sexta-feira, 22 de março de 2013

da Europa para o Japão: greve na Lufthansa

 
Penso em comida de Nagoya para ficar zen...a minha cunhada e sobrinha estão em trânsito para o Japão. Com o meu irmão, tiveram o cuidado de escolher a companhia aérea que menos hipótese tinha de as deixar em terra. Pouca sorte. A Lufthansa está em greve e enviou-as 12 horas depois do previsto, fazer escala em Amsterdão e mudar de avião em Pequim.
 
 
 






 





 
Já agora: não acham que há uma qualquer influência da cerâmica portuguesa Bordalo Pinheiro no 7º prato? Eram 14.
 




 

terça-feira, 19 de março de 2013

Monarquia vai à Escola



"Todos achamos que o mundo começa quando nascemos...mas não é bem
assim". Este foi o mote para a dinâmica palestra de João Lancastre e
Távora, orador da Causa Real de Lisboa*, na  Biblioteca Escolar Dr.
João de Barros da Figueira da Foz,  na manhã de sexta-feira que fechou
o período escolar antes das férias da Páscoa.
 As bandeiras da História de Portugal para os alunos e convidados
enquadraram um ambiente de curiosidade, provocação intelectual e algum
revivalismo, ao som de um velho gramofone e com uma exposição de
exemplares de jornais e livros de início do séc XIX.
A Drª Helena Santos, professora de História, e elemento da equipa da
Biblioteca Escolar, tendo por base o projeto global de O Museu vai à
Escola- em parceria com o Museu Municipal Dr. Santos Rocha, integrado
nos serviços educativos daquele museu, idealizou o alargamento dos
conteúdos do 9º ano na disciplina de História à realização da
conferência do orador da Causa Real, João Távora, coadjuvado pelo
presidente da Real Associação de Coimbra, o advogado Joaquim Nora.
A responsável bibliotecária do Agrupamento de Escolas da Zona Urbana
da Figueira da Foz, Isabel Lucas (Matemática e Físico-Química),
acarinhou e deu voz ao projeto, que foi designado de "Monarquia,
Passado e Presente."
A atividade foi ainda articulada com o Departamento de Ciências
Sociais e Humanas.

Cerca de meia centena de alunos deste Agrupamento teve, pela primeira
vez, contacto com alguns personagens que falaram na primeira pessoa da
nossa história.
Decorreu, simultaneamente, uma mostra de histórias da História, de
Sousa Martins, Conde do Lavradio, etc, e de alguns jornais (franceses
e portugueses (António Maria com Bordalo Pinheiro) de 1827 até ao
Regicídio, da bibiblioteca Castilho da Costa Raposo de Medeiros, de Marta Carvalho, 
da Reta Monarquia da Figueira da Foz
Os convidados foram presenteados com exemplares do livro de João de
Barros e distribuiram o último exemplar da Revista da Causa Real que
destaca Dona Adelaide de Bragança. Os alunos também tiveram direito a
brindes. Um dos momentos altos da palestra foi a audição de uma marcha
reproduzida num gramofone em disco de resina e cola.

O objetivo da iniciativa foi a abordagem do passado histórico com
enquadramento da monarquia nos dias de hoje em contexto democrático.




Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz
Escola EB 2,3ºCiclos Dr. João de Barros

Avenida Doutor Manuel Gaspar de Lemos 29, 3080 Figueira da Foz
telf. 233 401 620



* João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no
Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de
sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor:
casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação
e do Marketing. Participando em diversos projectos de participação
cívica, é dirigente associativo e participa em vários blogues,
projectos de intervenção e comunicação política.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Monarquia, Passado e Presente

A Biblioteca Escolar Dr. João de Barros da Figueira da Foz, a partir
das 10:30 h de 15 de março, hasteia as bandeiras da História de
Portugal para os alunos e convidados.

