrou que "a paz entre Israel e o Egito tem três décadas e é seu objectivo assegurar a continuidade destas relações".
Desde o início da contestação no Egito que Israel se angustia e isso tem sido evidente nos Media do país. A manchete do Haaretz, ontem, assinalava" Um novo Médio Oriente", refirindo o aumento do perigo.
O Egito é o país árabe que tem mais população. Foi o primeiro a assinar, em 1979, a paz com Israel, terminando com 30 anos de guerra entre os dois países. A Jodânia só o fez em 1994, depois dos acordos de Oslo. Mas Israel nunca conseguiu fazer o mesmo com os outros vizinhos árabes.
E mesmo a boa vontade de Oslo se perdeu com inúmeros obstáculos entre israelitas e palestinianos.
Apesar da boa vontade do Egito, sempre num autêntico ballet diplomático entre os dois e, mesmo, a desempenhar o papel de bombeiro.
Com a chegada do Hamas ao poder, em 2006, Israel depositou todas as esperanças no Cairo, que não se poupou a esforços - apesar das relações de amizade entre o Hamas e os Irmãos Muçulmanos, a irmandade que, no Egito, defende um estado islâmico.
E é essa eventualidade que o estado hebreu teme.
Esta antiga organização islâmica inspirou muitos movimentos radicais islâmicos em todo o mundo, defende a aplicação da lei islâmica e afirma que o Islão é a solução.
Neste contexto, a nomeação de Omar Souleiman como vice-presidente tranquilizou um pouco Israel, que o conhece bem de várias acções de reforço da segurança contra o Hamas. Se vier a substituir Mubarak o poder será assegurado e, com ele, a estabilidade.
Um antigo embaixador de Israel no Egito analisa:
"Se isto for verdade, se os generais dirigirem o país, não vislumbro quaisquer mudanças nas relações entre Israel e o Egito. Os generais do regime estão comprometidos com a paz, com as relações com os americanos e com o Ocidente. Mas a questão que se coloca é: o que acontecerá depois das eleições?".
É difícil saber em que resultará a revolta popular no Egito: o desconhecido provoca o medo. Com o Hezbollah a destabilizar o Líbano e a Turquia a afastar-se, Israel receia o isolamento.
Os israelitas assistem impotentes, há duas semanas, à vacilação do regime com que contavam e em que se apoiavam na região. Confidencialmente o primeiro-ministro terá pedido aos aliados europeus e americanos para apoiarem Mubarak, mas discretamente.
Publicamente, Netanyaou lembrou que "a paz entre Israel e o Egito tem três décadas e é seu objectivo assegurar a continuidade destas relações".
Desde o início da contestação no Egito que Israel se angustia e isso tem sido evidente nos Media do país. A manchete do Haaretz, ontem, assinalava" Um novo Médio Oriente", refirindo o aumento do perigo.
O Egito é o país árabe que tem mais população. Foi o primeiro a assinar, em 1979, a paz com Israel, terminando com 30 anos de guerra entre os dois países. A Jodânia só o fez em 1994, depois dos acordos de Oslo. Mas Israel nunca conseguiu fazer o mesmo com os outros vizinhos árabes.
E mesmo a boa vontade de Oslo se perdeu com inúmeros obstáculos entre israelitas e palestinianos.
Apesar da boa vontade do Egito, sempre num autêntico ballet diplomático entre os dois e, mesmo, a desempenhar o papel de bombeiro.
Com a chegada do Hamas ao poder, em 2006, Israel depositou todas as esperanças no Cairo, que não se poupou a esforços - apesar das relações de amizade entre o Hamas e os Irmãos Muçulmanos, a irmandade que, no Egito, defende um estado islâmico.
E é essa eventualidade que o estado hebreu teme.
Esta antiga organização islâmica inspirou muitos movimentos radicais islâmicos em todo o mundo, defende a aplicação da lei islâmica e afirma que o Islão é a solução.
Neste contexto, a nomeação de Omar Souleiman como vice-presidente tranquilizou um pouco Israel, que o conhece bem de várias acções de reforço da segurança contra o Hamas. Se vier a substituir Mubarak o poder será assegurado e, com ele, a estabilidade.
