Ontem celebrou-se um ano de luto e dor pelo sismo que fez mais de 80 mil mortos na China. Queimar incenso e papel que reproduz dinheiro fazem parte do ritual para lembrar os que ficaram sob as ruínas de Beichuan, a cidade arrazada que foi aberta excepcionalmente para servir de magro consolo aos que choram entes queridos.
O drama de 12 Maio 2008 é inesquecível.
Os pais dos alunos mortos, oficialmente 5.335, e na maioria filhos únicos, duvidam da fatalidade. Têm surgido acusações de má construção dos edifícios públicos, nomeadamente as escolas.
Zhu Wenxiu, Earthquake, mãe pesarosa, queixa-se:
"No ano que passou, todos os dias pensei no que terá acontecido. Não consegui trabalhar, não consegui ir a lado algum. Todas as noites, ao fechar os olhos, pensei no meu filho. Às vezes fico a chorar, a gritar até ser madrugada ."
As escolas ruiram às centenas, como em Beichuan. Fontes não oficiais referem 9000 mortos entre alunos e professores. Os pais denunciam negligências e contrafacções que se tornaram evidentes com o sismo.
Alojada provisoriamente, Mu Cuipin perdeu o filho único no liceu de Beichuan.
"Aceitamos que o sismo tenha uma parte de responsabilidade na destruição, mas gostávamos de saber a proporção de metal e cimento que foi aplicada nos cinco edifícios escolares. Mas o governo não faz isso por nós".
O sismo também provocou ferimentos em 300 mil pessoas, a maior parte, agricultores pobres. No centro de reabilitação da Cruz Vermelha em Deyang, 300 mutilados beneficiaram de próteses gratuitas, como Fu Cangyan, que estava a trabalhar na quinta quando foi apanhada pelo terramoto.
"Claro que é difícil, mas tenho de ser corajosa e enfrentar os desafios. As pessoas aqui incitam-me eeu tenho de fazer por ir em frente. Ninguém o pode fazer por mim."
É preciso coragem para refazer a vida e recontruir uma casa. O sismo provocou cinco milhões de desalojados. Muitas zonas afectadas estão isoladas pelas autoridades e muitos cadáveres ficaram soterrados.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Os bons e os maus de Mário Crespo
Com a devida vénia, reproduzo aqui o texto do mário Crespo:
Os bons e os maus
10h29m
Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais. Não havendo legislação censória está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência. O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas. Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem". Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores. Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.
Mário Crespo
Os bons e os maus
10h29m
Já há mais jornalistas a contas com a justiça por causa do Freeport do que houve acusados por causa da queda da ponte de Entre-os-Rios. Isto diz muito sobre a escala de valores de quem nos governa.
Chegar aos 35 anos do 25 de Abril com nove jornalistas processados por notícias ou comentários com que o Chefe do Governo não concorda é um péssimo sinal. O Primeiro-ministro chegou ao absurdo de tentar processar um operador de câmara mostrando que, mais do que tudo, o objectivo deste frenesim litigante é intimidar todos os que trabalham na comunicação social independentemente das suas funções, para que não toquem na matéria proibida. Mas pode haver indícios ainda piores. Se os processos contra jornalistas avançarem mais depressa do que as investigações do Freeport, a mensagem será muito clara. O Estado dá o sinal de que a suspeita de haver membros de um governo passíveis de serem corrompidos tem menos importância do que questões de forma referentes a notícias sobre graves indícios de corrupção. Se isso acontecer é a prova de que o Estado, através do governo, foi capturado por uma filosofia ditatorial com métodos de condicionamento da opinião pública mais eficazes do que a censura no Estado Novo porque actua sob um disfarce de respeito pelas liberdades essenciais. Não havendo legislação censória está a tentar estabelecer-se uma clara distinção entre "bons" e "maus" órgãos de informação com