A Drª Helena Santos, professora de História, e elemento da equipa da
Biblioteca Escolar, tendo por base o projeto global de O Museu vai
à Escola- em parceria com o Museu Municipal Dr. Santos Rocha,
integrado nos serviços educativos daquel museu, idealizou o
alargamento dos conteúdos do 9º ano na
disciplina de História à realização de uma conferência de um orador da
Causa Real, João Távora.

A responsável bibliotecária do Agrupamento de Escolas da Zona Urbana
da Figueira da Foz, Isabel Lucas, acarinhou e deu voz ao projeto, que
foi designado de "Monarquia, Passado e Presente."
A atividade foi ainda articulada com o Departamento de Ciências
Sociais e Humanas.

Perto de meia centena de alunos deste Agrupamento terá, pela primeira
vez, contacto com alguns personagens que falam na primeira pessoa da
nossa história: um orador especializado nestes diálogos com os mais
jovens, os representantes da Causa Real de Lisboa e Coimbra.
Decorrerá, simultaneamente, uma mostra de histórias da História e
alguns jornais do sec XIX da bibiblioteca de Marta Carvalho, da Reta
Monarquia da Figueira da Foz.
Luis Damásio, da Real Associação de Braga,enviou algumas lembranças
deste evento para os alunos e demais presentes na iniciativa,
precedida por uma visita às instalações a partir das 9:30H

O objetivo da iniciativa é a abordagem do passado histórico com
enquadramento da monarquia nos dias de hoje em contexto democrático.


Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz
Escola EB 2,3ºCiclos Dr. João de Barros

Avenida Doutor Manuel Gaspar de Lemos 29, 3080 Figueira da Foz
telf. 233 401 620

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P1020264.JPG

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CP, comboio 15747, S. Bento/Aveiro - partilhado do fb



O comboio, o bilhete, os polícias, a cadelinha e o dono dela. Não é filme. É um comboio com história dentro.
Hoje aconteceu um episódio que sinceramente nem queria acreditar.
Eu viajo diariamente do Porto para Aveiro mas nunca tinha acontecido algo tão mau. Um rapaz entrou na estação de Ovar, ao que me apercebi, com uma cadelita (super meiga e muito novinha), eu sei que os animais devem viajar com algumas condicionantes mas este rapaz entrou, dirigindo-se calmamente para o final do comboio. O revisor implicou com o facto de a cadelinha não ter bilhete (ninguém sabia que os animais pagavam bilhete, sabiam? eu não). O comboio parou a marcha na estação de Estarreja, o revisor chama a polícia para tratar da situação. Os passageiros revoltam-se e até se oferecem para pagar os 2€ do bilhete (algo que o dono já tinha proposto), no entanto, o revisor não permitiu (alguém que realmente zela pela CP!!!!). Pois... mas o problema é o facto do revisor não se lembrar que aquele é o meio de transporte de muita gente que se lavanta às 06H30 da manhã para ir trabalhar para a Invicta (imbecil) e fez toda esta gente ficar à espera da polícia por causa de 2€???????. As pessoas estavam todas revoltadas mas o revisor...nada. Chega a polícia identifica o rapaz diz-lhe que deveria ter pago 2€, todas as pessoas (repetem) que pagam os 2€ e o que faz a polícia???? Adivinhem...agarram o rapaz à bruta (ele teve de largar a trela da cadelinha porque caso contrário ela era maltratada ai, o amigo dele pega na cadelinha que cheia de medo começa a ladrar porque vê que estão a fazer mal ao dono (ao contrário de alguns "humanos" os animais defendem o dono, só é pena esta cadelinha não se ter transformado (como nos filmes) numa leõa e acreditem que eu não teria ficado tão nervosa e até tinha compreendido a natureza). Bateram no rapaz sem qualquer problema, bateram no amigo como se de dois assasinos se tratasse. Todas as pessoas viram chamaram nomes, gritaram mas...nada e sabem porque? Porque estes 3 individuos (2 polícias e o revisor) não vão sofrer qualquer consequência. Amanhã se o revisor se lembrar chama a polícia para tirar do comboio um velhinho. Eu fui uma das pessoas que fui ter com ele educadamente e referi que pagava o bilhete, disse que ia reclamar e ele muito tranquilamente referiu faz muito bem!. Estou farta de chorar porque realmente estamos entregues a alguns. Eu pergunto será que os dirigentes da CP pactuam com este tipo de situações, não tem nada a dizer? Será que os polícias não deveriam ter uma parte pedagógica? Não deveriam ser mais profissionais? Mais Humanos? Alguém os tratou mal? Não.
Gostava de referir que em Ovar entra uma Sra Romena que cheira pior que um animal selvagem ou abandonado ou quase morto (todas as pessoas que fazem este trajeto sabem do que estou a falar) e já foi pedido a muitos revisores que não a deixassem entrar por uma questão de sáude pública, no entanto, a resposta é: tem bilhete! Pois... mas eu prefiro viajar com uma cadelinha.

