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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Portugal visto por António Lobo Antunes - magnífico texto

Portugal visto por 
António Lobo Antunes



Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida.

Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos.

Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estoico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão.

O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal.
Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver:
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo
que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores, que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente  indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram. Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito.
Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis.

Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair.

Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de  D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.

Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca.

Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.

Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa.
Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar?

O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
António Lobo Antunes

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Whisky mais caro do mundo é engarrafado em Portugal


Vista Alegre engarrafa o whisky mais caro do mundo

Em Alcobaça, a unidade fabril da Vista Alegre Atlantis concretizou um contrato histórico com a prestigiada destilaria escocesa Dalmore, que visava a produção das três garrafas de cristal que contêm o mais caro e raro whisky do mundo - o Trinitas 64.
 
O mesmo consiste num malte escocês excecional cujo preço de venda ao público ronda os 145 mil euros, numa edição limitada a apenas três  exemplares. A bebida inédita resulta de uma combinação única de vintages espirituosos das colheitas de 1868, 1878, 1926 e 1939, sendo adicionado um toque final com o vintage de 1940.
 

Cada uma das três produções deste precioso malte foi armazenada num frasco de cristal português de alta qualidade, no qual foi incrustado o símbolo em prata da Destilaria Dalmore – o veado.
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A pureza e a qualidade do cristal luso produzido pela Vista Alegre Atlantis conquistaram a confiança da empresa escocesa, que acabou por deixar aos portugueses também a produção de 200 frascos de edição limitada do whisky Dalmore Aurora 45 - um malte raro da colheita de 1964, cujo preço de venda ascende aos seis mil euros.
 

"O cristal português da Vista Alegre Atlantis é reconhecido internacionalmente como um dos mais puros e cristalinos do mundo", conta Nuno Barra, Diretor de Marketing e Design Externo da Vista Alegre Atlantis, em comunicado enviado ao Boas Notícias.

"Os portugueses podem não ter a noção disto, mas somos um player destacado no mercado exterior no setor do cristal. O nosso maior cartão-de-visita materializa-se no saber ancestral dos nossos mestres vidreiros, incansáveis na procura da perfeição dos produtos que esculpem manualmente, e na qualidade e profissionalismo da resposta produtiva e comercial do Grupo Vista Alegre Atlantis, reconhecida em todo o mundo", acrescenta.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Só faltava

Só faltava mesmo a moção de censura para que gastássemos mais uns cobres e mudassem as figuras do xadrez. Ou o governo convida uns notáveis do PS para a coligação, género governo de salvação nacional, ou estamos em crise aberta e profunda. Não me conformo com a falta de bom senso dos políticos (deviam passar a metade, é verdade, e serem apenas servidores do bem comum). Seguro não tem sentido de Estado - critica para abater, como uma varina no mercado (que me desculpem as senhoras com os seus pregões)...Passos convidou Relvas para vender Portugal a Angola - portanto está riscado. Gostava de ouvir os Mais Velhos, os que vêm de trás e têm obra feita. Género Conclave de Portugal. Nada dos que fugiram para branqueamento da imagem em altos cargos, temos vários, nem vale a pena nomear...mas a Fundação da Capital da Cultura foi um exemplo gritante.
E depois há os mestres de obras CEO's das grandes empresas públicas e privadas da política que, depois de silenciados os escândalos, anunciam o regresso.
Portanto, Jorge Coelho, Teixeira dos Santos, Sócrates (não é o da honrosa cicuta)...vão todos voltar.
Ainda não passou pela cabeça de ninguém ir procurar os 4 mil milhões de euros que faltam aos banqueiros que colocaram dinheiro do BPN nas ilhas Caimão e outros paraísos fiscais.
Tenho imensa pena, porque Portugal é o meu amado país. Sem timoneiro, lindo, com gente boa e louca, mas ingovernável, como disse o mensageiro de César Augusto ao chegar á Lusitânia.

Quanto ao anunciado comentador ex-primeiro Pinóquio do país:
Pedro Silva Pereira, ex-assessor de Sócrates, acha normal o regresso do "engenheiro/filósofo", que nem vai regressar à política nacional...
tem todos os seus direitos, à liberdade de expressão.
O povo português também tem todo o direito que a corrupção dos políticos seja penalizada, legislada.

Portanto, entreguem a legislação aos membros do parlamento e não a gabinetes de advogados que tecem buraquinhos na teia da lei para que os poderosos, do passado, presente, e futuro, jamais sejam julgados.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pobre país sem lei, nem eira nem beira...