advertências de que os "maus" serão punidos com inclemência. O Primeiro-ministro, nas declarações que transmitiu na TV do Estado, fez isso clara e repetidamente. Pródigo em elogios ad hominem a quem não o critica, crucifica quem transmite notícias que lhe são adversas. Estabeleceu, por exemplo, a diferença entre "bons jornalistas", os que ignoram o Freeport, e os "maus jornalistas" ou mesmo apenas só "os maus", os que o têm noticiado. Porque esses "maus" não são sequer jornalistas disse, quando num exercício de absurdo negou ter processado jornalistas e estar a litigar apenas contra os obreiros dos produtos informativos "travestidos" que o estavam a difamar. E foi num crescendo ameaçador que, na TV do Estado, o Chefe do Governo admoestou urbi et orbi que, por mais gritantes que sejam as dúvidas que persistem, colocar-lhe questões sobre o Freeport é "insultuoso", rematando com um ameaçador "Não é assim que me vencem". Portanto, não estamos face a um processo de apuramento de verdade. Estamos face a um combate entre noticiadores e noticiado, com o noticiado arvorando as armas e o poder que julga ter, a vaticinar uma derrota humilhante e sofrida aos noticiadores. Há um elemento que equivale a uma admissão de culpa do Primeiro-Ministro nas tentativas manipulatórias e de condicionamento brutal da opinião pública: a saída extemporânea de Fernanda Câncio de um painel fixo de debate na TVI sobre a actualidade nacional onde o Freeport tem sido discutido com saudável desassombro, apregoa a intolerância ao contraditório.
Assim, com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril.
Mário Crespo
Repatriação do corpo de jovem portuguesa - acidente de viação

A morte de uma alegada jornalista portuguesa de 26 anos, na Etiópia, onde se encontrava em serviço, está hoje a ter especial atenção na emissão da Rádio da Beira Interior. A morte de Carina Barroca aconteceu a semana passada. Mas só ontem o corpo chegou a Portugal e só agora a notícia é conhecida, pela mão desta estação de rádio.
A notícia tem cortado a emissão matinal da Rádio Beira Interior. Entre a música popular e a voz grave e coloquial do locutor, lançou-se o aviso que hoje, pelas 11h00, se realizava o funeral da jovem de 26 anos, 'jornalista', que morreu na Etiópia.
Segundo a Rádio da Beira Interior adiantou, a morte teria acontecido após 'um ataque à viatura' onde seguia com mais 'jornalistas', nomeadamente um italiano e outro francês. Mas a agência Lusa apurou perante a secretaria de Estado das Comunidades que a morte, a 4 de Maio, ocorreu após um acidente com o carro onde seguiam. O jornalista italiano terá morrido a caminho do hospital e o francês ficou ferido com muita gravidade.
Carina Mateus Barroca trabalhava para o site económico "World Investment News" . Os três jovens profissionais estavam na Etiópia desde finais de Março a preparar uma reportagem sobre a realidade económica do país a publicar na revista "US News & World Report".
Segundo o gabinete do Secretário de Estado das Comunidades, o Governo português tratou da trasladação do corpo, que chegou ontem a Portugal.
"O Governo português acompanhou a situação desde o início, quer com as autoridades, quer junto da família", disse a fonte.
O funeral de Carina Barroca realizou-se hoje, pelas 11h00, na freguesia de Foz do Giraldo, concelho de Oleiros.
...................
Já aqui está news do ethioblog: Ethiopia - Tragic death of two young reporters
Car crash near Hosanna leaves third with severe spinal injuries
By Elias Meseret
It is with great sadness that Capital reports the two tragic deaths, and one severe injury, of a young international team of journalists in a car accident near Hosanna in southern Ethiopia last Sunday.
Portuguese national Carina Barroca died instantly while her Italian colleague, Stephanie Acri, passed away while on the way to hospital in Butajira.
Stanislas de Cabrol, who is French, suffered severe spinal injuries and is being treated at Pompidou Hospital in Paris.
