quinta-feira, 23 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Orelhas vs corninhos!
Tenho-me esquecido de assinalar a minha posição em relação ao gesto de Pinho: o ministro desesperou com as repetições do interlocutor comunista! Ele não fez corninhos...mas sim orelhas de burro!!!Orelhas de burro!!!!
Portugal e a 1/a lei europeia contra dávida dos homossexuais
Parece que o governo português quer interditar a dávida de sangue dos homossexuais. É chocante, extremista e horroroso. Quer dizer que não analisam o sangue de quem faz a dávida e tem comportamentos de risco? E que depois marginalizam uma faixa da sociedade por pruridos e preconceitos?
E a dávida dos adolescentes inconsequemtes que deixam a borrachinha para outras viagens e se "amandam" de cornos contra o destino? E a das prostitutas e dos frequentadores das prostitutas, pais de família, que acasalam com as mães dos filhos há uns 40 anos e depois lhes levam o HIV como recompensa do carinho conjugal?
Que raio de socialismo é este? Nacional-Socialismo?!
E a dávida dos adolescentes inconsequemtes que deixam a borrachinha para outras viagens e se "amandam" de cornos contra o destino? E a das prostitutas e dos frequentadores das prostitutas, pais de família, que acasalam com as mães dos filhos há uns 40 anos e depois lhes levam o HIV como recompensa do carinho conjugal?
Que raio de socialismo é este? Nacional-Socialismo?!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
5 situações e um suplemento
O desafio é simples, consiste em escolher 5 situações da vida para passar em câmara lenta.
Depois, é só passar o desafio a 12 blogs e informá-los.
Ora bem, cá vão as minhas cinco memórias (e suplemento):

1 - - O dia em que percebi que as palavras não reinventavam o mundo, estava com outros miúdos num casamento e disse (como se soubesse o que queria dizer:) "um dia tive um grande plano"... e os outros perguntaram "ai sim? Então conta"... e eu inventei uma história de um cão vagabundo enquanto me consolava com o olhar de admiração dos outros piquenos, inclusivé do meu mano Zé Mau. Não fazia ideia do que era "plano"... mas deu-me muito gozo pronunciar a palavra. No fim da história, não fiquei a saber...
2 - Quando aprendi os caminhos de ferro na segunda classe, fiz uma mochila para ir correr mundo, onde coloquei laranjas. A mochila foi encontrada e sempre que comíamos uma dessas laranjas à refeição o meu pai dizia (para castigo): "E agora vamos comer uma das laranjas que apareceram debaixo da cama da João por obra e graça do Espírito Santo". Ainda me matraca...
3 - O dia em que fui para Coimbra à boleia e depois, em vez de rumar à Figueira fui ver os Genesis a Lisboa. Apanhei um castigo exemplar de internamento em colégio de freiras. Tinha 13 anos. O meu pai foi preso em Caxias por motivos políticos pouco depois.
4 - Quando cobri a minha primeira guerra na ex-Jugoslávia e cheguei a casa, o Zé Mau perguntou-me: "já sabes manobrar uma Kalasnikov?" E abraçou-me e a minha testa mal tocava o seu peito. Quando ele morreu, fui chorar para a igreja do Tarrafal, em Cabo Verde, enquanto as Mamas criolavam o terço.
5 -Quando a Marta nasceu, eu não sabia que ia ter uma menina. Pensava que era um Afonso. Enquanto soluçava porque o riso já não bastava para exprimir tanta alegria, a médica perguntou: "que nome lhe dá?". E eu olhei para a minha mãe Marta, que assistiu ao parto... e não me ocorreu outro nome. Marta, apenas. Nem sequer Marta Afonso.