Um antigo embaixador de Israel no Egito analisa:
"Se isto for verdade, se os generais dirigirem o país, não vislumbro quaisquer mudanças nas relações entre Israel e o Egito. Os generais do regime estão comprometidos com a paz, com as relações com os americanos e com o Ocidente. Mas a questão que se coloca é: o que acontecerá depois das eleições?".
É difícil saber em que resultará a revolta popular no Egito: o desconhecido provoca o medo. Com o Hezbollah a destabilizar o Líbano e a Turquia a afastar-se, Israel receia o isolamento.
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Ayman Nour: pai da terceira via para o Egito
O pai da terceira via para o Egito (inspirado em Blair), o antigo advogado, Ayman Nour, é uma figura emblemática de oposição laica no Egipto.
Fundou e lidera o partido liberal El-Ghad, desde 2004. Teve apenas 8% mas conseguiu um segundo lugar, apesar da maioria de Mubarak. Fustigou a política do regime, incapaz de erradicar o desemprego.
Tem um programa eleitoral de 1200 páginas assente na liberalização económica e na luta política contra a corrupção.
Está com a multidão, que se expressa nas ruas do Cairo, e repete a a mensagem de necessidade de reforma sócio-política.
"A nossa mensagem é esta: que parta. Queremos que o presidente Mubarak parta. Já não o suportamos, a ele e ao regime. O povo egípcio não quer este sistema. Mubarak fechou as portas a qualquer mudança pacífica".
Para o líder, o regime está na reta final. Antes do black out à nformação, Ayman Nour deu à euronews uma opinião sobre a saída da crise:
"Com todas as formações e as forças políticas de todas as facções faremos assembleias populares como alternativa ao parlamento para compensar das fraudes eleitorais legislativas e presidenciais."
Em 2005, Ayman Nour foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de um delito de falsificação de documentos na legalização do partido i El-Ghad, (amanhã, em árabe), alegadamente na recolha de assinaturas. A mulher de então, Gaamela Ismail continuou a liderar os protestos contra o regime de Mubarak e pela sua libertaçao.
Diabético, foi libertado por razões de saúde em Fevereiro de 2009, mas continua sem poder apresentar-se às eleições presidenciais, previstas para o próximo mês de setembro.
Fundou e lidera o partido liberal El-Ghad, desde 2004. Teve apenas 8% mas conseguiu um segundo lugar, apesar da maioria de Mubarak. Fustigou a política do regime, incapaz de erradicar o desemprego.
Tem um programa eleitoral de 1200 páginas assente na liberalização económica e na luta política contra a corrupção.
Está com a multidão, que se expressa nas ruas do Cairo, e repete a a mensagem de necessidade de reforma sócio-política.
"A nossa mensagem é esta: que parta. Queremos que o presidente Mubarak parta. Já não o suportamos, a ele e ao regime. O povo egípcio não quer este sistema. Mubarak fechou as portas a qualquer mudança pacífica".
Para o líder, o regime está na reta final. Antes do black out à nformação, Ayman Nour deu à euronews uma opinião sobre a saída da crise:
"Com todas as formações e as forças políticas de todas as facções faremos assembleias populares como alternativa ao parlamento para compensar das fraudes eleitorais legislativas e presidenciais."
Em 2005, Ayman Nour foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de um delito de falsificação de documentos na legalização do partido i El-Ghad, (amanhã, em árabe), alegadamente na recolha de assinaturas. A mulher de então, Gaamela Ismail continuou a liderar os protestos contra o regime de Mubarak e pela sua libertaçao.
Diabético, foi libertado por razões de saúde em Fevereiro de 2009, mas continua sem poder apresentar-se às eleições presidenciais, previstas para o próximo mês de setembro.
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Crise no País do Cedro
A Arábia Saudita fechou a porta e abandonou os esforços de mediação no Líbano: qualificou a situação de perigosa e deixou nas mãos da Turquia e do Qatar a procura de uma solução.
Uma situação explosiva, como não deixou de sublinhar a imprensa libanesa, que caracterizou as negociações como "de última oportunidade".
