sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Miguel Pedreira dixit: "Ribeira d'eles?"


"RIBEIRA D'ELES?" - Artigo de Miguel Pedreira, na mais recente edição da revista OnFire - "Quanto vale uma boa ideia? (...) Até porque o assunto já levantou bastante polémica, alguma investigação de órgãos de comunicação social generalistas e até mesmo uma crónica no jornal Expresso da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, uma das vozes mais activas no combate à corrupção em Portugal."

Por Miguel Pedreira

“Ribeira d’Eles?”
Quanto vale uma boa ideia?... Quanto valeriam, em 1970, as ruínas de uma determinada quinta, junto à Ria Formosa, no Algarve, quando o empresário André Jordan olhou para aquelas terras e visionou o seu potencial? Quanto valeria o mesmo pedaço de terra, doze anos depois, já designado como Quinta do Lago? E hoje? Quanto vale o património intangível de uma terra, de um país, da humanidade?... são perguntas que me assaltam de cada vez que penso na “tomada de posse administrativa” da Câmara Municipal de Mafra aos terrenos do Ribeira Surf Camp, em Ribeira d’Ilhas, que tanta polémica tem dado! Tudo “legal”, segundo a Câmara Municipal, “passando por cima da lei”, segundo os proprietários do Surf Camp. Do ponto de vista legal não posso nem sei pronunciar-me. Não tenho competência nem conhecimentos para isso. Confio no funcionamento regular das instituições competentes para o efeito e aguardo, como tantos outros, o desenrolar da situação. Até porque o assunto já levantou bastante polémica, alguma investigação de órgãos de comunicação social generalistas e até mesmo uma crónica no jornal Expresso da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, uma das vozes mais activas no combate à corrupção em Portugal. Confio na justiça.

Mas do ponto de vista moral, e no que ao surf diz respeito, tenho (temos!) todo o direito de opinar, sugerir e até mesmo de exigir algumas respostas a questões que me (nos) preocupam! Não vivo no concelho de Mafra, mas como praticante de surf há trinta anos e jornalista da área há vinte, frequento as ondas da Ericeira desde que me lembro e preocupo-me com a sua “boa saúde”. Como qualquer surfista da área da Grande Lisboa que se preze, a Ericeira acabou por se tornar numa segunda casa. Profissionalmente acompanhei dezenas de campeonatos nas suas ondas, incluindo o primeiro mundial alguma vez realizado em Portugal, em 1989, a maior parte dos quais com a sua estrutura principal montada em Ribeira d’Ilhas. Esta localização privilegiada não foi escolhida ao acaso. A qualidade das ondas de Ribeira e a sua estrutura natural, em jeito de anfiteatro, são um palco lógico para albergar eventos de surf, conhecido desde, pelo menos, 1977, quando os surfistas de todo o país que ali acampavam durante o Verão decidiram organizar o primeiro campeonato nacional da modalidade, no final do mesmo. Com o passar dos anos, foi com alguma preocupação que assisti à descaracterização da vila, ao aumento exponencial da construção e à sua voracidade pelas áreas de terreno cada vez mais próximas do mar. Também me recordo do “episódio” do emissário submarino da ETAR que está no início do Vale de Santo Isidoro, mesmo por trás de Ribeira d’Ilhas, e de como o seu “encurtamento” transformou a secção final da onda. Ou seja, como qualquer cidadão que se preze, preocupei-me com uma localidade que, embora não seja onde resido, me é muito querida. Foi assim que me ensinaram a ser e é assim que entendo o conceito de “comunidade”, palavra tão cara à enorme quantidade de surfistas que, desde o final dos anos 1970 e até hoje, se mudaram para a Ericeira, de forma a poderem usufruir do maior tesouro do “North Shore” português – as suas ondas – com maior frequência. Dessa comunidade “estrangeira” nasceram negócios, carreiras, clubes, oportunidades de vida numa vila que deixou de ser apenas para dois ou três meses de Verão, e até o melhor surfista português de todos os tempos. Sinal de fertilidade daquelas águas!