Suplemento:
Arranjei uma boleia de helicóptero na base da Força Aérea de Luanda para o Kwanza Norte, durante a guerra . Fui sentada em cima de um dos muitos sacos de kwanzas para pagar o salário em atraso, de três meses, aos polícias e militares. Mas tinha uma gastroentrite. Durante o caminho ainda fui abrindo a porta e vomitando... mas à chegada, fui desvairada a correr por um campo fora, para me aliviar, enquanto os médicos histéricos - que esperavam a boleia para regressar a Luanda - faziam sinais e abriam as maletas. Lá percebi: o campo estava todo minado. Cada vez que levantei um pé do capim, para voltar a pousá-lo na terra seca, olhei o céu na esperança de não despoletar nada. Foram cerca de 80 metros que me custaram uns parênteses estranhíssimos na minha vida.
O convite chegou-me pelo Esquissos da Dulce e eu enviei a
http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/
http://my-cam-your-delight.blogspot.com/
http://mentesdespertas.blogspot.com/
http://insensocomum.blogspot.com/
http://paulodamaso.blogspot.com/
http://elvirabistrot.blogspot.com/
http://papelustro.blogspot.com/
amanhã continuo até aos 12, prometo
Depois, é só passar o desafio a 12 blogs e informá-los.
Ora bem, cá vão as minhas cinco memórias (e suplemento):

1 - - O dia em que percebi que as palavras não reinventavam o mundo, estava com outros miúdos num casamento e disse (como se soubesse o que queria dizer:) "um dia tive um grande plano"... e os outros perguntaram "ai sim? Então conta"... e eu inventei uma história de um cão vagabundo enquanto me consolava com o olhar de admiração dos outros piquenos, inclusivé do meu mano Zé Mau. Não fazia ideia do que era "plano"... mas deu-me muito gozo pronunciar a palavra. No fim da história, não fiquei a saber...
2 - Quando aprendi os caminhos de ferro na segunda classe, fiz uma mochila para ir correr mundo, onde coloquei laranjas. A mochila foi encontrada e sempre que comíamos uma dessas laranjas à refeição o meu pai dizia (para castigo): "E agora vamos comer uma das laranjas que apareceram debaixo da cama da João por obra e graça do Espírito Santo". Ainda me matraca...
3 - O dia em que fui para Coimbra à boleia e depois, em vez de rumar à Figueira fui ver os Genesis a Lisboa. Apanhei um castigo exemplar de internamento em colégio de freiras. Tinha 13 anos. O meu pai foi preso em Caxias por motivos políticos pouco depois.
4 - Quando cobri a minha primeira guerra na ex-Jugoslávia e cheguei a casa, o Zé Mau perguntou-me: "já sabes manobrar uma Kalasnikov?" E abraçou-me e a minha testa mal tocava o seu peito. Quando ele morreu, fui chorar para a igreja do Tarrafal, em Cabo Verde, enquanto as Mamas criolavam o terço.
5 -Quando a Marta nasceu, eu não sabia que ia ter uma menina. Pensava que era um Afonso. Enquanto soluçava porque o riso já não bastava para exprimir tanta alegria, a médica perguntou: "que nome lhe dá?". E eu olhei para a minha mãe Marta, que assistiu ao parto... e não me ocorreu outro nome. Marta, apenas. Nem sequer Marta Afonso.
Suplemento:
Arranjei uma boleia de helicóptero na base da Força Aérea de Luanda para o Kwanza Norte, durante a guerra . Fui sentada em cima de um dos muitos sacos de kwanzas para pagar o salário em atraso, de três meses, aos polícias e militares. Mas tinha uma gastroentrite. Durante o caminho ainda fui abrindo a porta e vomitando... mas à chegada, fui desvairada a correr por um campo fora, para me aliviar, enquanto os médicos histéricos - que esperavam a boleia para regressar a Luanda - faziam sinais e abriam as maletas. Lá percebi: o campo estava todo minado. Cada vez que levantei um pé do capim, para voltar a pousá-lo na terra seca, olhei o céu na esperança de não despoletar nada. Foram cerca de 80 metros que me custaram uns parênteses estranhíssimos na minha vida.
