sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mitzie:hora da solidariedade



Bem, a Mitzie Gaia está em casa e ainda em risco (até amanhã). Toma anti-inflamatórios e antibióticos, mas há uma parte do fígado que está a evacuar. Tem sido um carnaval para a fazer comer, berber ou usar a liteira (coisa que ela nunca tinha visto, porque é uma gata de rua.
Vai sobreviver porque quero, porque me pediu ajuda e porque muitos amigos estão a enviar energia positiva para ela. Como avancei o primeiro terço da fatura comn o dinheiro dos impostos, e os amigos começaram a contribuir e a pedir Nib, não estando em condições de não aceitar, com falsas modéstias, agradeço, desde já as vossas contribuições. Diretas ou para o Nib que me pedirem pessoalmente, através do meu email mjoaocarvalho@gmail.com. Agradeço, desde já, à Kikas, à Sofia Ramos, à Sandra, à Lu, à Nara, e a todos os que estão a enviar, também, cheques.







Eh bien, Mitzie Gaia est à la maison et encore à risque (jusqu'à demain). Prendre anti-inflammatoires et d'antibiotiques, mais il existe une partie du foie qui est évacuée. Il a été un carnaval pour faire manger, berbère ou utiliser la litière (chose qu'elle n'avait jamais vu, parce que c'est un chat de rue. 
Survivront parce que je veux, parce qu'il m'a demandé de l'aide et parce que de nombreux amis envoient énergie positive pour elle. A mesure que j'avançais le premier tiers de la facture du vet avec l'argent de les impôts, et les amis ont commencé à contribuer et a demander le RIB. Je ne suis pas en mesure de ne pas accepter, avec de fausse modestie, et pour ça je remercie, déjà, vos contributions. Vous pouvez le faire directement ou par le RIB que je vous donnerais après votre demande, personnellement, par mon email mjoaocarvalho@gmail.com 
Je remercie déjà, Kikas, Sofia Ramos, Sandra, Lu, Nara, et tous ceux qui ont envoyé des chèques.






terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Gata comeu peixe sem ir à praia...e foi-lhe retirado anzol?????





A Mitzie Gaia está entre a vida e a morte (depois de duas cirurgias, a morfina e anti-inflamatórios, sem comer ou beber) e só o tempo dirá se o fígado e o diafragma recuperam da infeção. O anzol só pode ter sido comido com o isco dos pescadores de fim de semana  no novo lago de águas paradas com peixes que o Maîre plantou nas traseiras do Palácio Escola Paul Bocuse e onde os idiotas vão pescar. Já preparei a fatura para enviar à Câmara. Não tenho dinheiro para tanto. E a solidariedade de alguns amigos já está a mover montanhas. Obrigada.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Anzol Bocuse da Mitzie Gaia

Esta é a gata Mitzie Gaia, que um dia me apareceu à porta doente, e levei para a uma clínica para ser operada. Hoje está de novo na sala de operações para extrair...um anzol. Deve ter roubado um peixe com anzol -só come friskies de salmão e peixe.
Não a eutanasiam porque fazem chantagem connosco (que amamos os animais e não os queremos em sofrimento) e a condenariam a um longo caminho até à morte. Deixam-me pagar em três vezes, sem saber se o anzol já perfurou o estômago e atingiu o diafragma. Pode morrer na operação, mas eu tenho de pagar na mesma. Só que, prometo: vou apresentar a conta à Câmara de Écully, que fez um lago num parque da Escola do Paul Bocuse (aqui perto) e permite que os pescadores de fim de semana lá passem as tardes com a cana de pesca. Eu pensava que os franceses tinham alguma cultura...mas parece que se ficou pelos anos 60. Agora há pescadores nos jardins públicos. Espero, pelo menos, que seja um anzol de ouro... à Paul Bocuse.


Terminou a cirurgia, às 2:06 h. Noite decisiva....o anzol estava há tempo de mais no fígado e ela, selvagem, não se queixou...a operação durou tanto tempo, mexeram tanto e levou tanta morfina que, agora, ainda há o risco da crise cardíaca. Mas como tem apenas 3 anos...Eu perdi muitos entes queridos, irmãos, primos, amigos e companheiros de quatro patas pelos quais paguei prolongamentos de vida de qualidade. Esta vai viver com metade de um anzol numa parte do fígado, já envolvida em brida, numa cicatriz que ela não denunciou. A minha parte está feita: ou vive ou não. Eu vou mantê-la em cuidados intensivos mais 15 dias, como decidido com a médica. Obrigada pelos votos e força dos amigos. Aceito contratos para cantar à hora, pós-laboral sobretudo, com viola e guitarra: jazz, espirituais e blues. Mas também aceito donativos: diretos para a clínica, para a ficha da Mitzie, claro. E sim, não tenho vergonha nenhuma de amar perdidamente a minha família, os meus amigos e os meus animais.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Pó de estrelas no caminho

Estas últimas semanas foram intensas: Mandela morreu.