O rapaz cometeu o erro nconsciente)de não ter comprado o bilhete da cadelinha mas isso é um crime tão grave?

Quero deixar bem claro que não conheço nenhum dos intervenientes incluindo a cadelinha.

Os polícias são os que estão nas fotos, a fera (cadelinha) está no meio deles (sem perceber nada), o comboio é o nº 15747 São Bento/Aveiro das 18H05 de ontem dia 21.

Partilhem, por favor, com o maior nº de pessoas pode ser que entre elas esteja alguém, responsável, consciente e que leve esta situação um pouco mais além.

Desculpem o longo texto, desculpem o desabafo mas nunca nos devemos calar.
MM
Hoje aconteceu um episódio que sinceramente nem queria acreditar.
Eu viajo diariamente do Porto para Aveiro mas nunca tinha acontecido algo tão mau. Um rapaz entrou na estação de Ovar, ao que me apercebi, com uma cadelita (super meiga e muito novinha), eu sei que os animais devem viajar com algumas condicionantes mas este rapaz entrou, dirigindo-se calmamente para o final do comboio. O revisor implicou com o facto de a cadelinha não ter bilhete (ninguém sabia que os animais pagavam bilhete, sabiam? eu não). O comboio parou a marcha na estação de Estarreja, o revisor chama a polícia para tratar da situação. Os passageiros revoltam-se e até se oferecem para pagar os 2€ do bilhete (algo que o dono já tinha proposto), no entanto, o revisor não permitiu (alguém que realmente zela pela CP!!!!). Pois... mas o problema é o facto do revisor não se lembrar que aquele é o meio de transporte de muita gente que se lavanta às 06H30 da manhã para ir trabalhar para a Invicta (imbecil) e fez toda esta gente ficar à espera da polícia por causa de 2€???????. As pessoas estavam todas revoltadas mas o revisor...nada. Chega a polícia identifica o rapaz diz-lhe que deveria ter pago 2€, todas as pessoas (repetem) que pagam os 2€ e o que faz a polícia???? Adivinhem...agarram o rapaz à bruta (ele teve de largar a trela da cadelinha porque caso contrário ela era maltratada ai, o amigo dele pega na cadelinha que cheia de medo começa a ladrar porque vê que estão a fazer mal ao dono (ao contrário de alguns "humanos" os animais defendem o dono, só é pena esta cadelinha não se ter transformado (como nos filmes) numa leõa e acreditem que eu não teria ficado tão nervosa e até tinha compreendido a natureza). Bateram no rapaz sem qualquer problema, bateram no amigo como se de dois assasinos se tratasse. Todas as pessoas viram chamaram nomes, gritaram mas...nada e sabem porque? Porque estes 3 individuos (2 polícias e o revisor) não vão sofrer qualquer consequência. Amanhã se o revisor se lembrar chama a polícia para tirar do comboio um velhinho. Eu fui uma das pessoas que fui ter com ele educadamente e referi que pagava o bilhete, disse que ia reclamar e ele muito tranquilamente referiu faz muito bem!. Estou farta de chorar porque realmente estamos entregues a alguns. Eu pergunto será que os dirigentes da CP pactuam com este tipo de situações, não tem nada a dizer? Será que os polícias não deveriam ter uma parte pedagógica? Não deveriam ser mais profissionais? Mais Humanos? Alguém os tratou mal? Não.
Gostava de referir que em Ovar entra uma Sra Romena que cheira pior que um animal selvagem ou abandonado ou quase morto (todas as pessoas que fazem este trajeto sabem do que estou a falar) e já foi pedido a muitos revisores que não a deixassem entrar por uma questão de sáude pública, no entanto, a resposta é: tem bilhete! Pois... mas eu prefiro viajar com uma cadelinha.