O convite chegou-me pelo Esquissos da Dulce e eu enviei a
http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/
http://my-cam-your-delight.blogspot.com/
http://mentesdespertas.blogspot.com/
http://insensocomum.blogspot.com/
http://paulodamaso.blogspot.com/
http://elvirabistrot.blogspot.com/
http://papelustro.blogspot.com/
amanhã continuo até aos 12, prometo
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Justificação
Vejam o cv e perguntem-se....o que faz uma pessoa, com um tal nível, perder as estribeiras e acabar a fazer corninhos aos interlocutores?
....
Curriculum vitae
Doutoramento em Economia, Universidade de Paris X
Licenciatura em Economia, Instituto Superior de Economia e Gestão
Actividade profissional:
1994-2005
Administrador, Banco Espírito Santo, S.A.
Vice-Presidente, BES Investimento, S.A.
Administrador, ESAF, SGPS, S.A.
Administrador BES Finance
Administrador BES Overseas
Presidente da Espírito Santo Research
Membro do Conselho Económico e Social
1992-1994
Director-Geral do Tesouro
Visiting scholar, Stern School, New York University
Presidente, Junta do Crédito Público
Representante do Governo Português junto do Comité Monetário, Bruxelas
Vice-Presidente, Conselho Consultivo da CMVM
Administrador, Banco Europeu de Investimento
Presidente, Comissão de Fiscalização, Caixa Geral de Depósitos
1984-1987
Fundo Monetário Internacional, Staff, Economista, Washington D.C.
1982-1984
Professor na Universidade Católica Portuguesa e no ISEG, Instituto Superior de Economia
Biografia política:
Ministro da Economia e da Inovação do XVII Governo Constitucional a partir de 2005-03-12.
Competências
Ao Ministro da Economia e da Inovação compete a condução de políticas para a dinamização do investimento, inovação e promoção do desenvolvimento económico, a regulamentação, regulação, supervisão da actividade económica e, tutela nos domínios da indústria, da inovação, dos recursos energéticos, do comércio, dos serviços, da defesa do consumidor e do turismo.
Compete igualmente ao Ministro da Economia e da Inovação a definição das políticas da concorrência enquanto mecanismo necessário ao desenvolvimento económico e empresarial, a avaliação, e acompanhamento da execução das medidas daí decorrentes.
É também atribuição do Ministro da Economia e da Inovação a representação de Portugal nas instituições comunitárias e internacionais, através da dinamização da acção do ministério no âmbito do processo de decisão das diferentes instituições.
No exercício das suas funções governativas o Ministro da Economia e da Inovação é coadjuvado pelo Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e Inovação, pelo Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor e pelo Secretário de Estado do Turismo.
..............................................................................
Pois... os interlocutores deixaram-no mesmo fora de si porque eram o bloquista Francisco Louçã e o comunista Bernardino Soares sobre as Minas de Aljustrel.
Está desculpado e aplaudido, mesmo...eh...eh...eles são de fazer perder a paciência a um santo!!!
....
Curriculum vitae
Doutoramento em Economia, Universidade de Paris X
Licenciatura em Economia, Instituto Superior de Economia e Gestão
Actividade profissional:
1994-2005
Administrador, Banco Espírito Santo, S.A.
Vice-Presidente, BES Investimento, S.A.
Administrador, ESAF, SGPS, S.A.
Administrador BES Finance
Administrador BES Overseas
Presidente da Espírito Santo Research
Membro do Conselho Económico e Social
1992-1994
Director-Geral do Tesouro
Visiting scholar, Stern School, New York University
Presidente, Junta do Crédito Público
Representante do Governo Português junto do Comité Monetário, Bruxelas
Vice-Presidente, Conselho Consultivo da CMVM
Administrador, Banco Europeu de Investimento
Presidente, Comissão de Fiscalização, Caixa Geral de Depósitos
1984-1987
Fundo Monetário Internacional, Staff, Economista, Washington D.C.