Esperávamo-lo há muito tempo, mas sabíamos que havia um mundo de coisas a lembrar, uma vida que se cruzou com múltiplas vidas como se de fios de sol se desfizesse um novelo de luz na terra, afetando-nos, recordando-nos o tempo que perdemos estupidamente quando podíamos estar a fazer um ínfimo do que fez Madiba.



A propósito dele, lembrámos muito o Dalai Lama e Ghandi, procurávamos comparações como cegos à procura de impressões tácteis do que é um isolamento, do que é ser apartado de todos, da família, dos seus, dos correlegionários...partir pedra numa mina....descalçar-se como Ghandi e pregar a paz face à violência do inimigo ou fugir de noite do Tibete, para garantir a sobrevivência dos tibetanos.
Exausta, aproveitei uma semana para nadar diariamente na espetacular piscina do Paião e acabei a comer moamba com dois amigos de infância, num acaso fantástico, risonho, descontraído. Comer com as mãos lembrou-me a Angola que percorri na esperança das eleições, no pós-eleições, em guerra e mais guerra e mais guerra ainda.


E, de repente, morre o Eusébio. Não foi assim nada que não temêssemos, devido aos problemas de saúde, mas era algo que negávamos. Ele não podia, simplesmente não podia.
Conheci-o quando ele guiava um Mercedes verde clarinho, no Bairro Alto, era eu estudante de Direito e a boémia começava ali. Ficámos amigos para a vida e assim, quando em 1996 um mafioso das Tríades chinesas me "pediu" uma fotografia dele com o Eusébio, tremi um bocadinho mas lá consegui: o Eusébio estava em Macau para um jogo de veteranos portugueses contra veteranos de Macau ( ainda sob admninistração de Lisboa). dançámos um merengue para eu poder falar-lhe ao ouvido e combinar o encontro para as 8 da manhã com o "veterano". Pedi-lhe tanto que não ficásse até tarde. Ele prometeu e cumpriu. Recebi a confirmação à 9 horas (a minha presença foi dispensada):: a fotografia tinha sido feita e a minha entrada livre na China foi assegurada.
Todos os que se cruzaram com Eusébio sabem que ele movia montanhas com aquele sorriso e aquele "o que é que é preciso fazer?"
Para nos alegrar, apesar das lágrimas, Cristiano Ronaldo limpou a embaciada alma de todos os portugueses, orgulhou-nos da pertença a esta nação em que Eusébio e Madiba fazem parte do discurso de agradecimento à família e colaboradores.



Sem pioneiros e líderes exemplares os grupos rebelam-se com menos força, não vão tão longe, não superam a própria humanidade para se elevarem a um nível maior.
E agora, devagarinho, todas as semanas, o Papa Francisco vai-nos surpreendendo a desatar os nós desta corda tão enrodilhada que é a da esperança na Igreja Apostólica Romana.




 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Kate, o clã e os lobos

Por mais estranho que pareça, um clã começa pelo amor. Um amor abarcador, imenso, delicioso. No fim é um facto, uma evidência.
Acaba sempre mal, na parte da estrutura, mas, o interessante é que as ramificações se medusam como um polvo... ou uma serpente, que sericota, depois de cortada a cabeça.
Em Portugal, Jane Birkin era a mulher amada de Gainsbourg, a lenda...fazendo esquecer que, antes dela, ele escreveu Je t'aime para BB (Brigite, a Bela).
Jane tinha uma filha, Kate, que levou para Serge G. criar com o sentimentalismo que lhe era conhecido. Aos 11 anos, quando Jane deixou Serge, já com Charlotte, Kate perdeu a referância do pai. Procurou o verdadeiro e deu-se bem até ele morrer....de ataque cardíaco. Passou pelas drogas, alcool, construiu uma associação para si e para os outros como ela. Reconstruida, fotografou como ninguém.
Mas a reconstrução é frágil quando somos humanos...






Kate Barry, 46 anos, era filha do compositor John Barry, que ganhou cinco Óscares, falecido em 2011, conhecido pela música de mais de uma dezena de filmes de James Bond. Apesar de ser conhecida como A discreta, esteve sempre LÁ quando era necessário.





