sábado, 23 de janeiro de 2016

Os Queimados - cont.

Fora do grupo,  algumas  mulheres isolam-se, invariavelmente, para se coçarem . A cicatrização, durante este tempo cinzento e pesado, provoca uma inconsciência que leva ao rasgar da pele, ao arracar das ligaduras para chegar com as unhas aos agrafos que ainda arrepanham este cordão de lamúrias - só as pontas dos dedos estão à vista ... as luvas de tecido compressivo tolhem as mãos. E durante este julho opressivo de tempestades diárias, as enfermeiras distribuem folhetos informativos, para fazer face à canicula. Talvez em memória dos cerca de 15 000 idosos mortos de sede. na solidão absoluta do verão de 2013.
Aqui, o calor não assusta os queimados; são todos peritos em conseguir a melhor aragem para evitar esse ardor da pele que fere com agulhas invisíveis. Mas há uma frágil dama para quem tudo é mais dificil. O seu rosto não ficou deformado pelas chamas, está apenas ligeiramente manchado a vermelho. O cabelo, que pintava cor de violino, está cada vez mais cinzento escuro, e branco. Pequenina, elegante como uma "teenager", com um tom de voz entre o de Melanie Griffith e o de uma qualquer princesinha muito mimada. Chora quando lhe perguntam o que aconteceu. Não quer lembrar. O seu corpo queimado está envolto em compressivos, mas ela arranja umas roupas divertidas e irreverentes, que ainda surpreendem mais quem a olha e ouve com atenção. À porta do seu quarto foi afixado um alerta aos enfermeiros, para se protegerem, colocarem as luvas e tudo o mais que é obrigatório para fazer os pensos e o que ali se usa só para entrar. A menina-grande tem um germe num braço, que impede  cicatrização; no entanto, as vizinhas do corredor beijam-na e mimam-na como a uma bonequinha (que aqui é), sem temer o contágio. Num destes fins de semana, obteve autorização para visitar os filhos, já adultos. Veio tão contente, tão sorridente que parecia cantar enquanto falava. Num outo dia, fez uma festa de despedida à sua fisioterapeuta e convidou alguns  outros clínicos e pacientes para mostrar o quanto essa profissional a ajudou. Comeram-se bolinhos da Córsega com sumo de manga e de maracujá.

No quarto ao lado, há uma senhora de idade que, em janeiro, deste Ano da Graça de Deus de 2004, adormeceu a fumar, numa salinha de um hospital psiquiátrico, onde repousava - já devia estar medicada para dormir, nesse trágico momento, mas não confirma. Não havia vigilância; só quando as labaredas ativaram o alarme ela foi socorrida. É um daqueles casos em que as mãos ficam muito  afetadas. Todo o corpo recupera, salvo "o pescoço e dois dedos que lhe fazem muito falta", como ela diz. Vai ter alta dentro de pouco tempo, sem saber o que fará de seguida quanto às suas limitações. O marido visita-a, ao domingo, e ela põe os seus brincos de ouro e os aneis mais bonitos. Coloca um pouco de maquilhagem e tenta sorrir, no pequeno bar da instituição, que fecha às 17:00 horas. Mas os dedos não enganam: esgravatam entre a roupa e o seu fato de telas elásticas que apertam as camadas enxertadas de pele, como a todos os queimados, durante 18 meses. Num frenesim diabólico, percorrem a nuca e o peito, levantam mesmo a manga compressiva, para chegar a um dos braços. O marido, e os amigos que passam, já a avisaram, sem convicção, de que faz muito mal, deve parar de se coçar. Deixou de fumar como muitas das pessoas afetadas pelo fogo (a nicotina é a principal causa de rejeição do transplante de pele). A coceira (da pele alheia, que não se aninha como pele viva) não lhe está a deixar marcas, como ela mostra, vaidosa.
Na sala em frente do bar, jogam-se cartas, damas, dominó, triminó e mesmo xadrez. Não há nenhum "ponto de internet" para os pacientes; há uma  ergoterapeuta, Heléne, que oferece o uso do seu computador aos pacientes que têm a sorte de a conhecer para lho pedir. Um computador velho, a um canto da sala de convivio, serve para jogar solitário ou tetriz. Em dia de serão, até pouco depois das 21:00 horas, distribuiem-se as letras de músicas francesas conhecidas, para assim afinar a alma dos solitários que, a custo, são arracados aos quartos. 
Os queimados aproximam-se mais, mas também uma jovem mãe que ficou perdida num labirinto sem memória, depois de um acidente rodoviário. Está numa cadeira de rodas, de onde o corpo descai e pende para terceiros - até para se vestir. Vai a casa e, quando regressa, perguntam-lhe pela filha pequena e ela, invariavelmente, devolve a pergunta: "Filha, qual filha?" .  A sua memória recente ficou entre as chapas retorcidas do automóvel, no acidente. Mas, apontando-lhe os refrões, tenta cantar e distribui sorrisos de criança palos camaradas de infortúnio.