1982-1984
Professor na Universidade Católica Portuguesa e no ISEG, Instituto Superior de Economia
Biografia política:
Ministro da Economia e da Inovação do XVII Governo Constitucional a partir de 2005-03-12.
Competências
Ao Ministro da Economia e da Inovação compete a condução de políticas para a dinamização do investimento, inovação e promoção do desenvolvimento económico, a regulamentação, regulação, supervisão da actividade económica e, tutela nos domínios da indústria, da inovação, dos recursos energéticos, do comércio, dos serviços, da defesa do consumidor e do turismo.
Compete igualmente ao Ministro da Economia e da Inovação a definição das políticas da concorrência enquanto mecanismo necessário ao desenvolvimento económico e empresarial, a avaliação, e acompanhamento da execução das medidas daí decorrentes.
É também atribuição do Ministro da Economia e da Inovação a representação de Portugal nas instituições comunitárias e internacionais, através da dinamização da acção do ministério no âmbito do processo de decisão das diferentes instituições.
No exercício das suas funções governativas o Ministro da Economia e da Inovação é coadjuvado pelo Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e Inovação, pelo Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor e pelo Secretário de Estado do Turismo.
..............................................................................
Pois... os interlocutores deixaram-no mesmo fora de si porque eram o bloquista Francisco Louçã e o comunista Bernardino Soares sobre as Minas de Aljustrel.
Está desculpado e aplaudido, mesmo...eh...eh...eles são de fazer perder a paciência a um santo!!!
terça-feira, 30 de junho de 2009
Artigo de MST - 5 estrelas
Recebi este email anonimo...mas a Mafaldinha corrigiu e dá o seu a seu dono: Miguel Sousa Tavares:
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
ainda Michael Jackson

Acho que fui um pouco dura no post anterior no que respeita a Michael Jackson: ele vai ser lembrado como superestrela, nem mais nem menos. Mas como pessoa, era apenas um garoto perdido que queria partir o espelho em que, em vez de se ver a si, via o pai. Tanto se operou que acabou aquele monstrinho irreconhecível e, de certo, a depender de muitos medicamentos. Daqui a três semanas ia voltar aos palcos. Morreu já durante os ensaios, e talvez por isso mesmo.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
a semana
...............

Isto é que tem sido um tempo de convulsões, dramas e acontecimentos e desacontecimenos da política mundial e nacional!
O que se passa no Irão é dramático. Porque, para reprimir a expressão, não só dos jovens mas já de uma grande parte da sociedade, o governo recorre os esbirros do Conselho dos Guardiães, os basaji - milicianos voluntários melhor armados que do que quaisquer outras forças, mas que vestem à civil e se tentam misturar com as pessoas. Passaram rapidamente das ameaças às mulheres que colocam mal o shador aos tiros com balas que explodem, de armas que estiveram proibidas pela Convenção de Genebra mas que foram usadas por todos em todas as guerras. A AK 47 chinesa ou jugoslava tanto foi usada em Sarajevo, durante o embargo de armas da ONU na guerra dos Balcãs,como na guerra civil de Angola e em muitos mais conflitos. As balas são grandes, enormes, e fazem um estrago doido dentro do corpo humano. Foi assim que mataram Neda, a jovem mártir que se tornou em ícone dos protestos dos iranianos no Irão e na diáspora iraniana.
Os basiji são o género de civis radicais e violentos que houve em Cuba ou no Brasil em tempos de violência criminal para matar as crianças da rua ou pessoas com ideias de abertura política.
São eles que vão atrás dos manifestantes, porta a porta, lhes tiram os telemóveis e lhes batem... e os fazem desaparecer dos hospitais para local incerto. Não há números correctos de mortes, mas há centenas de pais que procuram os filhos, segundo a última grande repórter francesa a deixar o terreno, antes do correspodente da BBC )sem credenciais, confinados ao hotel em que estavam.