The details of the accident are not known, but all three were thrown from the Suzuki Vitara they were travelling in. It is known that the car needed a tyre repaired when in Arba Minch. Witnesses reported that no other vehicles were involved.
The international team of journalists with World Investment News, which is based in the US, came to Ethiopia a few weeks ago to prepare a special economic report to be published in the American magazine, US News & World Report.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Nomes do Holocausto jamais serão apagados
Papa promete mais envolvimento pela paz na Terra Santa o texto que fiz com base no meu directo para a euronews

A peregrinação e visita pastoral de Bento XVI ao Médio Oriente, teve hoje um ponto alto no esperado discurso no Yad Vashem - memorial oficial de Israel para lembrar os mortos no Holocausto.
Aqui estão gravados os nomes dos seis milhões de vítimas da loucura nazi. Mas "um nome jamais pode ser retirado a um ser humano", defendeu o Sumo Pontífice.
"Enquanto Bispo de Roma e sucessor do Apóstolo Pedro, reafirmo o empenhamento da Igreja a rezar e a trabalhar sem descanso para fazer com que este tipo de ódio não volte a reinar no coração dos homens", prometeu.
O Papa conheceu seis sobreviventes do Holocausto na cerimónia assim como o representante dos Justos entre as Nações, os não judeus que salvaram judeus durante a perseguição .
Até 2008, mais de 22 mil indivíduos foram reconhecidos como Justos.
O diplomata português Aristides de Sousa Mendes, que salvou 10 mil vidas, é um dos Justos lembrados no memorial. Afirmou sempre que "salvar uma vida é salvar o mundo."

A peregrinação e visita pastoral de Bento XVI ao Médio Oriente, teve hoje um ponto alto no esperado discurso no Yad Vashem - memorial oficial de Israel para lembrar os mortos no Holocausto.
Aqui estão gravados os nomes dos seis milhões de vítimas da loucura nazi. Mas "um nome jamais pode ser retirado a um ser humano", defendeu o Sumo Pontífice.
"Enquanto Bispo de Roma e sucessor do Apóstolo Pedro, reafirmo o empenhamento da Igreja a rezar e a trabalhar sem descanso para fazer com que este tipo de ódio não volte a reinar no coração dos homens", prometeu.
O Papa conheceu seis sobreviventes do Holocausto na cerimónia assim como o representante dos Justos entre as Nações, os não judeus que salvaram judeus durante a perseguição .
Até 2008, mais de 22 mil indivíduos foram reconhecidos como Justos.
O diplomata português Aristides de Sousa Mendes, que salvou 10 mil vidas, é um dos Justos lembrados no memorial. Afirmou sempre que "salvar uma vida é salvar o mundo."
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Olhar a Figueira e lembrar Manuel Santos



visite o blog de um grupo de estudantes do secundário da Figueira da Foz. A homenagem a Manuel Santos, as fotos da Figueira antiga....fica aqui o aperitivo....vejam o Figueira Olhar
terça-feira, 5 de maio de 2009
Contra a Matança das Focas Bebé
Abriu a temporada da caça às focas bebé no Canadá. Perdeu-se o senso comum? É normal reincidir na bestialidade? Quis carregar uma foto mas eram todas demasiado sangrentas. Encontrei esta imagem de protesto...sempre me alheio um pouco dos sanguinários seres que satisfazem instintos primários à paulada a estes bebés (mamíferos) maravilhosos.
O Parlamento Europeu proibiu o comércio nos 27 de todos os produtos derivados da foca não provenientes da caça tradicional dos esquimós. Urra!!!

O pelo branco da foca bebé protege-a dos caçadores apenas uns dias... o tempo suficiente para a pelagem ficar prateada. Nessa altura, com uma quinzena de dias, deixa de mamar, a mãe abandona-a e ela fica apto para a caça. Este foi o único limite legal de idade imposto em 1987 no Canadá, devido à pressão dos defensores dos direitos dos animais.