O rapaz cometeu o erro nconsciente)de não ter comprado o bilhete da cadelinha mas isso é um crime tão grave?

Quero deixar bem claro que não conheço nenhum dos intervenientes incluindo a cadelinha.

Os polícias são os que estão nas fotos, a fera (cadelinha) está no meio deles (sem perceber nada), o comboio é o nº 15747 São Bento/Aveiro das 18H05 de ontem dia 21.

Partilhem, por favor, com o maior nº de pessoas pode ser que entre elas esteja alguém, responsável, consciente e que leve esta situação um pouco mais além.

Desculpem o longo texto, desculpem o desabafo mas nunca nos devemos calar.
MM

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Heróis Sem Tempo


                                       Madalena com o meu irmão Zé Mau e eu, João, no Casino



Aos 17 e 18 anos éramos tontos. Apresentávamo-nos com vestidos de renda francesa, pretos, complicadíssimos de cocktail das bisavós e cintos de crocodilo (eles) sapato de sola do melhor couro que, rapidamente, desse o giro na cintura da namorada (que calçava sempre 12 cm de salto) como se ela voasse naquelas festas do Casino ou nas mais privadas, depois dos prémios do Cross ou das medalhas em modalidades várias.
Éramos todos heróis.
A maquilhagem era uma descoberta das revistas e dos postais muito ilustrativos tipo George Benson, que, na altura, se dançava como se de um deus a honrar se tratasse.


A Madalena era uma vamp no melhor sentido da palavra. Gira e coquete "comme il faut". Eu, fumava de boquilha e guardava os cigarros na cigarreira trabalhada em prata do bisavô Castilho da Costa.
Não pensávamos em nada como "que fazer aos 21 anos?"Tínhamos, incrivelmente, chegado a adultos e o palco era nosso. Íamos ter 18 anos para sempre.
A vida foi adquirida e nós éramos de uma geração entre a boémia e a revolucionária, conforme os dias.
Amávamos amar e talvez isso nos tenha matado um alvéolo de Alma, importante e desconhecido. Desafiámos desafiar porque nos era prometida a adrenalina desde sempre.
Fomos educados nos bancos da escola do tempo de Caetano, pós Salazar, e aos 12, 13 anos, apresentaram-nos uma revolução que contrariava o sonho de descobrir as vias férreas do Ultramar e o sonho de um império, desconhecendo-lhe as manhas e os vícios estranhos, torturas vis.
Crescemos a sonhar construir e fizémo-lo. Inventámos os eventos, driblávamos a burocracia e fomos pais de sonhos. Mas íamos morrendo. Os que ficavam aditos ao conforto daqueles ciclos apertados de interior, assim permaneceram. Os outros desafiaram o mundo para fingir que interior era a sala de onde nunca sairam e onde permaneciam aquelas amigas da salsa e rock das festas do casino, as vamps dos 80, as casas das grandes famílias. E vimo-las desmoronar. Primeiro, devagarinho...depois, de um ápice, os que se tinham feito à vida cairam como presas fáceis de quem tinha ido jovem e inconsequentemnte irresponsável.
Era giro, na época, morrer jovem como Marilyn e James Dean. Nenhum de nós imaginava um dia ter 50 anos. Fazer coisas, sim. Ser...era mais complicado.
O que é certo é que, os que chegámos e tanto fazemos para cumprir uma parte do Bem Comum no dia seguinte, não chegamos para prender a mão de quem nos pede ajuda e nos implora que deixemos a sala fechada, que cimentemos a porta.
Quando a Rosinha Carvalho me partiu o coração a chorar por estarem "a mexer no nosso rebanho", na morte do nosso Corvo, logo a seguir ao Mendonça e antes do Carlinhos Cardoso, eu não compreendi muito bem porque é que nos unia o que nos dividia, entre depressivos, sobreviventes, empresários, artistas, loucos.
Agora acho que o problema desta geração foi sociopolítico e conjuro os mesmos de sempre, os que requentaram o couro dos cadeirões do Parlamento, a desviarem um pouco dos seus tostões de ávidos politiqueiros, à História sociopolítica da geração de Abril.
As descontinuidades neste país, os empurrões sem páraquedas e, agora, o desamparo absoluto de quem precisa, psicologicamente, antes de tudo, de se sentir no interior, escandalizam-me.
Madalena era neta do grande Severo Biscaia e filha de Madalena Biscaia Azeredo Perdigão. Mãe e avô, também. Mas essa história cabe ao futuro.
Foi casada com José Carlos Castilho, artista plástico, até há pouco tempo proprietário do Bergantim na Figueira da Foz, com o irmão, António.
Paz à conturbada alma de Madalena.