E depois de todas as declarações dos líderes mundiais, quando respirávamos o ar de outros ventos, a nossa realidadezinha acorda-nos, brutal: a PT ia comprar 30 por cento da TVI. Camaradas de trabalho começaram a fazer inquéritos por email: achas que este é o meio de Sócrates calar a Manela e o Moniz? Admites? Que fazemos? E tanto eu como outros lembrámos em todos os Media e todos os meios que Sócrates afirmou, há 5 anos, que o Governo já tinha um serviço público e por isso não faria sentido controlar os meios de comunicação social adquirindo outras participações. Os políticos levantaram a voz e (passe de mágico) Sócrates fez a incrível declaração de que "o Governo não aprova a compra da PT"! Ora, então...porque é que a PT andou a divulgar isso e a criar polémicas? Claro que sabia

mas - milagre da santa ignorância -acredita que os portugueses vão aceitar que ele alegue "desconhecimento total da operação". Que lata...para salvar a pele, "a imagem" - como disse Ferreira Leite. E sim, também, para calar as críticas de Nuno Melo e Louçã (que parvos, levantarem a lebre assim em tempo pré-eleitoral!...)
Portanto, descansemos todos ... até à próxima argolada: o governo não vai controlar indirectamente a linha editorial da televisão privada.
Ao mesmo tempo a bela e lutadora Farah Fawcet
e o excêntrico Peter Pan da música Michael Jackson morriam.
Hoje, todos lembram o Rei das Vendas na Pop, o pai da "moon walk dancing" o genial artista de Thriller. As famílias que receberam dinheiro de Jackson, na altura do julgamento por abuso sexual de menores, para não testemunharem, e os demais indemnizados, também se lembram.

Isto é que tem sido um tempo de convulsões, dramas e acontecimentos e desacontecimenos da política mundial e nacional!
O que se passa no Irão é dramático. Porque, para reprimir a expressão, não só dos jovens mas já de uma grande parte da sociedade, o governo recorre os esbirros do Conselho dos Guardiães, os basaji - milicianos voluntários melhor armados que do que quaisquer outras forças, mas que vestem à civil e se tentam misturar com as pessoas. Passaram rapidamente das ameaças às mulheres que colocam mal o shador aos tiros com balas que explodem, de armas que estiveram proibidas pela Convenção de Genebra mas que foram usadas por todos em todas as guerras. A AK 47 chinesa ou jugoslava tanto foi usada em Sarajevo, durante o embargo de armas da ONU na guerra dos Balcãs,como na guerra civil de Angola e em muitos mais conflitos. As balas são grandes, enormes, e fazem um estrago doido dentro do corpo humano. Foi assim que mataram Neda, a jovem mártir que se tornou em ícone dos protestos dos iranianos no Irão e na diáspora iraniana.
Os basiji são o género de civis radicais e violentos que houve em Cuba ou no Brasil em tempos de violência criminal para matar as crianças da rua ou pessoas com ideias de abertura política.
São eles que vão atrás dos manifestantes, porta a porta, lhes tiram os telemóveis e lhes batem... e os fazem desaparecer dos hospitais para local incerto. Não há números correctos de mortes, mas há centenas de pais que procuram os filhos, segundo a última grande repórter francesa a deixar o terreno, antes do correspodente da BBC )sem credenciais, confinados ao hotel em que estavam.

