Mostrar mensagens com a etiqueta mundo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mundo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Agora que o Mundo aceita o regresso do Baby Doc....

Nun texto de Martha Cappy, de há um ano, para o site do Yahoo, está uma boa história em poucas linhas, sobre a pobreza do Haiti:

Por que o Haiti é tão pobre? A História responde?
Texto grande, eu sei, mas por favor.... leiam!
Em 1804 parecia que a história tinha afinal sorrido para a rica colonia francesa do Caribe. Uma revolução dos escravos levou-os a conquistar o poder e instalar uma república negra nas Américas, a segunda república independente das Américas, depois dos Estados Unidos.
Até então ela havia sido explorada radicalmente pela França. Era tão produtiva que era chamada "a jóia das Antilhas". No sistema escravocrata, numa terra altamente produtiva, a França extraiu tudo do que podia da colônia. Lá se produzia café, cacau, tabaco, algodão, indigo entre outros produtos que eram refinados na França e
reexportado para o resto da Europa. O cálculo é que a França retiravade lá 50% do seu PIB da época.
A independência parecia ser um brilhante recomeço. Não foi. O mundo inteiro decretou boicote à nova república. As potências coloniais achavam subversivo aquele modelo. Os Estados Unidos que já eram uma ex-colonia independente eram um país escravocrata. O Haiti assustava a todos. Sob boicote do mundo, o país entrou em dificuldades extremas.
Não podia exportar nem importar. A França passou a cobrar do Haiti uma suposta divida para indenizar os ex-donos de terras, ex-donos de escravos. A contenda com a França só acabou quando em 1838 o governo haitiano aceitou pagar 150 milhões de francos. Durante 80 anos essa divida, que foi paga incontáveis vezes através de juros intermináveis,drenou a economia haitiana. A dívida só foi considerada paga em 1922.
Mas aí o país já estava sob jugo de outro opressor: os Estados Unidos ocuparam militarmente o país em 1915 e lá ficaram até 1938.
Mesmo após o fim da ocupação física, os Estados Unidos apoiaram as escolhas trágicas dos haitianos como o poder à dinastia dos Duvalier, o Papa Doc e Baby Doc que desde os anos 60, por décadas, dominaram a população pelo terror através da mais violenta das polícias políticasde que se tem notícia nas Américas, os Tonton Macoute.
Para completar a explicação da pobreza, os indicadores educacionais são os piores. Todos esses governantes ou líderes, sejam eles de opressores estrangeiros ou opressores locais, jamais fizeram qualquer esforço para educar a população e retirá-la da ignorância.
A democracia quando chegou lá, chegou tarde e vulnerável.
Para completar o quadro produzido por essa história, há ainda os fatores climáticos.
A destruição impiedosa do meio ambiente, desde a época colonial, no país que tinha uma intensa biodiversidade, foi empobrecendo o solo, produzindo erosões, aumentando os riscos de desastres ambientais. Hoje restam apenas 2% da rica cobertura vegetal original. Furacões e terremotos fizeram o resto da tragédia haitiana.
Haverá futuro para o Haiti se os haitianos e o mundo aprenderem com essa história.
É hora de os países de boa vontade se unirem em torno do Haiti para do meio do caos atual começar a construir uma nova história.

LUZ! Estamos precisando!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Vejm a originalidade deste trabalho

O Brasil submerso num imenso rio de Janeiro
por João Almeida Moreira, em São Paulo, Brasil, Publicado em 13 de Janeiro de 2011

"Houve uma precipitação pluvial muito rara, é inevitável um acontecimento destes, é da natureza", disse o prefeito de São Paulo. Mas qual prefeito de São Paulo? O recém-reeleito Gilberto Kassab? Não, a frase é de Franco Montoro, em Janeiro de 1987, após uma tragédia semelhante à dos últimos dias. Depois de Montoro, o prefeito Paulo Maluf desculpou--se, em 1995, com "a maior chuvada dos últimos 50 anos". O titular do cargo em 1999, Celso Pitta, explicou que "a chuva superou a capacidade da cidade". E José Serra, em 2005, lembrou que "em duas horas choveu o que costuma chover em 40 dias". Falta ouvir então a explicação de Kassab, prefeito em funções, ontem, em conferência de imprensa: "A culpa foi da intensidade da chuva." Ou seja, se Jacques de La Palice governasse São Paulo desde 1987 não teria uma explicação melhor do que a dos sucessivos responsáveis: a culpa das cheias é da chuva.