Heróis Sem Tempo - Madalena Biscaia



Vai lá caminhando rumo à Paz, nesse céu a que ainda não chegámos mas onde estão todos os nossos Heróis sem Tempo como tu. Dá lá beijos ao meu irmão Zé Mau e a todos os outros índios e cowboys da nossa juventude louca e rica e sonhadora. Que os anjos te recebam bem e te coroem de estrelas e flores até chegares bem lá ao Alto, onde os sorrisos são etéreos e te refaças em poeira astral e pura. Bem hajas, minha querida.

http://www.youtube.com/watch?v=weIkm62xZvo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Crise Hoje

O círculo vicioso do sistema é lixado. Ninguém assume a máxima da defesa do Bem Comum e todos os princípios apreendidos são relegados para o plano da desculpabilização com justificativo à vista. A Mãe da Nação deixou de ser a Mátria de Natália e passou a ser um espectro globalizante e obscuro com aval europeu de comportamento serviçal e silêncio prometido.
Estás doente? Fica para aí.
Fome?
A fome não existe nas estatísticas relativas à vergonha.
Os esfomeados do sistema subsidiam-se. Os outros, suicidam-se.
Têm as artérias limpinhas, os estômagos sem úlceras ou aderências. Não têm tumores nem pulmões de fumadores. Aliás, o problema é a saúde em excesso e a solidão a mais. Suicidam-se e dão ótimos cadáveres para estudo.
E os que foram ensinados a serem úteis à sociedade e, psiquiatricamente, são reenviados à abstinência de satisfação de si e dos outros...têm os pulmões carcomidos e negros e vão de urgência a casa e urgência a internamento e fuga e urgência e homicídio ou destruição em massa de algo que nunca é o alvo da insatisfação original.
E assim se justifica a guerra. É necessário um exército de legionários e uma causa comum, mundial, para canalizar a revolta dos ainda não abstinentes.
A vida é isto hoje. O Papa deve ter percebido, como ser alemão e racional que a espiritualidade humana está em jogo.
Eu vou dedicar-me aos nenúfares e aos gatos. Acho que são de uma espiritualidade pura e provocam
lágrimas facilmente. A emoção secou os meus olhos de contrários. Uma secura intensa.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Greve extraordinária da CP com dois anos