E depois de todas as declarações dos líderes mundiais, quando respirávamos o ar de outros ventos, a nossa realidadezinha acorda-nos, brutal: a PT ia comprar 30 por cento da TVI. Camaradas de trabalho começaram a fazer inquéritos por email: achas que este é o meio de Sócrates calar a Manela e o Moniz? Admites? Que fazemos? E tanto eu como outros lembrámos em todos os Media e todos os meios que Sócrates afirmou, há 5 anos, que o Governo já tinha um serviço público e por isso não faria sentido controlar os meios de comunicação social adquirindo outras participações. Os políticos levantaram a voz e (passe de mágico) Sócrates fez a incrível declaração de que "o Governo não aprova a compra da PT"! Ora, então...porque é que a PT andou a divulgar isso e a criar polémicas? Claro que sabia

mas - milagre da santa ignorância -acredita que os portugueses vão aceitar que ele alegue "desconhecimento total da operação". Que lata...para salvar a pele, "a imagem" - como disse Ferreira Leite. E sim, também, para calar as críticas de Nuno Melo e Louçã (que parvos, levantarem a lebre assim em tempo pré-eleitoral!...)
Portanto, descansemos todos ... até à próxima argolada: o governo não vai controlar indirectamente a linha editorial da televisão privada.
Ao mesmo tempo a bela e lutadora Farah Fawcet

e o excêntrico Peter Pan da música Michael Jackson morriam.
Hoje, todos lembram o Rei das Vendas na Pop, o pai da "moon walk dancing" o genial artista de Thriller. As famílias que receberam dinheiro de Jackson, na altura do julgamento por abuso sexual de menores, para não testemunharem, e os demais indemnizados, também se lembram.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Abaixo os Isaltinos de Portugal
Nem quero acreditar bem no que ouvi. Isaltino de Morais, autarca português em julgamento por corrupção, terá sido citado pela acusação numa frase dirigida ao sobrinho que que lhe negava "dar mais dinheiro para droga". Questionado pela jornalista, à saída da audiência, retorquiu-lhe: "se a senhora se apresentar com um penteado não tão bonito como hoje e sem maquilhagem está sujeita a que alguém diga que parece uma drogada, não é? Mas eu nunca disse isso, ninguém pode dizer que me ouviu dizer isto...".
Bem...se eu não tivesse visto e ouvido não acreditava. "Senhores ouvintes..."- diria o meu amigo Jorge Perestrelo...como descem os que deviam representar os eleitores e enriquecem à parva, ainda por cima, perdendo o respeito, perdendo a noção dos mais básicos princípios de boa educação!
Abaixo os Isaltinos de Portugal.
ps: há escutas telefónicas que provam que Isaltino Morais depositava dinheiro ilícito (300 mil euros) na conta do sobrinho toxicodependente. O sobrinho e a mulher foram acusados pelo tribunal por falsas declarações por negarem essa toxicodependência.
Bem...se eu não tivesse visto e ouvido não acreditava. "Senhores ouvintes..."- diria o meu amigo Jorge Perestrelo...como descem os que deviam representar os eleitores e enriquecem à parva, ainda por cima, perdendo o respeito, perdendo a noção dos mais básicos princípios de boa educação!
Abaixo os Isaltinos de Portugal.
ps: há escutas telefónicas que provam que Isaltino Morais depositava dinheiro ilícito (300 mil euros) na conta do sobrinho toxicodependente. O sobrinho e a mulher foram acusados pelo tribunal por falsas declarações por negarem essa toxicodependência.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Os pragmáticos Berlusconi e Khadaffi
fiz para a euronews mas pode ir lendo aqui
Acordo histórico entre Itália e Líbia
O coronel Khadaffi levou consigo a fotografia do maior herói nacional da Líbia para que se siga em frente nas relações bilaterais com Itália sem esquecer o passado. Omar al Mokhtar é símbolo da resistência líbia contra o ocupante italiano.
Uma resistência armada, de guerrilha, que vai liderar desde as primeiras horas da ocupação italiana em 1911, até à sua detenção em 1931. Três dias depois foi julgado, numa audiência de 1:15 h e condenado à morte.
Até ao fim da ocupação, em 1942, os italianos mataram mais de 100 mil líbios.
Mohamar Khadaffi não só aceitou as desculpas oficiais da antiga potência colonialista como conseguiu fazer um acordo histórico em termos económicos e políticos.