Já deve ter partido a mulher mais rara e solitária de L'Argentière. Quando foi internada, em janeiro, tinha um braço e uma perna paralisados, e pesava 30 quilos. Bebia. Durante os meses de reeducação, nos tempos livres, carregava um saco cheio de jornais, revistas e livros, correndo todos os bancos do jardim onde batia o sol. Bronzeadíssima, perto da negritude, vestiu sempre jeans e t-shirt branca. Fazia palavras cruzadas durante horas. Pouco mais se lhe ouviu do que uma resposta a um bom dia, exceptuando o momento em que uma recém chegada demostrou algum interesse e carinho, e ela, então, contou o que lhe ia na alma: a dor de ter um neto que não conhecia, o disparate que era a sua vida, a loucura total, a bebedeira até ao vazio, até à paralisia.

Os doentes das diferentes alas só se encontram no jardim. Ao domingo, os grupos de visitantes são olhados de revés pelos que não tem familia ou amigos... ou os têm tão longe que não podem vir. 
O avô do jovem universitário mais concentrado na sua recuperação (até por estar em piores condições) vem visitá-lo de quando em quando. Viaja de Clermont-Ferrant. Olha o neto com os mesmos olhos azuis, brilhantes de entusiasmo, alampando-se à vida como se esta fosse a rocha da eternidade. Imaginamos como teriam sido as orelhas do jovem, observando o desenho das orelhas do avô, que parece o Paul Newman e não precisa de usar chapéu de marca  desportiva para tapar uma cabeça deformada pelas cicatrizes. O neto também não, porque o seu sorriso faz desaparecer qualquer outra impressão ... mas raramente sorri. E só tira o boné para.... "nim".
Faça sol ou faça chuva, venha quem vier ou esteja quem estiver, há um drama a completar, por não se conseguir fazer entender uma sofredora argelina, a quem o fogo matou um filho e queimou os outos dois. Os vizinhos discutiam e o marido da amiga de baixo vazou um jerrycan de gasolina na sala de casa e ateou o fogo, com a  mulher e os filhos lá dentro. Fechou a porta e saiu (já está preso). A mulher, que está aqui, vivia no andar de cima, saiu e regressou várias vezes àquele braseiro para salvar as crianças, as suas e as da outra. Mas o filho que deu o alarme deixou de respirar nos seus braços. 
A fortuna não sorri a esta mulher tanto como à argelina que aqui compra anéis de ouro aos comerciantes da desgraça, que mercam ao fim de semana, e que vai voltar a refazer a pele do queixo. A  argentina  exprime-se em tão mau françês que, por mais que se tente ajudar para que desabafe, o diálogo torna-se impossivel, mas ninguém chamou psicólogos argentinos, por maior que fosse a sua dúbia fortuna. 
Por acaso, quando veio um paciente italiano, (um camionista acidentado e queimado nas estradas de França), uma outra paciente e uma enfermeira compreenderam-no. 
Mas ao fundo da memória da boa samaritana ninguém chega para arrancar o seu menino dos braços, enquanto as filhas sozinhas, recuperam noutro além: talvez até já estejam em casa de familiares ... uma coisa se conclui facilmente da história desta desgraçada, queimada da cabeça aos pés: é que o marido se desinteressou completamente do seu destino. Por isso, passa o tempo sentada à sombra de uma árvore ou deitada no seu quanto, sempre com a porta aberta ... talvez esperando uma mão, que na sua mão magoada, espalhe pó de estrelas de um novo astral.  Há dias em que grita ao telefone, em árabe, e todos acabam por a amaldiçoar... mas é sol de pouca dura ... basta-lhe este labirinto para acender mais lume nos olhos negros, pois, na sua alma triste, sempre desculpa o mal que os outros lhe fazem. Não há  atividade em que participe por causa da barreira da língua e do luto do coração. Arranha-se até fazer sangue, e não vale a pena dizer-lhe nada; só a fisioterapia a apazigua e a mudança de pensos das sua feridas na carne. 
Carne que a outros o fogo comeu e reduziu à reconstrução possivel com pele de uma perna, da barriga ou de um banco de pele. A amnésia apagou tudo o que envolveu o pânico, neste caso. As chamas do forno apagagram-se com acumulação de impurezas nos bicos do gás. Ao abrir o forno, com um cigarro aceso, colaram-se-lhe labaredas ao pijama - foi outra que deixou de fumar - portuguesa. 
Uma outra francesa, casada com um português, com um filho bombeiro, no Algarve, queimou-se quando fazia uma quirche no forno, que retirou ainda liquida, a ferver, e a desiquilibrou no colo, de cócoras. o que a fez cair, entornando o fervente produto. Não percebeu  a gravidade das queimaduras e só recorreu ao hospital passados 3 ou 4 dias, a pôr vaselina à superfície - a pele continuava a queimar em profundidade, devagarinho até ao insuportável: 3º Grau. Dias depois da sua chegada, o segundo filho, que vivia com ela, teve um acidente de mota e vai ter de amputar um dedo. Aqui, logo a animaram: um dedo anelar não é assim tão importante. A sua cabeça cheia de caracois e os seus olhos verdes farão com que as meninas apenas sintam as mãos e lhe mergulhem no coração com votos de alma..