As tensões entre o clã Hariri, de um lado, e o Hezbollah do outro começaram, há vários meses, em torno da questão do tribunal encarregue de elucidar o assassinato de Hariri pai.
Desencadearam, finalmente, a 12 de janeiro, a demissão dos ministros do Hezbollah, provocando a queda do governo.
Segundo alguns analistas, o momento escolhido pelo Hezbollah não teve nada de casual. Nesse mesmo dia, Saad Hariri, o primeiro-ministro libanês, encontrava-se na Sala Oval da Casa Branca. O Hezbollah terá assim enviado um sinal para a administração norte-americana, que apoia Hariri, e, ao mesmo tempo, um sinal para Hariri, acusado de receber ordens de Washington e também da Síria...
O movimento xiita libanês demarca-se assim da influência do poderoso vizinho e mostra que pode atuar sozinho.
Por outro lado, a Síria e a Arábia Saudita têm mantido negociações com os líderes libaneses para tentar encontrar um terreno de concórdia e evitar a crise.
O que complica as coisas é que o encontro de Hariri com Obama também foi uma demonstração individual de força para Riade, que não gostou.
Mas quando se fala do Líbano e da política libanesa, é preciso observar o coração de toda uma esfera de influência:
De um lado, o clã Hariri apoiado pela França, pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita.
Do outro, o Hezbollah, apoiado pelo Irão e pela Síria.
Como a mediação das duas potências com supremacia fracassou, a Turquia e o Qatar, dois países neutros, assumiram a mediação..
Todos esperam que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia e do Qatar resolvam esta crise, antes de haver derramamento de sangue.
Os novos mediadores já se reuniram em Beirute com o primeiro-ministro Hariri e Nasrallah, líder do Hezbollah para abordar possíveis soluções para resolver a crise política.
Para Nasrallah, o Tribunal e o previsível veredito, são uma alegada conspiração israelo-americana para destruir o movimento que lidera.
Hariri, até pode fazer concessões...mas nunca passarão pela desautorização do tribunal que se vai pronunciar sobre os autores do atentado que matou o pai.
Uma situação explosiva, como não deixou de sublinhar a imprensa libanesa, que caracterizou as negociações como "de última oportunidade".
As tensões entre o clã Hariri, de um lado, e o Hezbollah do outro começaram, há vários meses, em torno da questão do tribunal encarregue de elucidar o assassinato de Hariri pai.
Desencadearam, finalmente, a 12 de janeiro, a demissão dos ministros do Hezbollah, provocando a queda do governo.
Segundo alguns analistas, o momento escolhido pelo Hezbollah não teve nada de casual. Nesse mesmo dia, Saad Hariri, o primeiro-ministro libanês, encontrava-se na Sala Oval da Casa Branca. O Hezbollah terá assim enviado um sinal para a administração norte-americana, que apoia Hariri, e, ao mesmo tempo, um sinal para Hariri, acusado de receber ordens de Washington e também da Síria...
O movimento xiita libanês demarca-se assim da influência do poderoso vizinho e mostra que pode atuar sozinho.
Por outro lado, a Síria e a Arábia Saudita têm mantido negociações com os líderes libaneses para tentar encontrar um terreno de concórdia e evitar a crise.
O que complica as coisas é que o encontro de Hariri com Obama também foi uma demonstração individual de força para Riade, que não gostou.
Mas quando se fala do Líbano e da política libanesa, é preciso observar o coração de toda uma esfera de influência:
De um lado, o clã Hariri apoiado pela França, pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita.
Do outro, o Hezbollah, apoiado pelo Irão e pela Síria.
Como a mediação das duas potências com supremacia fracassou, a Turquia e o Qatar, dois países neutros, assumiram a mediação..
Todos esperam que os ministros dos Negócios Estrangeiros da Turquia e do Qatar resolvam esta crise, antes de haver derramamento de sangue.
Os novos mediadores já se reuniram em Beirute com o primeiro-ministro Hariri e Nasrallah, líder do Hezbollah para abordar possíveis soluções para resolver a crise política.