Todos os anos são caçadas mais de 900 mil focas, quase um milhão. 60 por cento no Canadá, na Groenlândia e na Namíbia. A Islândia, a Noruega, a Suécia,a Finlândia, o Reino Unido , a Rússia e os Estados Unidos matam os outros 40 por cento.
A época alta da caça à foca no Canadá é, no fim de Março, no Golfo de São Lourenço, onde os caçadores utilizam o "hakapik" uma picareta muito pesada que mata rapidamente sem estragar a pele.
Mais a norte, na Terranova, os caçadores matam as focas a tiro nas duas primeiras semanas de Abril. A picareta é utilizada em último recurso.
Esta é a maior caça aos mamiferos marinhos do mundo. Todos os anos, o Canadá fixa as quotas de caça. Em 2008 autorizou a matança de 275 mil focas; este anos, 280 mil de uma população de cerca de 5,5 milhões de indivíduos segundo o governo canadiano.
Os produtos derivados da foca são a carne, os ácidos gordos Omega- 3, e apele, que é o mais importante para o mercado sempre em alta das peles na indústria da moda.
Entre os importadores de pele de foca canadiana, os principais são a Noruega, a Alemanha, a Groenlândia e a China. Alguns deles também caçam.
Maria João Carvalho com Beatriz Beiras para a euronews
O Parlamento Europeu proibiu o comércio nos 27 de todos os produtos derivados da foca não provenientes da caça tradicional dos esquimós. Urra!!!

O pelo branco da foca bebé protege-a dos caçadores apenas uns dias... o tempo suficiente para a pelagem ficar prateada. Nessa altura, com uma quinzena de dias, deixa de mamar, a mãe abandona-a e ela fica apto para a caça. Este foi o único limite legal de idade imposto em 1987 no Canadá, devido à pressão dos defensores dos direitos dos animais.
Todos os anos são caçadas mais de 900 mil focas, quase um milhão. 60 por cento no Canadá, na Groenlândia e na Namíbia. A Islândia, a Noruega, a Suécia,a Finlândia, o Reino Unido , a Rússia e os Estados Unidos matam os outros 40 por cento.
A época alta da caça à foca no Canadá é, no fim de Março, no Golfo de São Lourenço, onde os caçadores utilizam o "hakapik" uma picareta muito pesada que mata rapidamente sem estragar a pele.
Mais a norte, na Terranova, os caçadores matam as focas a tiro nas duas primeiras semanas de Abril. A picareta é utilizada em último recurso.
Esta é a maior caça aos mamiferos marinhos do mundo. Todos os anos, o Canadá fixa as quotas de caça. Em 2008 autorizou a matança de 275 mil focas; este anos, 280 mil de uma população de cerca de 5,5 milhões de indivíduos segundo o governo canadiano.
Os produtos derivados da foca são a carne, os ácidos gordos Omega- 3, e apele, que é o mais importante para o mercado sempre em alta das peles na indústria da moda.
Entre os importadores de pele de foca canadiana, os principais são a Noruega, a Alemanha, a Groenlândia e a China. Alguns deles também caçam.
Maria João Carvalho com Beatriz Beiras para a euronews
segunda-feira, 4 de maio de 2009
do arquivo pessoal
João, como me obrigaste a recordar nostalgias antigas à custa de
lágrimas, ofereço-te uma receita de andarilhos, quadrilheiros,
contrabandistas e outros animais agrestes das serras do Minho -
lembra-te do que dizia o Pedro Homem de Melo, pela voz da Amália
Rodrigues : «Fui morrer a Gondarém, terra de contrabandistas, a farda
dos bandoleiros não consinto que ma vistas!».