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Os Queimados

Escrevi um livro, na ânsia de registo na recuperação, e depois, horrorizada com o que escrevi, deitei fora computador e disco rígido....quando me dei conta do que fizera, era tarde.
Mas, 12 anos depois, recupero, nas pastas da minha malograda irmã, pintora Patrícia de Medeiros, morta em 2011, um excerto da página 6 à 21. E vou transcrevê-lo. Vale a pena. São muitas histórias e vivências do absurdo que merecem ser relidas. A partir de amanhã, aqui.

Fica a primeira das reencontradas páginas (a sexta), ao fim de um parágrafo:

horas por dia numa cadeira de rodas - e confessou-o a uma outra, que já vai em quatro anos do mesmo meio de locomoção. Disse-lhe para guardar segredo, não se importava que a amada não se pudesse deslocar... ele empurraria a cadeira ou levá-la-ia ao colo.
Um casal jovem que por aí anda, depois de suscitar todas as dúvidas - não se sabia onde o rapaz dormia - acabou por ser aceite pelo pessoal médico, que arranjou um quarto nas imediações ao enamorado. Ele ficou sempre até depois do jantar e depois do fim de todas as visitas. Fumava erva com a sua companheira. A ela, o fumo não impediu as melhoras e, rapidamente, passou da cadeira de rodas para a muleta (mas não era queimada, recuperava de uma operação a uma perna, na sequência de um acidente rodoviário).
O jardim parece uma feira: coxos e manetas jogam a petanca e alguns queimados jogam badmington e ping pong. Poucos estão no seu perfeito juízo. O batalhão de psicólogos e psiquiatras realiza-se aqui, em plenitude.. Não é por acaso que Sainte- Foy-l'Argentière foi hospital militar de veteranos da I e II Guerras. A propriedade de 18 hectares foi oferta de um nobre para um colégio feminino na metade do século XIII. Em 1273, o nobre Damoiseau Aymont de Coise consagra uma parte dos bens à construção.
No tempo de Napoleão, 1804, um seu sobrinho, monge, fez dele um seminário (correu com as raparigas) e fez dele um seminário. Com a separação da Igreja e do Estado, e dos seus bens, a República apropriou-se de l'Argentière. à francesa.