Para Nasrallah, o Tribunal e o previsível veredito, são uma alegada conspiração israelo-americana para destruir o movimento que lidera.
Hariri, até pode fazer concessões...mas nunca passarão pela desautorização do tribunal que se vai pronunciar sobre os autores do atentado que matou o pai.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Gbabo confessa-se à euronews: não saio
Entrevista
EXCLUSIVO – Laurent Gbagbo defende recontagem dos votos
A Costa do Marfim está à beira da guerra civil. A ONU teme violências étnicas. Laurent Gbagbo não quer deixar o poder. Considera ter ganho as eleições presidenciais de Novembro, apoiando-se no veredicto do Conselho Constitucional.
A comunidade internacional contesta a legitimidade de Gbabo e considera que Alassane Ouattara é o novo presidente do país.
Em Abidjan para a euronews, Laurent Gbagbo aceitou explicar, em exclusivo, o braço de ferro que causou a crise no país e a apreensão no mundo. (Tradução Maria João Carvalho)
François Chignac, euronews – Há pouco mais de um mês, a Comissão Eleitoral independente anunciou que o seu adversário, Alassane Ouattara, ganhou as eleições presidenciais da Costa do Marfim. Alguns dias depois, o Conselho Constitucional legitimou a sua presidência. Hoje, a Costa do Marfim enfrenta uma das piores crises dos últimos tempos. Em que ponto estamos?
Laurent Gbagbo, presidente em exercício – O que é preciso compreender bem é que o resultado é ilegítimo, proclamado fora de prazo por alguém que não tinha o direito de o proclamar, é a isso que o Ocidente se agarra. O Conselho Constitucional deliberou e deu os resultados. É uma instituição reconhecida, proclamou eleito o novo presidente, que sou eu. Não querem sequer ouvir falar nisso. Sai do âmbito do direito, não é direito. É apenas a vontade dos poderosos de impôr outra pessoa. Não estou de acordo.
euronews:
A União Europeia contesta a sua legitimidade.
Laurent Gbagbo:
A União Europeia segue a França. Nas relações entre as grandes potências, cada um tem a sua zona de influência. E quando se trata de países francófonos da África negra, quando a França fala, todos os outros a seguem. A França interfere da pior maneira. Todas as resoluções feitas sobre a Costa do Marfim, na ONU, têm rascunho escrito pela França. É a França que escreve o esboço. Contestámo-lo várias vezes, mas somos um país pequeno. Não somos uma potência nuclear, não temos o direito de veto, nem sequer estamos no Conselho de segurança.
euronews:
O seu adversário, Alassane Ouattara, formou um governo, nomeou embaixadores que foram reconhecidos. O embaixador nomeado por Outtara em França foi reconhecido.
Laurent Gbagbo:
Mas a França está errada. Sou eu que digo: a França está errada.
euronews:
Passou 30 anos na oposição, Laurent Gbagbo. Tem uma longa carreira política. Nicolas Sarkozy dá-lhe um ultimato. Que responde ao chefe de Estado francês?
Laurent Gbagbo:
É inaceitável que um chefe de Estado, sob o pretexto de ser de um país mais poderoso do que outro, apresente um ultimato ao chefe de Estado de outro país. Não é possível.
euronews:
Os opositores dizem que o senhor não é um democrata, é um ditador, que fez um hold up eleitoral.
Laurent Gbagbo:
Quando …
euronews: que fez uma negação da democracia nas últimas semanas, que lhes responde?
Laurent Gbabo:
Que não estão bem colocados para falar sobre isso porque estão entricheirados no Hotel do Golfe (Ouattara e o governo). Estavam do lado do partido único, quando nós lutávamos pelo multipartidarismo. . Ouattara, Bédier (candidato na primeira volta)… queriam tanto matar o sistema multipartidário que estive na prisão durante o governo de Ouattara (que foi primeiro-ministro na década de 90).
euronews:
Laurent Gbagbo, estaria disposto a sacrificar-se pelos marfinenses para legitimar a visão de democracia.