E precisamente porque ali toda a gente é individualista, porque todos
sabem sobreviver, porque todos têm uma ligação telúrica inata, sabem
fazer uma coisa:
Primeiro, como acho que já te disse uma vez, arranjam uma telha de
meia cana, «pedida» emprestada seja a que telhado fôr;
òsdepois, tirarmdo bolso uma morcela de Santa Marinha do Zêzere, com
cebola e alho estremenho, que dura seis meses metida num tamanco, como
so que comprei na feira de Espinho; a seguir é só tapar as pontas da
telha com galhas de oliveira roubada acima do pó da estrada - sabes
que os carros poluem tudo, né. Acima do pó da estrada são as galhas
que estão viradas para cima, e de preferência para o lado de onde vem
o vento;
ós'pois baisse à «cartucheira» e despeja-se metade do bagaço em cima
da morcela, sabiamente zebrada com o «chino» do Palaçouco, que
qualquer português decente devia sempre transportar enrolado no lenço
de mão, até na urna de boto - o «chino» é uma folhinha de aço de doze
centímetros, afiada dos dois lados, com um cabinho de madeira de seis
centímetros, que corta que se farta mas não se vê num lenço de assoar
e que serve para «'chinar» GNR's, Guardas Fiscais, os da «Venatória»,
«Dulces Pontes», «Delfins» e afins.
Já a «cartucheira» é o que sabemos: o «caga-lume» dos pastores, que se
atesta com o «produto do cú»: a primeira aguardente a ser destilada é
chamada «da cabeça», a redestilada é do «corpo» - é a que se bebe como
bagaço -, a pior das piores, a 60 graus ou mais, é a chamada da
terceira destilação por serpentina de cobre e depósito gota a gota,
mais conhecida por trotil do cú!
Telha, galhas de oliveira, morcela de cebola, trotil: bota-se o fogo!
Há que virar a meia cozedura, por causa do «encrispamento»: a morcela
começa a assobiar!. O petisco larga gordura - o dito cujo «unto» - e a
chama começa a passar de azulada a alaranjada - salvo seja! -, e nessa
altura dá-se a volta à morcela - para mnemónica futura, lembra-te que
quando se trata de morcela sem cebola, é exactamente o contrário -
quando a «coisa» aquece, debe-se é dar a volta à gaja...
Adiante.
Quando as galhas de oliveira estiverem mirradinhas e já andarem a
boiar uns olhinhos de gordura da morcela dentro da telha de meia cana,
há que apagar o fogaredo - mas deixar a morcelaça lá dentro da telha,
que está bom e está quentinho - como na bida, aliás...
O petisco vai embutir o resto dos 60º do trotil, devagarinho, porque
os talhos que lhes fizeram com o «coiso» do Palaçoulo já terão
dilatado - e o calor dilata os «copos», como todos sabemos, né?
Se o tunante do iniciante for homem experiante, terá levado o seu naco
de broa, para aproveitar o «trotil» que vai sobrar, mas que se evapora
rapidamente da telha.
Bute, mãos à obra, rilhar a morceleta! Às fatiinhas, cortadinhas com o
«chino» do Palaçoulo, que ainda dá para ganhar o dia na beira da
estrada.
Dez minutos depois de embutido o petisco, é só ir sentar-se num
cantinho, abrir a carcela e escrever numa caixa de chicletes virada do
avesso : «Feito à mão»! Não há holandesa que resista à «berdadeira
alheira», entesada a morcela de cebola, e ali mesmo à mão, na beirinha
da estrada. Ora, o capítulo do dito cujo «débito conjugal» dos livros
de Direito do meu filho diz que esta prestação é devida à legítima
minhota casada, mas que pode ser prestado em «comodato», mediante
acordo e remuneração. Toma lá!
Entrementes, perdido por dez, perdido por mil, seque-se o resto do que
há na «cartucheira», ou, como diriam os discípulos de Frei Tomás,
«Olhem para o que ele diz, não olhem para o que ele faz».