Não é importante referir os nomes dos que aqui chegam e partem.
Chegam envoltos em faixas, como múmias arrancadas à morte e, depois, com o passar dos dias, vão surgindo com novos moldes plásticos nos rostos atormentados.. Os 'garagistas' do lugar autoclamam-se "Robocop's", a si e aos outros. Se entristecem um pouco mais, e se escondem no parque, passam a ser 'fantasmas'. São vários.
Depois do jantar, às 19horas, mesmo com chuva, há encontro tácito, marcado no jardim. Vêm alguns dos paraplégicos de outras alas, por outras causas, e trocam graçolas de mau gosto.
Algumas raparigas retiram os autocolantes de nicotina para deixarem de fumar e pedem cigarros. Trocam os NTB da farmácia (nem tabaco nem nicotina) por Marlboro, Camel, qualquer tabaco ou erva para enrolar em mortalhas que nunca faltam. Sabem que atrasam a cicatrização das suas chagas.
Uma das mais belas e originais é uma vietnamita que, há quatro anos, vive limitada à sua cadeira de rodas verde, depois de múltiplos transplantes num calcanhar que não cicatriza por não deixar de fumar. Os médicos fornecem tudo o que ajude ao fim do vício. Mas, no auge do desespero, ela arranca os "patchs" redondos que lhe marcam os braços e enebria-se com o primeiro cigarro que alguém lhe der. Aqui, o tabaco é como a droga. Lá fora, incitam-se os jovens com oferta de algumas gramas, para que se tornem clientes mais tarde. Aqui, dão-se cigarros por pura maldade, para não se descarnar sozinho. Por isso, aos que partem cedo deste círculo vicioso, não se olha o rasto, diz-se um bom dia . como quem atropela um gato - sempre é um felino com magestade.

continua.

domingo, 15 de novembro de 2015

Mundo perdido em Paris

Se as lágrimas do povo caiem
as balas do terror abatem
os gritos dos feridos sufocam
com tiros e loucura no ar
a ferida profunda alarga
logo que a memória abala
com a lógica do medo que mata.

Há corações que desfazem
horizontes dos que vêem
quem luta pelos que agem
morrendo até se perderem
neste mar que nos separa
e une numa tragédia
no coração, na lanterna
do amor que ilumina as cidades.

Cara de anjo, relatam 
sobre um dos assassinos da esperança
15 anos? 18? Que importa?
Um em oito que entram e matam.

O luto rasga uma esperança
que a dor dos outros amansa
e nos impulsiona ao teatro
das operações de chegada
no migratório calvário
dos exilados da vida
do conforto e da mentira
dos sonhadores e  mercadores 
de sangue fresco  
à nossa porta de entrada.

E agora? 
Damos pés a quem os perdeu? 
E mãos a quem nâo as tem? 
Melodia a quem se foi
a caminho do além?
Um copo a quem não bebeu
se atirou ao chão e temeu
a angústia que nos tomou
como um aviso do céu?

Nada....silêncio e nada.
Uma fada pega nas almas
os técnicos nos restos de seres
as filas dos que fogem da guerra
estancam à ordem das bestas.

No país da flor de lis
no coração de Paris
o mundo perde outra vez.


                                                É a minha humilde homenagem às vítimas em Paris e aos  exilados da guerra

sábado, 14 de novembro de 2015

Boa noite, Paris, boa noite, Mundo!

É hora de dizer boa noite. Boa noite aos meus camaradas e amigos, em Paris. Boa noite aos sobreviventes, que não vão dormir por causa dos flashs dos acontecimentos com que o cérebro humano nos brinda, depois de súbitas situações de gravidade extrema e dos odores que não sentiram ainda, mas vão ser interiorizados e ressentidos daqui uns dias - a mente é lixada. Ao amigo do jovem Alexander, que tem a mão meio decepada - ainda não sabemos se foi amputado - aos desaparecidos (por identificar)....que devem estar no caminho da eternidade que se conquista com a morte e se interrompe com a vida...Boa noite aos técnicos forenses, aos médicos e demais pessoal dos serviços de emergência médica, que começam o turno da loucura, do peso do inimaginável. Boa noite aos bombeiros, aos condutores de viaturas funerárias, aos taxistas e motoristas do Uber e Drive, que ofereceram os seus serviços gratuitos aos fugitivos do horror. Boa noite aos residentes, que abriram a porta de suas casas a dezenas, muitas dezenas de pessoas em desespero. Boa noite, Paris. Boa noite, Mundo.