Em relação ao meu post de ontem, nem de propósito: na pausa de almoço fui a casa e "zappei" a tv enquanto fazia o almoço. A pobre mulher de um condenado a 23 anos de prisão por ter morto o pai (na sequência das desavenças em partilhas) falava do estigma que sofre, com toda a família, em Vila Verde, Chaves. Depois de um bocadinho, para minha surpresa, a "entrevistadora" Júlia não lhe perguntava nada sobre o recurso ou sobre o processo...não...só o espetáculo da desgraça de quem sofre "a prisão do lado de fora".
Pois, por aquilo que ouvi, Carlos e Isabel queixaram-se repetidamente à GNR e à PJ de violência doméstica e ameaças de morte por parte do irmão e do pai (cunhado e sogro da mulher do réu), no tempo que durou a contenda familiar e antecedeu o drama.
Numa das situações, Carlos sofreu, pelas mãos do irmão - vários ferimentos causados por arma branca; noutra situação a GNR apreendeu várias armas de fogo ao pai. 
Nada disto serviu de atenuante perante o magistrado que condenou Carlos a uma pena de prisão de 23 anos na sequência de novo ataque do pai, quando vinha do campo com uma foice na mão e, a quente, se defendeu e, surpreendido viu o atacante cair a sangrar.
Não compreendo. Por mais voltas que dê, não compreendo como é que múltiplas queixas de violência doméstica comprovadas não servem de atenuante num caso evidente de autodefesa.
É assim que vão terminar todos os casos de violência doméstica em Portugal enquanto os congeges ou filhos dos legisladores não sofrerem na pele o mesmo estigma? A mesma violência?
Pobre do meu país...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O estado da justiça (na Figueira e em Portugal)

Que a crise afeta tudo, é um dado adquirido. Mas que o Estado português imponha aos magistrados a libertação de assaltantes toxicodependentes sem tratamento (que roubam diariamente para a dose), gangues de ciganos com cadastro, "mitras", menores, fugidos à escola e às famílias" que servem de batedores aos ladrões, etc...é uma violação das mais elementares normas de segurança. 
É também uma frustração para os agentes que arriscam diariamente a vida para os apresentar no tribunal, com as devidas provas ou apanhados em flagrante delito.
Não cabe na cabeça do mais irresponsável legislador que um meliante que encoste uma arma à cabeça de uma jovem (no segundo assalto da semana), seja libertado pela segunda vez com a obrigação de se apresentar à polícia todas as semanas. Se ele vai a tribunal duas vezes por semana, para que raio deve apresentar-se na esquadra?
As pessoas sáo obrigadas a vender o ouro por causa das necessidades financeiras, sim, mas também porque não o podem usar como outrora. É isso ou fechá-lo num cofre do banco.
Sera que se eu fizer uma arma de defesa com álcool e malaguetas, um gás pimenta caseiro para atrapalhar os meliantes e lhes bater com uma tranca na cabeça terei que indemnizar alguém? Responder em tribunal? Serei presa?
Claro que isto só se passa em Portugal. Aqui em Ecully, Lyon, há câmaras de vigilância em todos os postes de luz e -desde que não seja apanhada por um gangue em peso, não há ladrão que se atreva a ser identificado na rua.Há coisas piores, é certo, radicais salafistas que fazem uns estágios no Iémen e na Somália para estarem a postos para colocar umas bombas quando a ordem vier. São 400 ativos e uns 20 mil adormecidos...
Mas o que me choca em Portugal, e na Figueira da Foz em particular, é que, com os assaltos que tem havido diariamente, com as marcas de garrafas vazias, escritos nas caixas de eletricidade e camisolas penduradas nos portões, a polícia se abstenha de prender os vigias antes dos assaltos por saber que o tribunal, alegremente e como se nada fosse, os solta. Assim como liberta violadores e pedófilos durante a eternidade em que se sucedem os recursos dos processos, e enquanto recolhem as provas dos abusadores, já condenados por violência doméstica, para prolongar por mais de um ano, a instrução de processos que, em muitos casos não se chegam a julgar por causa da morte anunciada das vítimas.
O estado da justiça em Portugal é lamentável e tem de ser levado ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, já que os sucessivos governos acham que não é politicamente correto construirem prisões ou manterem os corrécios dentro, mas consideram aceitável manter pedófilos condenados a mais de uma dezena de anos com uma bracelete, em casa e em festas mundanas a dar entrevistas...e até consideram aceitável nem sequer os condenarem a penas pesadas de detenção.
A Figueira tem sido uma montra do inexplicável laxismo das autoridades portuguesas. Não há fechadura nem corrente que vede a entrada aos vadios do sistema. Não há ameaça não há proteção. E é tempo que alguém decida resolver o problema, é tempo que os cidadãos invoquem o direito à cidadania, se reunam, exijam a proteção que lhes é devida, se entreajudem clamando pela responsabilidade dos eleitos a quem mandataram para gerir a autarquia, a região, o país.
Caso contrário as coisas vão acabar muito mal.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Crónica de Manuel António Pina - EP