Laurent Gbagbo:
Não é uma questão de sacrificar a Costa do Marfim, é uma questão mundial…
euronews:
Mas nós estamos no limite de tudo. A situação é tensa no país …
Laurent Gbagbo:
Esta não é a primeira vez que a a situação está tensa na Costa do Marfim.
euronews:
Não vai deixar o poder?
Laurent Gbagbo:
Oiça, eu fui eleito. Deve falar com aqueles que não foram eleitos.
euronews:
Se a comunidade internacional continuar a pressionar, nas próximas semanas, não vai deixar o poder?
Laurent Gbagbo:
Mas porque iriam continuar as pressões? É injusto.
euronews:
Há violência nas ruas. Se as atrocidades continuam, de ambas as partes, deixa o cargo?
Laurent Gbagbo:
Por quem? E há uma pergunta que quero fazer, e que as pessoas não costumam equacionar. Mesmo se já a seguir eu disser que deixo o poder, quem pode garantir que isso trará a paz? E que não vai provocar violências ainda maiores do que as que esperamos?
euronews:
E se a Comunidade Económica da África Ocidental intervir?
Laurent Gbagbo:
faria mal …
euronews:
e se os jovens marfinenses se opuserem aos militares da CEDEAO, abandonaria o poder?
Laurent Gbagbo:
Logo verei. E então anunciarei a decisão. Mas não está na agenda, por agora. O que importa agora é a discussão. Por isso discutimos. E pergunto porque é que as pessoas que pretendem ter ganho contra mim não querem voltar ao essencial e recontar os boletins de voto. Só peço isso. Que as pessoas venham para revermos as eleições.
euronews:
Então acusa os adversários de serem a fonte dos problemas na segunda volta das eleições.
Laurent Gbagbo:
Claro. Não é verdade que, nessas regiões, abusaram, violaram as mulheres que iam votar Gbagbo? É uma questão central.
euronews:
E quando o representante dos Direitos Humanos na ONU o estigmatiza e lhe aponta o dedo, o que responde?
Laurent Gbagbo:
É outro problema. É outro problema a que eu quero responder bem. Qual é o problema na Costa do Marfim? Ou seja, foram realizadas eleições. É preciso saber quem as ganhou. Esta é a fonte do problema. Eu digo que ganhei porque as instituições, que têm a responsabilidade de dizer quem ganhou, atribuiram-me a vitória. Os outros dizem outra coisa. Dizem outra coisa qualquer, mas sem base legal.
Então, como é habitual nestes casos, não têm argumentos sobre o fundo da questão, ou seja, quem ganhou as eleições e invocam os direitos do homem.
Em 2000, quando fui eleito, foi igual. Inventaram as valas comuns e culparam-me de mortes inexistentes. Pedi uma investigação judicial e houve um processo. Os polícias acusados foram absolvidos.
euronews:
As forças da ONU são imparciais na Costa do Marfim?
Laurent Gbagbo:
Já não são imparciais.
euronews:
Desde quando?
Laurent Gbagbo:
Desde as últimas eleições. Porque nós considerávamo-la uma força imparcial, digamos em 2003/2004. Mas, desde o momento que o líder …
euronews:
Que o coloca directamente em causa …
Laurent Gbagbo:
Que eu coloco directamente em causa. Acho que as pessoas da ONU devem ser mais sábias.
Sabem muito bem que os responsabilizamos pela escalada da tensão, sabem muito bem que o Governo da Costa do Marfim pediu para partirem. Disse às pessoas para não os apressarem, pedimos a saída diplomaticamente e é diplomaticamente que a vamos obter. Mas é preciso que sejam mais sábios. Quando as pessoas que vêm do exterior se querem impor por serem mais fortes, o resultado é este.
euronews:
Então, a Costa do Marfim e Laurent Gbagbo são vítimas do exterior?
Laurent Gbagbo:
Disse, no início da minha campanha, que a população tinha a escolha entre um candidato para a Costa do Marfim e um candidato para o estrangeiro. É isso. Parece carricatural, mas é realidade.
euronews:
Vamos ter de passar por um banho de sangue?
Laurent Gbagbo:
Eu não quero, estou a tentar evitar que aconteça.
euronews:
Mas não pode evitá-la?