A turista admira o requinte da genuína alheira nordestina, bem nutrida
pelo sangue da morcela e devidamente desinfectada pelo «trotil» a 60º
- de uso interno, somente - e o pessoal vai ouvindo pipilar os
passarinhos e ver arribar as primeiras andorinhas, quiçá curiosas com
o tamanho das minhocas nesta altura do ano.
A época da lampreia foi murcha, João, de Esposende à Valinha só
apareceram coisas murchas e cabos da Guarda. Entremos na «saison» da
morcela, antes de te ensinar o truque para guardares as alheiras um
ano inteiro no calor do lenho.
É mais ou menos assim: vai-se ao monte apanhar Cavacos, faz um
«luminho» para aquecer, e bota-se a alheira defronte da
chama......................................................................................
e não há quem resista
lágrimas, ofereço-te uma receita de andarilhos, quadrilheiros,
contrabandistas e outros animais agrestes das serras do Minho -
lembra-te do que dizia o Pedro Homem de Melo, pela voz da Amália
Rodrigues : «Fui morrer a Gondarém, terra de contrabandistas, a farda
dos bandoleiros não consinto que ma vistas!».
E precisamente porque ali toda a gente é individualista, porque todos
sabem sobreviver, porque todos têm uma ligação telúrica inata, sabem
fazer uma coisa:
Primeiro, como acho que já te disse uma vez, arranjam uma telha de
meia cana, «pedida» emprestada seja a que telhado fôr;
òsdepois, tirarmdo bolso uma morcela de Santa Marinha do Zêzere, com
cebola e alho estremenho, que dura seis meses metida num tamanco, como
so que comprei na feira de Espinho; a seguir é só tapar as pontas da
telha com galhas de oliveira roubada acima do pó da estrada - sabes
que os carros poluem tudo, né. Acima do pó da estrada são as galhas
que estão viradas para cima, e de preferência para o lado de onde vem
o vento;
ós'pois baisse à «cartucheira» e despeja-se metade do bagaço em cima
da morcela, sabiamente zebrada com o «chino» do Palaçouco, que
qualquer português decente devia sempre transportar enrolado no lenço
de mão, até na urna de boto - o «chino» é uma folhinha de aço de doze
centímetros, afiada dos dois lados, com um cabinho de madeira de seis
centímetros, que corta que se farta mas não se vê num lenço de assoar
e que serve para «'chinar» GNR's, Guardas Fiscais, os da «Venatória»,
«Dulces Pontes», «Delfins» e afins.
Já a «cartucheira» é o que sabemos: o «caga-lume» dos pastores, que se
atesta com o «produto do cú»: a primeira aguardente a ser destilada é
chamada «da cabeça», a redestilada é do «corpo» - é a que se bebe como
bagaço -, a pior das piores, a 60 graus ou mais, é a chamada da
terceira destilação por serpentina de cobre e depósito gota a gota,
mais conhecida por trotil do cú!
Telha, galhas de oliveira, morcela de cebola, trotil: bota-se o fogo!
Há que virar a meia cozedura, por causa do «encrispamento»: a morcela
começa a assobiar!. O petisco larga gordura - o dito cujo «unto» - e a
chama começa a passar de azulada a alaranjada - salvo seja! -, e nessa
altura dá-se a volta à morcela - para mnemónica futura, lembra-te que
quando se trata de morcela sem cebola, é exactamente o contrário -
quando a «coisa» aquece, debe-se é dar a volta à gaja...
Adiante.
Quando as galhas de oliveira estiverem mirradinhas e já andarem a
boiar uns olhinhos de gordura da morcela dentro da telha de meia cana,
há que apagar o fogaredo - mas deixar a morcelaça lá dentro da telha,
que está bom e está quentinho - como na bida, aliás...
O petisco vai embutir o resto dos 60º do trotil, devagarinho, porque
os talhos que lhes fizeram com o «coiso» do Palaçoulo já terão
dilatado - e o calor dilata os «copos», como todos sabemos, né?