Reproduzo, pelo interesse público da má ou boa gestao da coisa pública


Casualidade, causalidade


Talvez tenha visto mal mas não me apercebi de que, como vem sendo feito na Net, algum jornal se tenha ainda interrogado sobre a sucessão de três notícias em pouco mais de dois meses que, isoladas, talvez só tivessem lugar nas páginas de Economia mas que, juntas, e com um director ou um chefe de redacção curiosos de acasos, até poderiam ter sido manchete.

A primeira, de 16 de Março, a da renúncia - dois anos antes do termo do seu mandato - de Almerindo Marques à presidência da Estradas de Portugal (para que fora nomeado em 2007 pelo então ministro Mário Lino), declarando ao DE que "no essencial, est[ava] feito o [s]eu trabalho de gestão".

A segunda, de 11 de Maio, a de uma auditoria do Tribunal de Contas à Estradas de Portugal, revelando que, com a renegociação de contratos, a dívida do Estado às concessionárias das SCUT passara de 178 milhões para 10 mil milhões de euros em rendas fixas, dos quais mais de metade (5 400 milhões) coubera ao consórcio Ascendi, liderada pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo. Mais: que dessa renegociação resultara que o Estado receberá, este ano, 250 milhões de portagens das SCUT e pagará... 650 milhões em rendas.

E a terceira, de há poucos dias, a de que Almerindo Marques irá liderar a "Opway", construtora do Grupo Espírito Santo.

O mais certo, porém, é que tais notícias não tenham nada a ver umas com as outras, que a sua sucessão seja casual e não causal.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desabafo - dívida francesa

E se os alemães se entretivessem com os franceses, que estão com um défice orçamental de 27 mil milhões de euros e têm uma dívida pública de 1.250 mil milhões de euros? Hipócritas, cínicos todos (alemães, franceses e europeístas) ...deixem os periféricos em paz...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Crise em Portugal: já não há volta a dar

Veja aqui  
A crise portuguesa atingiu o ponto sem retorno no dia 23 de março, quando o Parlamento recusou apoiar um quarto plano de austeridade. José Sócrates, chefe do governo socialista, sem maioria, teve de se demitir. 
 
A única saída para esta crise política é a celebração de eleições antecipadas. O presidente, Anibal Cavaco Silva, dissolveu o Parlamento o 31 de março.
 
Em menos de um ano, os portugueses tiveram de digerir três planos de austeridade.
 
Desde a greve geral de 24 de novembro, a mais importante na história do país, as paralisações são frequentes, principalmente no setor dos transportes.
 
A amplitude da crise social evidencia-se a 12 de março. Na rua, dezenas de milhares de jovens portugueses protestam contra a precariedade, desesperados por causa da falta de emprego, nomeadamente dos jovens licenciados.
 
O desemprego aumenta e o país volta a entrar em recessão: - 0,1% do PIB em 2011 segundo a OCDE. As medidas de austeridade, entre elas o aumento do IVA e os cortes salariais acabaram por minar o frágil crescimento, de 1,4% em 2010.
  
Mas com um déficit de 8,6%... Portugal comprometeu-se com Bruxelas a reduzí-lo
para 4,6% em 2011
 3% em 2012
e 2% em 2013
 
Compromissos que não tranquilizaram os mercados financeiros, que pedem índices cada vez mais elevados para comprar a dívida soberana portuguesa, para cima de 10% para as emissões a longo prazo.
 
As tesourarias das empresas públicas esvaziam-se, algumas não têm liquidez para pagar aos trabalhadores depois de junho.
 
Os bancos portugueses também não conseguem financiar-se no mercado interbancário, e já não podem dar crédito ao Estado.
   