Laurent Gbagbo:
Não acredito, de todo, que haja guerra civil. Mas, obviamente, se as pressões continuarem, acabam por nos empurrar para o confronto.
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EXCLUSIVO – Laurent Gbagbo defende recontagem dos votos
A Costa do Marfim está à beira da guerra civil. A ONU teme violências étnicas. Laurent Gbagbo não quer deixar o poder. Considera ter ganho as eleições presidenciais de Novembro, apoiando-se no veredicto do Conselho Constitucional.
A comunidade internacional contesta a legitimidade de Gbabo e considera que Alassane Ouattara é o novo presidente do país.
Em Abidjan para a euronews, Laurent Gbagbo aceitou explicar, em exclusivo, o braço de ferro que causou a crise no país e a apreensão no mundo. (Tradução Maria João Carvalho)
François Chignac, euronews – Há pouco mais de um mês, a Comissão Eleitoral independente anunciou que o seu adversário, Alassane Ouattara, ganhou as eleições presidenciais da Costa do Marfim. Alguns dias depois, o Conselho Constitucional legitimou a sua presidência. Hoje, a Costa do Marfim enfrenta uma das piores crises dos últimos tempos. Em que ponto estamos?
Laurent Gbagbo, presidente em exercício – O que é preciso compreender bem é que o resultado é ilegítimo, proclamado fora de prazo por alguém que não tinha o direito de o proclamar, é a isso que o Ocidente se agarra. O Conselho Constitucional deliberou e deu os resultados. É uma instituição reconhecida, proclamou eleito o novo presidente, que sou eu. Não querem sequer ouvir falar nisso. Sai do âmbito do direito, não é direito. É apenas a vontade dos poderosos de impôr outra pessoa. Não estou de acordo.
euronews:
A União Europeia contesta a sua legitimidade.
Laurent Gbagbo:
A União Europeia segue a França. Nas relações entre as grandes potências, cada um tem a sua zona de influência. E quando se trata de países francófonos da África negra, quando a França fala, todos os outros a seguem. A França interfere da pior maneira. Todas as resoluções feitas sobre a Costa do Marfim, na ONU, têm rascunho escrito pela França. É a França que escreve o esboço. Contestámo-lo várias vezes, mas somos um país pequeno. Não somos uma potência nuclear, não temos o direito de veto, nem sequer estamos no Conselho de segurança.
euronews:
O seu adversário, Alassane Ouattara, formou um governo, nomeou embaixadores que foram reconhecidos. O embaixador nomeado por Outtara em França foi reconhecido.
Laurent Gbagbo:
Mas a França está errada. Sou eu que digo: a França está errada.
euronews:
Passou 30 anos na oposição, Laurent Gbagbo. Tem uma longa carreira política. Nicolas Sarkozy dá-lhe um ultimato. Que responde ao chefe de Estado francês?
Laurent Gbagbo:
É inaceitável que um chefe de Estado, sob o pretexto de ser de um país mais poderoso do que outro, apresente um ultimato ao chefe de Estado de outro país. Não é possível.
euronews:
Os opositores dizem que o senhor não é um democrata, é um ditador, que fez um hold up eleitoral.
Laurent Gbagbo:
Quando …
euronews: que fez uma negação da democracia nas últimas semanas, que lhes responde?
Laurent Gbabo:
Que não estão bem colocados para falar sobre isso porque estão entricheirados no Hotel do Golfe (Ouattara e o governo). Estavam do lado do partido único, quando nós lutávamos pelo multipartidarismo. . Ouattara, Bédier (candidato na primeira volta)… queriam tanto matar o sistema multipartidário que estive na prisão durante o governo de Ouattara (que foi primeiro-ministro na década de 90).
euronews:
Laurent Gbagbo, estaria disposto a sacrificar-se pelos marfinenses para legitimar a visão de democracia.
Laurent Gbagbo:
Não é uma questão de sacrificar a Costa do Marfim, é uma questão mundial…
euronews:
Mas nós estamos no limite de tudo. A situação é tensa no país …
Laurent Gbagbo:
Esta não é a primeira vez que a a situação está tensa na Costa do Marfim.
euronews:
Não vai deixar o poder?