Se o tunante do iniciante for homem experiante, terá levado o seu naco
de broa, para aproveitar o «trotil» que vai sobrar, mas que se evapora
rapidamente da telha.
Bute, mãos à obra, rilhar a morceleta! Às fatiinhas, cortadinhas com o
«chino» do Palaçoulo, que ainda dá para ganhar o dia na beira da
estrada.
Dez minutos depois de embutido o petisco, é só ir sentar-se num
cantinho, abrir a carcela e escrever numa caixa de chicletes virada do
avesso : «Feito à mão»! Não há holandesa que resista à «berdadeira
alheira», entesada a morcela de cebola, e ali mesmo à mão, na beirinha
da estrada. Ora, o capítulo do dito cujo «débito conjugal» dos livros
de Direito do meu filho diz que esta prestação é devida à legítima
minhota casada, mas que pode ser prestado em «comodato», mediante
acordo e remuneração. Toma lá!
Entrementes, perdido por dez, perdido por mil, seque-se o resto do que
há na «cartucheira», ou, como diriam os discípulos de Frei Tomás,
«Olhem para o que ele diz, não olhem para o que ele faz».
A turista admira o requinte da genuína alheira nordestina, bem nutrida
pelo sangue da morcela e devidamente desinfectada pelo «trotil» a 60º
- de uso interno, somente - e o pessoal vai ouvindo pipilar os
passarinhos e ver arribar as primeiras andorinhas, quiçá curiosas com
o tamanho das minhocas nesta altura do ano.
A época da lampreia foi murcha, João, de Esposende à Valinha só
apareceram coisas murchas e cabos da Guarda. Entremos na «saison» da
morcela, antes de te ensinar o truque para guardares as alheiras um
ano inteiro no calor do lenho.
É mais ou menos assim: vai-se ao monte apanhar Cavacos, faz um
«luminho» para aquecer, e bota-se a alheira defronte da
chama......................................................................................
e não há quem resista
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Gripe económica
México perde mais de 42 milhões por dia devido à gripe suína

Só nas últimas horas foram canceladas 2.500 reservas em hotéis
As empresas de comércio, de serviços e de turismo estimam em 777 milhões de pesos (mais de 42 milhões de euros) diários as perdas referentes à quebra da actividade económica causada pela gripe suína, noticia o «Cinco Días».
Aos sectores afectados somam-se os restaurantes que apenas têm podido vender comida ao domicílio, o que já provocou fortes críticas por parte de algumas associações que dizem: «não podemos enfrentar uma crise com outra que possa causar maiores destroços».
Os efeitos da gripe suína estão também a ser sentidos no sector hoteleiro. Os diferentes estabelecimentos da cidade do México registaram a taxa de ocupação mais baixa dos últimos 16 anos, entre 5 e 10 por cento. Só nas últimas horas foram canceladas 2.500 reservas.
Segundo as últimas estimativas, o número de mortos no país é de 159.

Só nas últimas horas foram canceladas 2.500 reservas em hotéis
As empresas de comércio, de serviços e de turismo estimam em 777 milhões de pesos (mais de 42 milhões de euros) diários as perdas referentes à quebra da actividade económica causada pela gripe suína, noticia o «Cinco Días».
Aos sectores afectados somam-se os restaurantes que apenas têm podido vender comida ao domicílio, o que já provocou fortes críticas por parte de algumas associações que dizem: «não podemos enfrentar uma crise com outra que possa causar maiores destroços».
Os efeitos da gripe suína estão também a ser sentidos no sector hoteleiro. Os diferentes estabelecimentos da cidade do México registaram a taxa de ocupação mais baixa dos últimos 16 anos, entre 5 e 10 por cento. Só nas últimas horas foram canceladas 2.500 reservas.
Segundo as últimas estimativas, o número de mortos no país é de 159.
terça-feira, 28 de abril de 2009
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