LIXO E MÁ CONSTRUÇÃO Quatro meses depois de ter garantido que a cidade estava preparada para elas, Kassab culpa as chuvas. As chuvas de Verão atacam invariável e impiedosamente na primeira metade de Janeiro o Sudeste brasileiro (que inclui os estados de São Paulo e Rio de Janeiro) com ligeiras diferenças de ano para ano - os números de 2011 estão, até ver, dentro da média. Mas além das causas naturais da tragédia, há as humanas: o lixo acumulado nos rios das cidades (Tietê e Pinheiros, no caso de São Paulo) e a construção desenfreada e frágil nas zonas mais pobres (leste, norte e sul, no caso de São Paulo). Geraldo Alckmin, governador do estado, anunciou agora a utilização de 60 camiões de lavagem de ruas e a limpeza de 3,6 milhões de metros cúbicos dos rios, medidas integradas num investimento de 800 milhões de reais (perto de 400 milhões de euros) em obras de infra-estruturas. Parte delas, no entanto, só ficam prontas a partir de 2012.

A DIMENSÃO DOS ESTRAGOS Nas últimas madrugadas, especialmente na do dia 10 para o dia 11 de Janeiro, as chuvas diluvianas que caíram na maior metrópole do Brasil, São Paulo, provocaram a morte de 21 pessoas, entre a cidade e as regiões limítrofes, em consequência de 125 enchentes e de 30 desabamentos registados até ao início da tarde de ontem. Os estragos materiais são por enquanto incalculáveis - fala-se em 50 mil desalojados em todo o país - enquanto dados simbólicos como "40 toneladas de melancia destruídas" vão invadindo, a conta-gotas, os noticiários paulistas e brasileiros.

CALAMIDADE NO RIO Entre os outros pontos do Brasil, a região serrana do estado do Rio de Janeiro é sem dúvida a mais afectada. Em Teresópolis foi decretado estado de calamidade pública e já há 800 homens da Defesa Civil a tentar localizar desaparecidos e dois abrigos para 1200 pessoas estão prontos a receber desalojados. Os números oficiais em todo o estado apontam para 96 mortes e o governador Sérgio Cabral já pediu mesmo o apoio da Marinha brasileira. Em alguns pontos do estado só se pode chegar de helicóptero e aqui, ao contrário de São Paulo, a previsão é de que a chuva vai continuar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Gbabo confessa-se à euronews: não saio

Entrevista


EXCLUSIVO – Laurent Gbagbo defende recontagem dos votos
A Costa do Marfim está à beira da guerra civil. A ONU teme violências étnicas. Laurent Gbagbo não quer deixar o poder. Considera ter ganho as eleições presidenciais de Novembro, apoiando-se no veredicto do Conselho Constitucional.

A comunidade internacional contesta a legitimidade de Gbabo e considera que Alassane Ouattara é o novo presidente do país.
Em Abidjan para a euronews, Laurent Gbagbo aceitou explicar, em exclusivo, o braço de ferro que causou a crise no país e a apreensão no mundo. (Tradução Maria João Carvalho)

François Chignac, euronews – Há pouco mais de um mês, a Comissão Eleitoral independente anunciou que o seu adversário, Alassane Ouattara, ganhou as eleições presidenciais da Costa do Marfim. Alguns dias depois, o Conselho Constitucional legitimou a sua presidência. Hoje, a Costa do Marfim enfrenta uma das piores crises dos últimos tempos. Em que ponto estamos?

Laurent Gbagbo, presidente em exercício – O que é preciso compreender bem é que o resultado é ilegítimo, proclamado fora de prazo por alguém que não tinha o direito de o proclamar, é a isso que o Ocidente se agarra. O Conselho Constitucional deliberou e deu os resultados. É uma instituição reconhecida, proclamou eleito o novo presidente, que sou eu. Não querem sequer ouvir falar nisso. Sai do âmbito do direito, não é direito. É apenas a vontade dos poderosos de impôr outra pessoa. Não estou de acordo.

euronews:
A União Europeia contesta a sua legitimidade.