O Tempo está sempre contra os reféns



Rescaldo da sexta-feira negra em Paris/ comunicado do EI/ISIS/DAESH

O jogo amigável entre a França e a Alemanha, na sexta-feira 13 mais negra da história europeia rececente, transformou-se, com o desencadear do pânico devido às explosões que se ouviram e à apressada saída, do estádio, do presidente francês e do vice-chanceler alemão. A vaga de pânico provocou vítimas e, no exterior ficava o cadáver mutilado de um dos kamikazes.
A tragédia podia ter sido enorme, pois milhares de pessoas estavam no estádio.

Na sala de espetáculos do Bataclan eram 1500. Foram feitas reféns, e os sobreviventes que conseguiram chegar a um compartimento junto às escadas do palco e fecharem-se, tiveram de sair sobre os cadáveres dos que não conseguiram entrar e se esconderam sob os degraus do palco. O condo terrorista abateu-os indiscriminadamente, aos gritos de "Pela Síria" e "Allah Akba".  

Uma viatura em movimento, semeou o terror nas esplanadas do restaurante "Pequeno Camboja" e outros, com os atacantes a visarem os clientes, que, em pânico se atiravam para o chão e se tentavam esconder debaixo das mesas. O suficiente para aparecerem já algumas descrições dos suspeitos em fuga.

Enquanto se desenrolavam os acontecimentos, os reféns do estádio imploravam, chorando, informação telefónica pois ficaram todos sem acesso à internet, durante algum tempo.A maior crítica foi a falta de informação no estádio e o tempo que Hollande demorou a dirigir-se à Nação.

França resolveu abafar a informação sobre os fugitivos e declarou que "os terroristas foram todos abatidos", o que é falso: os agressores, em movimento, não foram encontrados apesar do anúncio de medidas e fecho de fronteiras. O correspondente da RTP, Esteves Martins passou, tranquilamente, da Bélgica a França, Bruxelas-Paris, sem qualquer controlo.

Muitos tweets com informação não oficial foram desaparecendo, à medida que eram publicados. A segurança está a cercear, mesmo, a liberdade. Como dizia Benjamim Franklin, há dois séculos, "se, para impôr a segurança temos de sacrificar a liberdade, não merecemos nem a liberdade nem a segurança". Está a acontecer.

A região de Rhones/Alpes está em estado de prevenção máxima, em torno das centrais nucleares e termo-elétricas,, do Centro de Investigação de vírus da ONU, onde trabalham agentes das Nações Unidas de 150 nacionalidades - igual ao PK4 de Atlanta - e das Escolas e Universidades Internacionais. A INTERPOL está a colaborar profundamente para a detenção de jihadistas localizados.

O alegado Estado Islâmico apelou aos "Irmãos" para sairem à rua com as suas armas e utilizarem todos os meios para matar "cruzados", nomeadamente o veneno para a água e alimentos. Essa informação foi censurada. 

Mas há um comunicado a circular, que abaixo transcrevo.*

Também Londres está em pé de guerra, depois da apreensão de material suspeito no metro e compara o horror de Londres ao que se viveu em Bombaim, com diversos bombistas de um comando a entrar pelos hoteis e a atirar contra tudo e contra todos. Cameron afirmou-se solidário, falou em francês, ao assumi-lo.... porque "estão a atacar pessoas que trabalharam toda a semana e descontraiam merecidamente, numa sexta à noite, como todos nós fazemos". Admitiu que devem estar ingleses entre as vitimas e fez desta uma causa franco-saxónica, de britânicos e franceses.









quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quem é quem, institucionalmente, em Angola