"Nós estamos numa situação em que os bancos estão a sair prejudicados, naturalmente não podem conceder mais crédito às empresas públicas e ao Estado nas condições atuais".
  
Portugal tem dois prazos iminentes de pagamento da dívida:
 
A 15 de abril tem de reembolsar 4,252 mil milhões de euros, e dois meses depois, 4,899 mil milhões de euros.
  
Portugal acabou por pedir ajuda, mas as incertezas políticas pesam já sobre as eleições de junho. Segundo as sondagens, nenhum partido vai obter a maioria necessária para governar sozinho.
 

quinta-feira, 31 de março de 2011

Violadores em liberdade, menina na morgue

O DN de 29 do mês que finda trazia, na página 18, uma notícia com o título "Menina abusada por 10 homens morre em clínica".

Para além da tristeza e do mistério que envolve a sua morte, registo aqui o meu espanto por causa de um dado importante que vem na notícia sobre os 10 violadores que a justiça portuguesa enviou para casa com a legislação socrática para predadores sexuais:

Foi durante 15 meses, de Julho de 2006 a Outubro de 2007, que tudo se passou, como ficou provado em tribunal. A menina de 12 anos, deficiente mental, foi violada por trabalhadores da construção civil, no concelho de Vila Franca, na ilha de S. Miguel, nos Açores. Cinco dos homens foram condenados a penas de prisão que variam de 4 a 6 anos, por ter ficado provado que concretizaram a cópula e tiveram sexo oral com a criança. Os outros cinco foram igualmente condenados, mas com pena suspensa. Três foram absolvidos e outro foi considerado inimputável.

Bem, quando chegamos a esta fase da leitura, já nos estamos a perguntar como é que ninguém ainda foi ao rabinho do legislador ou lhe violou um(a) filho(a).

Os homens acusados de praticarem atos sexuais com menor, que tinha problemas do foro mental (não esquecer), tinham entre 20 e 80 anos e molestaram a menina nas obras de uma urbanização.

Não vou entrar nos pormenores sórdidos, mas o estado da nossa justiça é tão mau que, depois da sentença idiota, entre 4 e 6 anos, alguns advogados ainda tiveram a lata de anunciar que iam recorrer da sentença. E, atenção, porque nenhum está a cumprir prisão.

Das duas uma: ou estavam, eles próprios, convencidos da injustiça para com a vítima e queriam mais uns anos de prisão para os clientes fazerem um bom retiro espiritual, ou deviam ir fazer um estágio sobre deontologia e ética.

Porque é absolutamente indecente que os violadores, em Portugal, aguardem os recursos em liberdade, depois da condenação a prisão efetiva. Eu tenho de explicar isso aos meus camaradas de trabalho numa redação internacional, tenho de repetir a explicação do que se passa com o processo Casa Pia a cada vez que sai uma notícia...e ninguém entende. Expliquem a um russo, a um inglês, a um francês....tentem explicar como é que um violador é condenado como um ladrãozeco de terceira categoria...

Como uma desgraça nunca vem só, a menina morreu no hospital, já com 16 anos, esvaída em sangue, num hospital de Lisboa. Estava institucionalizada.

Resta-me lembrar aqui a Ópera do Malandro de Chico Buarco e "Geni e o Zepelim"
http://www.youtube.com/watch?v=jsB--twZgng

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Cartão de Cidadão

No portal do Cidadão está o enquadramento do que é o cartão de cidadão e para que serve. Verifica-se que é publicidade enganosa, pois um número ainda indeterminado de eleitores não conseguiu votar nas presidenciais ou teve "de andar de Herodes para Pilatos". O Executivo de Sócrates, tão brilhante nestes socratex's e simplex's vai indemnizar os cidadãos? Como será que vai reparar isto?

"O Cartão de Cidadão é um documento de cidadania.
Como documento físico, permite ao cidadão identificar-se presencialmente de forma segura.
Como documento tecnológico, permite-lhe identificar-se perante serviços informatizados e autenticar documentos electrónicos.

O Cartão de Cidadão é um projecto dinamizador da modernização da Administração Pública.

Na sua dimensão agregadora, junta num só documento as chaves indispensáveis ao relacionamento rápido e eficaz dos cidadãos com diferentes serviços públicos.

O Cartão de Cidadão é um projecto amigo do desenvolvimento tecnológico.
Na sua vertente digital, promove o desenvolvimento das transacções electrónicas dando-lhes a segurança da autenticação forte e da assinatura electrónica."