Laurent Gbagbo:
A União Europeia segue a França. Nas relações entre as grandes potências, cada um tem a sua zona de influência. E quando se trata de países francófonos da África negra, quando a França fala, todos os outros a seguem. A França interfere da pior maneira. Todas as resoluções feitas sobre a Costa do Marfim, na ONU, têm rascunho escrito pela França. É a França que escreve o esboço. Contestámo-lo várias vezes, mas somos um país pequeno. Não somos uma potência nuclear, não temos o direito de veto, nem sequer estamos no Conselho de segurança.

euronews:
O seu adversário, Alassane Ouattara, formou um governo, nomeou embaixadores que foram reconhecidos. O embaixador nomeado por Outtara em França foi reconhecido.

Laurent Gbagbo:
Mas a França está errada. Sou eu que digo: a França está errada.

euronews:
Passou 30 anos na oposição, Laurent Gbagbo. Tem uma longa carreira política. Nicolas Sarkozy dá-lhe um ultimato. Que responde ao chefe de Estado francês?

Laurent Gbagbo:
É inaceitável que um chefe de Estado, sob o pretexto de ser de um país mais poderoso do que outro, apresente um ultimato ao chefe de Estado de outro país. Não é possível.

euronews:
Os opositores dizem que o senhor não é um democrata, é um ditador, que fez um hold up eleitoral.

Laurent Gbagbo:
Quando …

euronews: que fez uma negação da democracia nas últimas semanas, que lhes responde?
Laurent Gbabo:
Que não estão bem colocados para falar sobre isso porque estão entricheirados no Hotel do Golfe (Ouattara e o governo). Estavam do lado do partido único, quando nós lutávamos pelo multipartidarismo. . Ouattara, Bédier (candidato na primeira volta)… queriam tanto matar o sistema multipartidário que estive na prisão durante o governo de Ouattara (que foi primeiro-ministro na década de 90).

euronews:
Laurent Gbagbo, estaria disposto a sacrificar-se pelos marfinenses para legitimar a visão de democracia.

Laurent Gbagbo:
Não é uma questão de sacrificar a Costa do Marfim, é uma questão mundial…

euronews:
Mas nós estamos no limite de tudo. A situação é tensa no país …

Laurent Gbagbo:
Esta não é a primeira vez que a a situação está tensa na Costa do Marfim.

euronews:
Não vai deixar o poder?

Laurent Gbagbo:
Oiça, eu fui eleito. Deve falar com aqueles que não foram eleitos.

euronews:
Se a comunidade internacional continuar a pressionar, nas próximas semanas, não vai deixar o poder?

Laurent Gbagbo:
Mas porque iriam continuar as pressões? É injusto.

euronews:
Há violência nas ruas. Se as atrocidades continuam, de ambas as partes, deixa o cargo?

Laurent Gbagbo:
Por quem? E há uma pergunta que quero fazer, e que as pessoas não costumam equacionar. Mesmo se já a seguir eu disser que deixo o poder, quem pode garantir que isso trará a paz? E que não vai provocar violências ainda maiores do que as que esperamos?

euronews:
E se a Comunidade Económica da África Ocidental intervir?

Laurent Gbagbo:
faria mal …

euronews:
e se os jovens marfinenses se opuserem aos militares da CEDEAO, abandonaria o poder?

Laurent Gbagbo:
Logo verei. E então anunciarei a decisão. Mas não está na agenda, por agora. O que importa agora é a discussão. Por isso discutimos. E pergunto porque é que as pessoas que pretendem ter ganho contra mim não querem voltar ao essencial e recontar os boletins de voto. Só peço isso. Que as pessoas venham para revermos as eleições.

euronews:
Então acusa os adversários de serem a fonte dos problemas na segunda volta das eleições.

Laurent Gbagbo:
Claro. Não é verdade que, nessas regiões, abusaram, violaram as mulheres que iam votar Gbagbo? É uma questão central.

euronews:
E quando o representante dos Direitos Humanos na ONU o estigmatiza e lhe aponta o dedo, o que responde?