A Itália vai investir cinco mil milhões de euros nos próximos 25 anos em infraestruturas, - nomeadamente no sector da habitação e em autoestradas na Líbia.
A Líbia garante à Itália um acesso privilegiado aos recursos naturais do país, que já fornece 25 por cento do petróleo e 33 por cento do gás consumidos em Itália. Também se compromete a ajudar a Itália a conter a imigração clandestina.
Em 2008, cerca de 37 mil clandestinos desembarcaram em Itália vindos de toda a África, mas utilizando a Líbia como ponto de partida. Um número que subiu 75 por cento em relação ao ano anterior.
Até agora, o argumento da Líbia para deixar passar clandestinos era a falta de meios...mas a Itália ofereceu quatro navios de patrulha na semana passada para que a Líbia aceite patrulhas mistas nas águas territoriais.
O único problema é que a Líbia não é signatária do acordo de Genebra.
Para assegurar os direitos dos refugiados, António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, e um representante da Suécia (que detém a presidencia da União Europeia a partir de Julho) estão a preparar uma visita à Líbia com vista à construção de uma base no país.
O acordo não fica por aqui. É que os petrodólares líbios estão em jogo, nomeadamente através do acesso da ex-potência colonial às riquezas naturais líbias. A Itália é o primeiro cliente e primeiro fornecedor da Líbia, apesar dos rancores do passado. O pacto entre os pragmáticos Berlusconi e Khadaffi é um bom negócio para ambas as partes,
criticado por alguns líbios que ainda vêem as relações como neocolonialistas.
Acordo histórico entre Itália e Líbia
O coronel Khadaffi levou consigo a fotografia do maior herói nacional da Líbia para que se siga em frente nas relações bilaterais com Itália sem esquecer o passado. Omar al Mokhtar é símbolo da resistência líbia contra o ocupante italiano.
Uma resistência armada, de guerrilha, que vai liderar desde as primeiras horas da ocupação italiana em 1911, até à sua detenção em 1931. Três dias depois foi julgado, numa audiência de 1:15 h e condenado à morte.
Até ao fim da ocupação, em 1942, os italianos mataram mais de 100 mil líbios.
Mohamar Khadaffi não só aceitou as desculpas oficiais da antiga potência colonialista como conseguiu fazer um acordo histórico em termos económicos e políticos.
A Itália vai investir cinco mil milhões de euros nos próximos 25 anos em infraestruturas, - nomeadamente no sector da habitação e em autoestradas na Líbia.
A Líbia garante à Itália um acesso privilegiado aos recursos naturais do país, que já fornece 25 por cento do petróleo e 33 por cento do gás consumidos em Itália. Também se compromete a ajudar a Itália a conter a imigração clandestina.
Em 2008, cerca de 37 mil clandestinos desembarcaram em Itália vindos de toda a África, mas utilizando a Líbia como ponto de partida. Um número que subiu 75 por cento em relação ao ano anterior.
Até agora, o argumento da Líbia para deixar passar clandestinos era a falta de meios...mas a Itália ofereceu quatro navios de patrulha na semana passada para que a Líbia aceite patrulhas mistas nas águas territoriais.
O único problema é que a Líbia não é signatária do acordo de Genebra.
Para assegurar os direitos dos refugiados, António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, e um representante da Suécia (que detém a presidencia da União Europeia a partir de Julho) estão a preparar uma visita à Líbia com vista à construção de uma base no país.
O acordo não fica por aqui. É que os petrodólares líbios estão em jogo, nomeadamente através do acesso da ex-potência colonial às riquezas naturais líbias. A Itália é o primeiro cliente e primeiro fornecedor da Líbia, apesar dos rancores do passado. O pacto entre os pragmáticos Berlusconi e Khadaffi é um bom negócio para ambas as partes,
criticado por alguns líbios que ainda vêem as relações como neocolonialistas.
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