Em Angola há muito que praticam a austeridade.
Por exemplo, não gastam dinheiro com Conselho de Ministros – reúnem-se ao fim de semana em almoços familiares. 
A prova: 
1. Ministro das Finanças: Carlos Lopes, marido da irmã da primeira-dama Ana Paula dos Santos. 
p3. Vice-Presidente da República: Manuel Vicente, enteado da falecida irmã do presidente José Eduardo dos Santos. 
4. Secretário de Estado para a Habitação: Joaquim Silvestre, irmão da primeira-dama Ana Paulo dos Santos. 
5. Secretária do Presidente para Assuntos Particulares: Avelina dosSantos, sobrinha do Presidente José Eduardo dos Santos, filha do seu irmão Avelino dos Santos. 
6. Administrador dos Fundo Soberano: Zenu dos Santos, filho do José Eduardo dos Santos. 
7. Secretário-geral da Casa Militar: Catarino dos Santos sobrinho de José Eduardo dos Santos, filho do seu irmão Avelino dos Santos. 
8. Presidente do Conselho de Administração da EPAL: Leonildo Ceita, primo da primeira-dama. 
9. Presidente do Conselho de Administração da ENANA: Manuel Ceita, primo da primeira-dama Ana Paula dos Santos. 
10. Presidente do Conselho de Administração do Banco de Comercio e Industria (BCI): Filomeno Ceita, primo da primeira-dama. 
11. Director do Instituto Nacional de Estatística: Camilo Ceita, primo da primeira- dama, Ana Paula dos Santos. 
12. Presidente do Conselho de Administração da MECANAGRO, da GESTERRA e presidente da Federação Angolana de Hóquei em patins: Carlos Alberto Jaime Calabeto, sobrinho/primo do presidente José Eduardodos Santos. 
13. Governador do BNA – Banco Nacional de Angola: José Massano, amigo pessoal e ex-colega de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardodos Santos. 




14. Vice-governador do BNA: Ricardo de Abreu, compadre e amigo pessoal de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos. 
15. Ministra de Comércio: Rosa Pacavira, sobrinha da esposa de Avelinodos Santos, irmão do presidente José Eduardo dos Santos.
16. Administrador da TAAG, Luís dos Santos, irmão do presidente José Eduardo dos Santos. 
17. Presidente do Conselho de Administração da ANIP: Maria Emília Abrantes Milucha, mãe da Tchize e Zé Dú dos Santos (Korean Dú) filhos do presidente José Eduardo dos Santos. 
18. TPA 2 entregue a Semba Comunicações, empresa de Tchize e Korean Dú, filhos de José Eduardo dos Santos. 
19 Presidente do Conselho de Administração da Sonangol: José Francisco de Lemos, primo da primeira-dama Ana Paula dos Santos.
 

11 de novembro...e....

11 de novembro deixou de ser festa: qualquer manifestação pela liberdade de expressão em Angola passou a ser tratada como ingerência diplomática passível de repressão interna e objetivo de ameaças e sanções externas.


11 de novembro, durante o meu internato no Rainha Santa, em Coimbra, foi dia de festa com s minhas camaradas (de camarata), vindas de Angola, Guiné, Moçambique.
Os pais tinham-nas enviado, primeiro, para colégios portugueses, antes de eles próprios "retornarem", tentando prceber como se desenrolava o futuro nas colónias.
Eu, cumpria o castigo de ter ido var os Genesis a Lisboa, sem autorização paternal.
Ainda hoje, são as minhas maiores amigas. Aprendi África da forma mais poética e revolucionária, pelos olhos dessas artistas e cientistas em floração que me ensinavam a música, a liberdade e o pôr do sol com os olhos das adolescentes que éramos...só que elas, sem limites: pé na areia, roupas que desnudavam os ombros e sombras quentes a afoguearem o olhar.
11 de novembro era sempre dia de festa.
A Irmã Dulce, aberta ao nosso mais feroz anarquismo, trazia-nos georpica e nós pintavamos umas faixas negras com slogans em a branco,que atavamos na testa. E tocavamos viola na torre, até de manhã. Cantávamos baladas bascas e galegas da guerra de Franco, e sentíamos-nos livres. A irmã Dulce foi sempre o nosso Anjo dos Açores, e nunca as outras souberam o que fazíamos, quando fugíamos da camarata nesss noites indizíveis.

Muito mas tarde, o 11 de novembro deixou de ser data de festa.

Hoje, é data de independência, apenas.

- Quando é que acaba esta coisa da independência, Patalão? Estamos tão fartos....pergunta um antigo empregado a um dos sobrinhos de Fernando Borges, uma imagem do celeiro de África, a sua reincarnação, que manteve a produução durante a guerra contra a promessa de respeito pelas fronteiras da propriedade....

