quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Patricia

- resolvi publogá-lo depois de o enviar para uma amigo. Gostei de o reler.

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dei-te moedas, flores, água de Lourdes e de Fátima

dei-te a alma, dei-te o tempo, mas não o sangue como corre nas veias

foi como vento fútil de que não precisavas...

que poderia fazer sem ter de cortar os meus bocados sãos para os trocar pelos teus?

Irmã que voaste sem asas

Irmã que estoiraste com o meu livre arbítro na fortuna sorteada

Irmã terra, barro, carne, irmã bela de raiva, soberba de desvario


morta irmã tão viva que sublimaste um riso indecente na memória, com gargalhadas

e cigarros e fumo a evolar-se

e vinho à mesa e mãos nos pés dos cálices

mãos alegres e nervosas de bem estar

Deus Meu que a vida agride

porque te dei postais e fotos e poemas e posts e almofadas

e nada tu levaste para esse canto de agruras do escuro forno

onde te lamentámos e tu, decerto, cantavas

por ausência de dor e esse abraço de valsinhas sorridentes

em que projetámos o nosso amor.

--



mjc

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