Há dois anos que o pessoal da CP está em greve às horas extraordinárias, mas os brandos costumes dos utentes portugueses têm permitido às autoridades silenciar o assunto. Sempre fica mais barato suprimir ligações de comboio do que financiar discussões públicas e fazer "uma limpeza" nos escoadouros de dinheiros públicos.
Que interessa se os jovens remadores estrangeiros querem ir de Montemor-o-Velho para as praias da  Figueira da Foz nos tempos livres, ou passear pelo distrito? E interessa alguém se houve casais de estrangeiros seniores, durante o verão, ou nos dois últimos Natais, depositados negligentemente em Alfarelos, sem bar onde comer (lembrem-se que teve obras), sem instruções em inglês ou francês, sem cafés abertos na Granja do Ulmeiro...
Houve trabalhadores que estes últimos governos de incapazes enviam para a imigração, obrigados a pagar taxis, outransportes privados de manhã cedo, por não poder, de outro modo, chegar a horas aos aeroportos  porque as linhas de ligação aos comboios das 8/9 horas deixaram de ser asseguradas nos últimos dois anos.
Note-se que, enquanto durou o inquérito de fantochada de 72 horas da CP e da REFER, o horário das 7:40 da Figueira a Coimbra foi reposto....mas não se sabe quanto tempo durará.
No meu caso, por exemplo (que não conduzo por opção), para estar no aeroporto de Sá Carneiro no dia 13, às 10:00, ou ia a conta gotas às 5 para Coimbra, para chegar horas antes ao aeroporto, ou pagava a gasolina para algém me levar. Optei pela segunda hipótese, assim como muitos amigos meus que estão em plataformas de petróleo, ou em Macau, ou em múltiplos destinos da diáspora portuguesa causada pela crise: pedimos a terceiros que arrisquem a vida na esburacada rede rodoviária porque a ferroviária deixou de ser alternativa quando deixou de ser administrada como "coisa pública" - e nem me detenho agora no assunto do custo das autoestradas e das scuts, tão debatido e negligenciado pelos que prometeram pagar com o dinheiro dos mal amados contribuintes!
Assim, lá fui para o Porto por uma belíssima autoestrada em que nos cruzámos com uma única viatura, um Fiat, em mais de 150 km de piso asfaltado sem buracos!
Se tivesse optado, como de outras vezes, por não incomodar família ou amigos, teria esperado em Alfarelos ou Aveiro por uma ligação daquelas com que nos impingem todas as esta4ões e apeadeiros de lugarejos em que, até há dois anos, eu desconhecia a existência.
Confirmei hoje, por telefone, que, em princípio, a greve termina no próximo dia 31 de janeiro (do corrente mês de janeiro) porque não foi dado o pré-aviso de greve até hoje, dia 25 do corrente.
No entanto hoje é sexta-feira .... tudo pode mudar depois de um fim de semana de conforto e de debate dos ferroviários (e das suas famílias) durante as viagens nos comboios Alfa e Intercidades, em total desprezo sobre a necessidade de conforto dos passageiros que pagam com o suor do seu trabalho uma viagem em 1a classe.
 No dia 1 de fevereiro, farei o ponto da situação.




                                                               Artigo 535.º (da Lei da Greve)
                                                           Proibição de substituição de grevistas

(...)

            2 — A tarefa a cargo de trabalhador em greve não pode, durante esta, ser realizada por
empresa contratada para esse fim, salvo em caso de incumprimento dos serviços mínimos
necessários à satisfação das necessidades sociais impreteríveis ou à segurança e manutenção
de equipamento e instalações e na estrita medida necessária à prestação desses serviços.
         3 — Constitui contra ‐ordenação muito grave a violação do disposto nos números anteriores.


                                                                         Artigo 537.º
                                   Obrigação de prestação de serviços durante a greve


1 — Em empresa ou estabelecimento que se destine à satisfação de necessidades sociais
impreteríveis, a associação sindical que declare a greve, ou a comissão de greve no caso
referido no n.º 2 do artigo 531.º, e os trabalhadores aderentes devem assegurar, durante a
mesma, a prestação dos serviços mínimos indispensáveis à satisfação daquelas necessidades.
2 — Considera ‐se, nomeadamente, empresa ou estabelecimento que se destina à satisfação
de necessidades sociais impreteríveis o que se integra em algum dos seguintes sectores:




h) Transportes, incluindo portos, aeroportos, estações de caminho‐de ‐ferro e de camionagem,
relativos a passageiros, animais e géneros alimentares deterioráveis e a bens essenciais à
economia nacional, abrangendo as respectivas cargas e descargas;