Laurent Gbagbo:
Oiça, eu fui eleito. Deve falar com aqueles que não foram eleitos.
euronews:
Se a comunidade internacional continuar a pressionar, nas próximas semanas, não vai deixar o poder?
Laurent Gbagbo:
Mas porque iriam continuar as pressões? É injusto.
euronews:
Há violência nas ruas. Se as atrocidades continuam, de ambas as partes, deixa o cargo?
Laurent Gbagbo:
Por quem? E há uma pergunta que quero fazer, e que as pessoas não costumam equacionar. Mesmo se já a seguir eu disser que deixo o poder, quem pode garantir que isso trará a paz? E que não vai provocar violências ainda maiores do que as que esperamos?
euronews:
E se a Comunidade Económica da África Ocidental intervir?
Laurent Gbagbo:
faria mal …
euronews:
e se os jovens marfinenses se opuserem aos militares da CEDEAO, abandonaria o poder?
Laurent Gbagbo:
Logo verei. E então anunciarei a decisão. Mas não está na agenda, por agora. O que importa agora é a discussão. Por isso discutimos. E pergunto porque é que as pessoas que pretendem ter ganho contra mim não querem voltar ao essencial e recontar os boletins de voto. Só peço isso. Que as pessoas venham para revermos as eleições.
euronews:
Então acusa os adversários de serem a fonte dos problemas na segunda volta das eleições.
Laurent Gbagbo:
Claro. Não é verdade que, nessas regiões, abusaram, violaram as mulheres que iam votar Gbagbo? É uma questão central.
euronews:
E quando o representante dos Direitos Humanos na ONU o estigmatiza e lhe aponta o dedo, o que responde?
Laurent Gbagbo:
É outro problema. É outro problema a que eu quero responder bem. Qual é o problema na Costa do Marfim? Ou seja, foram realizadas eleições. É preciso saber quem as ganhou. Esta é a fonte do problema. Eu digo que ganhei porque as instituições, que têm a responsabilidade de dizer quem ganhou, atribuiram-me a vitória. Os outros dizem outra coisa. Dizem outra coisa qualquer, mas sem base legal.
Então, como é habitual nestes casos, não têm argumentos sobre o fundo da questão, ou seja, quem ganhou as eleições e invocam os direitos do homem.
Em 2000, quando fui eleito, foi igual. Inventaram as valas comuns e culparam-me de mortes inexistentes. Pedi uma investigação judicial e houve um processo. Os polícias acusados foram absolvidos.
euronews:
As forças da ONU são imparciais na Costa do Marfim?
Laurent Gbagbo:
Já não são imparciais.
euronews:
Desde quando?
Laurent Gbagbo:
Desde as últimas eleições. Porque nós considerávamo-la uma força imparcial, digamos em 2003/2004. Mas, desde o momento que o líder …
euronews:
Que o coloca directamente em causa …
Laurent Gbagbo:
Que eu coloco directamente em causa. Acho que as pessoas da ONU devem ser mais sábias.
Sabem muito bem que os responsabilizamos pela escalada da tensão, sabem muito bem que o Governo da Costa do Marfim pediu para partirem. Disse às pessoas para não os apressarem, pedimos a saída diplomaticamente e é diplomaticamente que a vamos obter. Mas é preciso que sejam mais sábios. Quando as pessoas que vêm do exterior se querem impor por serem mais fortes, o resultado é este.
euronews:
Então, a Costa do Marfim e Laurent Gbagbo são vítimas do exterior?
Laurent Gbagbo:
Disse, no início da minha campanha, que a população tinha a escolha entre um candidato para a Costa do Marfim e um candidato para o estrangeiro. É isso. Parece carricatural, mas é realidade.
euronews:
Vamos ter de passar por um banho de sangue?
Laurent Gbagbo:
Eu não quero, estou a tentar evitar que aconteça.
euronews:
Mas não pode evitá-la?
Laurent Gbagbo:
Não acredito, de todo, que haja guerra civil. Mas, obviamente, se as pressões continuarem, acabam por nos empurrar para o confronto.
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