O Patalão chegou de Angola há muito pouco tempo e reformou-se. A Angola do último ano ia-o mantando. Sobrevive com o amor dos amigos e da família.

11 de novembro deixou de ser festa: qualquer manifestação pela liberdade de expressão em Angola passou a ser tratada como ingerência diplomática passível de represão interna e objetivo de ameaças e sanções externas.

Como o controlo dos Media, em Angola, é eficaz, ouviu-se a absurda acusação de que "os opositores detêm os meios mais eficazes de divulgação mediática" como se isso fosse um pecado....

Neste 11 de novembro também houve um golpe de Estado "palaciano" em Portugal: a aliança mais votada foi impedida de governar pelo partido que ficou em segundo e se foi aliar a partidos com os quais, geneticamente, faz faísca. Tudo pelo poder e nada pela festa. Tudo sem o acordo dos próprios eleitores....

França faz feriado, os Estados Unidos também....porquê? Ninguém percebeu das notícias do dia. Cada vez há mais pedra para partir, conversa de surdos, e menos notícias sobre o mundo em que vivemos.

11 de novembro e eu vesti-me de luto.

Quebrou-se algo doloroso no meu coração.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Síria

 É tão ultrajante a indústria da morte como a indústria da mentira. Os milhares de desaparecidos sírios, desde o início da revolta popular e da oposição, até ao aparecimento dos proselitistas de derivados da Al Qaeda e do EI (que ocuparam a ribalta da revolta internacional), são mortos à fome com torturas inimagináveis (que afinal a ONU conhece há 4 anos) e enterrados em valas comuns de que há fotigrafias de satélite. Pior do que o Holocausto ou do que o genocídio do Ruanda, é viver numa sociedade, tecnologicamente avançada, e deixar prisioneiros de consciência continuarem a morrer de fome e torturas que afetam profundamente os sobreviventes. Desta vez, há um grupo de fugitivos das prisões, sobrevivente das câmaras de tortura, ativo e com fotografias numeradas dos mortos para começar a identificar o espetro dos desaparecidos, A ONU tem de assumir o papel para o qual foi criada. Lá porque a Rússia não quer....que se lixe o Putin: há milhões de pessoas em risco, crianças torturadas, idosos....um horror o tipo de torturas nomeado e descrito, fotografado e divulgado. Não Há desculpa, senhores. O mundo envergonha-se e tem de acolher quem foge de tais monstruosidades. Holocausto e hoje, genocídio outra vez.... o tal que um parvalhão da ONU (em relação ao Ruanda) disse: "NUNCA MAIS".

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Figueira da Foz de luto



A Figueira da Foz está de luto pelos seus pescadores, desaparecidos em condições tão trágicas, aos olhos de todos. Eu estou de luto pela roupagem de inverdades em "catadupa", proferidas no calor do drama, pelas autoridades competentes, pelo silêncio do capitão do Porto, Paulo Jorge Oliveira Inácio em relação aos salva vidas avariados e à barra aberta (com a construção do molhe atravessado, entrar na barra com vento sudoeste é uma possível viragem e naufrágio a cada entrada na barra). Estou de luto pela surdez autárquica às críticas e sugestões sucessivas dos jovens arquitetos e surfistas, pescadores e amantes do mar e da sua costa. Há exemplos do by-pass sugerido, contra a erosão da costa, nos Estados Unidos e Austrália....porque teimam na estupidez com aleivosia e tapam a tragédia tal como tapam mal todos os buracos e remendos da cidade? Há que destruir o mal feito, recuar, recuperar. Por agora, solidarizamos-nos com as famílias. Mas não contem com a desistência dos cidadãos! O Estado tem de ser responsabilizado e obrigado e redimir-se. A nossa costa tem de ser salva. E NUNCA MAIS abram a barra sem salva vidas prontos para acorrerem. A barra estava aberta a barcos com mais de 11 metros. E sim, os homens deviam ter os coletes vestidos e sim muita outra coisa...mas a negligência maior foi de quem devia capitanear o porto e negligenciou a responsabilidade.