Laurent Gbagbo:
É outro problema. É outro problema a que eu quero responder bem. Qual é o problema na Costa do Marfim? Ou seja, foram realizadas eleições. É preciso saber quem as ganhou. Esta é a fonte do problema. Eu digo que ganhei porque as instituições, que têm a responsabilidade de dizer quem ganhou, atribuiram-me a vitória. Os outros dizem outra coisa. Dizem outra coisa qualquer, mas sem base legal.
Então, como é habitual nestes casos, não têm argumentos sobre o fundo da questão, ou seja, quem ganhou as eleições e invocam os direitos do homem.
Em 2000, quando fui eleito, foi igual. Inventaram as valas comuns e culparam-me de mortes inexistentes. Pedi uma investigação judicial e houve um processo. Os polícias acusados foram absolvidos.

euronews:
As forças da ONU são imparciais na Costa do Marfim?

Laurent Gbagbo:
Já não são imparciais.

euronews:
Desde quando?

Laurent Gbagbo:
Desde as últimas eleições. Porque nós considerávamo-la uma força imparcial, digamos em 2003/2004. Mas, desde o momento que o líder …

euronews:
Que o coloca directamente em causa …

Laurent Gbagbo:
Que eu coloco directamente em causa. Acho que as pessoas da ONU devem ser mais sábias.
Sabem muito bem que os responsabilizamos pela escalada da tensão, sabem muito bem que o Governo da Costa do Marfim pediu para partirem. Disse às pessoas para não os apressarem, pedimos a saída diplomaticamente e é diplomaticamente que a vamos obter. Mas é preciso que sejam mais sábios. Quando as pessoas que vêm do exterior se querem impor por serem mais fortes, o resultado é este.

euronews:
Então, a Costa do Marfim e Laurent Gbagbo são vítimas do exterior?

Laurent Gbagbo:
Disse, no início da minha campanha, que a população tinha a escolha entre um candidato para a Costa do Marfim e um candidato para o estrangeiro. É isso. Parece carricatural, mas é realidade.

euronews:
Vamos ter de passar por um banho de sangue?

Laurent Gbagbo:
Eu não quero, estou a tentar evitar que aconteça.

euronews:
Mas não pode evitá-la?

Laurent Gbagbo:
Não acredito, de todo, que haja guerra civil. Mas, obviamente, se as pressões continuarem, acabam por nos empurrar para o confronto.

Copyright © 2011 euronews

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

UE e Estados Unidos sabiam da vida dupla de Thaçi

(para a euronews)  
Hashim Thaçi só vai ter 24 horas para saborear a vitória do PDK nas primeiras eleições legislativas desde a independência do Kosovo, proclamada em 2008.
Segundo o relatório do Conselho da Europa, o primeiro-ministro kosovar é um chefe mafioso, o que dá a entender que a União Europeia e os Estados Unidos  privilegiaram a estabilidade e não a justiça, durante uma década.
 
As alegações contra Thaçi remontam a crimes do pós-guerra, de 1999, quando a NATO passou a controlar a antiga província sérvia.
  
Hashim Thaçi nasceu na região de Dranica, estudou na Suíça e tornou-se a seguir num dos comandantes do UCK, exército de libertação do Kosovo, que apareceu em 1997.
 
Esteve nas negociações fracassadas com a Sérvia, em Rambouillet, France, no princípio de 1999. Sem acordo entre as partes, acabaram por dar origem à intervenção da NATO no Kosovo e aos bombardeamentos na Sérvia.
 
O relatório do tempo da guerra retratava Thaçi como um chefe mafioso à frente de um grupo envolvido em assassínios, tráfico de orgãos e de drogas. No fim da guerra Thaci formou o Partido Democrata do Kosovo (PDK), em que a maioria dos membros transitou do UCK.
 
A primeira pessoa a denunciar o alegado envolvimento de Thaçi no tráfico de orgãos foi Carla Del Ponte. Em 2008, a antiga procuradora do TPI para a ex-Jugoslávia publicou no livro "La Caccia" (A Caça) que, depois da guerra, o UCK raptou 300 sérvios do Kosovo e transportou-os para a aldeia de Gurre, na Albânia.
 
 
Nesta casa terão sido tirados os orgãos antes da execução dos prisioneiros. Os orgãos iam depois para o estrangeiro pelo aeroporto de Rinas.
 
A Human Rights Watch enviou uma carta ao primeiro-ministro Thaçi, em 2008, a solicitar-lhe a abetura de um inquérito, devido à gravidade dos factos denunciados por Carla Del Ponte.
 
 
A ministra da Justiça, Nekuibe Kelmendi, rejeitou as alegações, e afirmou que eram "fabricadas".