Mas um clã é isto, desgasta-se de tanto suporte e apoio, tanto desacompanhamento fora de festas, desajustadas, tantos medos, tantas parvoíces a fazer de conta que se têm forças que nem o Menino Jesus tem no Natal - Lou Doillon, Charlotte Gainsbourg e o filho de Lulu....como se chama?lá vão continuar unidos e desajustados

As fotos de Kate vão ficar na história. A família e amigos vão remoer.
Tinha mudado de casa e o namorado ia lá jantar nesse dia...mas já a viu caida no pátio interior com o SAMU. os bombeiros, clinicamente morta,por queda do 4º andar.
O Clã Birkin está de luto. Eu também, Por Kate.


http://loudoillon.fr/

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A floresta dos sonhos azuis


A balneoterapia das quartas tem sido uma lição de vida. Há apenas uma fisoterapeuta e uma assistente para duas crianças, dentro de água, além de mim. Eu faço os meus exercíos no meu canto, vou fazendo espaço e brincando quando se metem comigo. As mamãs assistem.
Os franceses chamam "frites" aos "chouriços" multicolores dos exercícios e "flores" "às borboletas" para os exercicios musculares com as mãos e braços.
Uma das pequeninas, três anos  não tem apenas trissomia 21, tem muitos problemas degenerativos musculares e mesmo ósseos.
A outra, dois anos, foi várias vezes operada a uma perna, para lhe retirarem um tumor maligno e 10 cm de osso. Depois enxertaram, acrescentaram pele e osso da bacia e do rabinho e hoje ela sorria como uma garota feliz e doce na água quente, a chapinhar, contente, com as suas braçadeiras e tanguinha com estrelas. A mamã dizia que, no futuro, a filha a pouparia de tatuagens sob o biquini...e riam muito. A sua menina salvou-se da morte e, depois da operação de setembro, recuperou os 10 centímetros que lhe faltavam e ostenta uma cicatriz direitinha da coxa ao tornozelo, ainda bastante vermelha.
"Cansa-se um bocadinho quando anda, e damos-lhe uma muleta....mas ela não gosta", conta a mãe..
Quando terminei os meus exercícios coloquei o "chouriço azul de espuma" na barra da piscina terapêutica, onde já estavam entalados chouriços de espuma amarelos, cor de rosa e verdes. Faziam um túnel para elas passarem por baixo, entrarem de um lado e saírem pelo outro.
Despedi-me, desejei um Bom Natal e muitas prendinhas do Menino do Céu. A pequenita, que comparava a perna dela com a minha, riu-se e chamou pela mãe - a bater com os pés e a empinar-se nas braçadeiras com bonecos: "Regarde, Maman! Maintenant, on a une fôret de rêves bleus!"

sábado, 7 de dezembro de 2013

Blasfémia pura

Será, oh Mãe de Deus 
que O criámos?
Blasfema e simples
pergunto:
onde está o meu último defunto
para onde foram
os amores da minha vida?
Porque estarão bem
se fiquei ferida?

Na guerra
levamos os camaradas
como podemos
às vezes em braços
arrastados, mutilados
outras vezes
apenas cansados
do desespero dos atropelos
da desumanidade.

Não morremos
nunca morremos
mas criámos um universo
que é um hospital de sobreviventes
um Paraíso
repartido e indecente
entre o Mundo do Mal
e a Mãe
que somos nós
de um Universo sem igual.


                                                       Maria João Carvalho

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mandela porque sim


O humanismo de Mandela, como o do Dalai Lama, de João Paulo II, de Ghandi, de muito poucos desta fibra, tem de ser perpetuado com honra.
A dignidade deste homem que se sentou a beber chá com os carrascos, depois de liberto, que os convenceu a participar na grande festa da democracia multirracial, que se apaixonou perdidamente aos 78 anos - quando se sentia o homem mais sozinho do mundo e se casou, aos 80, com uma mulher como Graça Machel, tem de ser honrada. Os milhares de cidadãos que, neste momento o lembram, circunstancialmente ou de coração, têm de lembrar, amanhã, depois de amanhã, depois do dia 15 e no Natal, e Ano Novo, que Mandela não é um mito, é uma realidade, uma luz e uma energia que todos podemos partilhar. Tinha o rosto de um homem, inteligente, simples mas hábil, que já não está aqui mas que pode habitar a alma de quem lhe quiser abrir a porta. Os moçambicanos deviam abrir, porque estão mesmo ao lado, e Graça pode agraciá-los com alguma da sabedoria adquirida por mérito próprio e ao lado de Mandela....porque precisam. Os portugueses também.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Não há paz sem força real

Numa alusão ao artigo No peace without real force,http://fw.to/WPQs6jE do Tampa Bay Times, penso que:


 Num Mundo ideal, o ser humano não precisaria de ter indústrias de armamento, para começar. Mas desde que o homem é Homem, a conquista faz-se pela luta e nunca deixa de haver desejo de conquista porque o ser humano está cada vez mais ambicioso.
Quando aconteceu o massacre no Ruanda, todos lembraram que já depois da II Guerra Mundial se tinha dito "Nunca Mais". Mas o massacre do Ruanda aconteceu (1994) porque a ONU não se deu ao trabalho de conseguir um mandato para defender a população e fugiu cobardemente do Ruanda, deixando os civis entregues à sua sorte, ou seja, aos golpes insdiscriminados de drogados manipulados sedentos de sangue.  
Depois disso, pensei que não se empilhariam mais cadáveres em terreno que eu pisasse, como acontecera em Sarajevo, Srebrenica (Bosnia), em Vukovar e Vincocki (Croácia). Mas empilharam. Nomeadamente em Angola, onde os soldados carregavam os mortos na retirada mas ficava o ar empestado... a morte. Não era preciso muito para dar com eles. Nas Lundas, as famílias enterravam os mortos nos terrenos envolventes das casas, onde houvera jardins. No Huambo, fez-se tiro ao alvo, como em Sarajevo.
Assim, o que muda com a Síria ou com a Turquia, que não tenhamos já visto no passado? Melhoraram a arte de matar? Ou, por outras palavras - que de arte, já não tem nada - matam mais e mais depressa? As armas químicas são mais letais do que os mísseis? Ou trava-se uma guerra da Rússia e do Irão, com soldados talibãs, contra os aliados moderados do Líbano e Israel?
A paz só seria viável se a indústria do armamento fosse desmantelada. Se por cada americano deixasse de haver as seis pistolas que todos os republicanos se gabam de ter, para eles e crianças, claro...há que aprender a disparar desde pequenino.
Os terroristas fazem bombas com pregos, para fazer mais estragos e as crianças palestinianas, que passaram a idade de apedrejar, lançam cocktails molotov, tão fáceis de fazer.
 Assim, a paz entre os países deixou de ser possível, mesmo quando os vizinhos se respeitam. A França tem uma Legião Estrangeira em toda a África que lhe interessa - em 50 países, pelo menos. Destitui e coloca ditadores nas presidências, a seu belo prazer, que vêm depois gastar o dinheiro na praça Vendome. A Alemanha também tem uma indústria de armamento importante, mas continua a permitir as afrontas da Coreia do Norte ao Japão, apesar das bases americanas no seu território.
A hipocrisia humana é grande, quando se trata de falar de paz e dar apertos de mão em cimeiras que servem para conluios económicos bilaterais.
Infelizmente, a questão é: o que estamos supostos a sacrificar para não nos entrar uma guerra dentro de fronteiras? Enviar soldados para a morte além fronteiras?  
Temos gente a dormir na rua, em todos os países, e os republicanos americanos não querem pagar o programa de saúde de Obama? E o governo húngaro prende os sem abrigo que não recolherem a centros onde são espancados e roubados?
Que mundo é este onde todos trabalham para desconseguir a paz em troca de algum lucro? Onde se abusa dos impostos sobre o rendimento das famílias em prol do enriquecimento absurdo dos judeus das empresas de notação financeira que dão as notas ao comportamento económico dos países?
A paz só é mesmo possível com um exército por trás. Só que chegámos ao limite de termos milhões de descontentes com armas letais nas mãos. E, sem fronteiras, na Europa, a instabilidade é maior, e a paz é precária.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Viagem

Os "autocarros " aéreos permitem a gente forte sem tempo para lágrimas, ir afagar quem precisa mais, ou levar dinheiro ou buscá-lo, levar a cabeça para afagos e o peito para palmadas de coragem que o incitam sempre ao afastamento. Aprendi com o vaivém da Ryanair e de outros, que a viagem de outrora não se faz em 24 horas mas faz-se com o mesmo aperto do coração; não uma vez por ano, mas todas as semanas...e é mais duro...é mais duro saber que a segunda-feira, que custou um dia quase de viagem lá das berças, é de sorriso e força, e que a saudade não existe: existe estar presente, sempre, aqui deste outro lado do mundo.
Globalidade, globe trotter, o raio que os parta. Pensem em caminhar sem rumo e já descansam.
Um dia, hei-de chegar ao aeroporto ou a um cais qualquer e partir para o primeiro destino afixado. Sem obrigações. E com todos os que amo no regaço...até às pontas dos dedos. Amar e pronto. Ir amando.