Dessa comunidade nasceu também, há doze anos, um dos primeiros surf camps nacionais pensados de raiz. Com infra-estruturas criadas para receber condignamente os surfistas que se deslocavam à praia de Ribeira d’Ilhas, integrada na paisagem e  com uma preocupação ambiental como até então pouco se via. Acreditando num sonho, um grupo de quatro amigos, empreendedores, comprou (e repito, COMPROU!) um terreno particular (novamente, PARTICULAR!), em cima da praia, e transformou aquilo que era um autêntico pardieiro, uma verdadeira pocilga a céu aberto (para os que não têm memória curta e ainda se lembram!), num espaço agradável, onde famílias inteiras podiam estar despreocupadas, enquanto aproveitavam as ondas ali em frente, com a comodidade da “sala lá de casa”. Embora tivessem toda a legitimidade para fazer crescer ali um negócio privado (e sim, é suposto os negócios darem lucro. Não é um crime, é uma necessidade!), a verdade é que o Ribeira Surf Camp sempre foi um espaço aberto a todos os que ali fossem por bem, independentemente de serem ou não clientes, onde nunca vi alguém ficar sem uma prancha, um fato, um banho, uma refeição, um espaço para descansar ou uma mera dica que fosse, no que às condições do mar dissesse respeito. Em suma, um exemplo de ponto de encontro de uma comunidade! Foi este património imaterial ali criado que levou muitos clientes de todo o mundo a voltarem à Ericeira, a sugerirem o destino a amigos e a terem no Ribeira Surf Camp um ponto de referência. O “modelo” inspirou muitos outros Surf Camps e foi mesmo assumido pelo anterior Secretário de Estado do Desporto como referência para a concepção dos Centros de Alto Rendimento de Surf que estão agora a ser construídos. Foi também com base numa proposta dos sócios do Ribeira Surf Camp que o plano de pormenor do POOC para Ribeira d’Ilhas foi alterado e que a Câmara Municipal de Mafra apresentou a sua proposta actual, embora alterada em relação ao original e, por isso, para mim, megalómana e descabida na sua enormidade. Foi também a existência deste Surf Camp, com estas características, que contribuiu para que a organização Save The Waves atribuísse o estatuto de Reserva Mundial de Surf (a segunda no mundo e primeira na Europa) aquele trecho de costa da Ericeira, tendo em Ribeira d’Ilhas um ponto de convergência natural e no Ribeira Surf Camp um conjunto de pessoas que já agiam como guardiões naturais da mesma, qualidade intrínseca a uma boa formação pessoal e no âmbito de uma verdadeira comunidade. E volta a tal pergunta... Quanto é que vale uma boa ideia?

Do ponto de vista ético e moral, a “tomada de posse administrativa” dos terrenos onde se situa o Ribeira Surf Camp levanta-me imensas dúvidas! Pelo seu “timing”, apenas dois dias antes das férias judiciais e em plena época balnear, deixando centenas sem o seu habitual ponto de apoio; pela força claramente exagerada utilizada, com o encerramento da estrada e a presença de um número estranhamente elevado de elementos de três tipos de polícia diferentes, numa clara e prepotente demonstração de autoridade, embora o processo judicial não esteja terminado; pela inversão surpreendente das negociações com os proprietários, que obviamente não querem deixar de ter o seu negócio e, caso isso seja de facto incontornável, legitimamente não querem ser pagos abaixo do que investiram por um conceito/negócio onde investiram doze anos (já agora… quanto vale realmente essa ideia?...); pela abrangência do protesto subsequente – não me parece que todos os que frequentavam aquele Surf Camp, que são as mesmas pessoas que frequentavam a praia, estejam errados; e pela dualidade no posicionamento da Câmara, que diz querer melhorar as condições de apoio a pessoas que não foram sequer ouvidas, não querem ser “apoiadas” daquela forma e foram altamente prejudicadas desde o dia 30 de Julho. A expropriação de um terreno privado declarando a sua utilidade pública é o último recurso que uma instituição do Estado deve tomar, sobretudo quando os donos do terreno até querem utilizar verbas próprias para a utilização pública do seu negócio, ali implantado. E o que é “interesse público”? É retirar das mãos de privados um terreno com uma localização privilegiada, utilizar dinheiros públicos e comunitários (mais de 3 milhões de Euros, ao que parece!) para construir ali um autêntico “centro comercial do surf” – vejam o projecto – e depois concessionar a sua exploração novamente a privados?... que privados? Qual é a legitimidade disto e, já agora, o “interesse do público”? Quem é o “público” em Ribeira d’Ilhas? Mas já alguém tentou perceber se a estrutura da praia comporta os “milhares” de utentes que dizem querer servir com a “nova” estrutura? Já alguém explicou o que vai acontecer ao curso da ribeira que ali corre para o mar e que implicações a alteração do seu curso terá na formação das ondas? O exemplo da Foz do Lizandro (ou, noutro concelho, da Costa de Caparica!) não chega, com uma praia descaracterizada e igual a tantas outras por essa Europa fora? Será que não entendem que o que os turistas que nos visitam procuram é precisamente esse lado “pitoresco”, diferente e não uniformizado, diferente das centenas de praias por essa Europa fora, todas iguais entre si? Pelos vistos não, se olharmos para a forma como a Ericeira foi devorada por betão! Não deixa de ser curioso ler a acta, pública, da Assembleia Municipal que decretou a utilidade pública daqueles terrenos privados e verificar que, na mesma reunião, foi decretada a eventual alienação de terrenos públicos (uma parte do parque de campismo dos Mil-Regos) para a construção de um hotel de cinco estrelas… privado, claro! Tudo na maior das legalidades! E pergunto eu… precisamos nós de leis assim? E de políticos assim, que não entendem a mais valia que têm em mãos e preferem dar cabo dela? Ou será que entendem e tudo isto é feito com uma intenção específica?... será que estão a matar a “galinha dos ovos de ouro” propositadamente? Não quero acreditar! Espero que seja apenas falta de conhecimento…

Aguardo atentamente a actuação da justiça em relação a este caso, mas não me parecem óbvias as boas intenções da Câmara Municipal de Mafra neste assunto, no que ao surf diz respeito.  Não vejo o mesmo tipo de actuação, por exemplo, na Câmara Municipal de Peniche ou na da Nazaré. Muito pelo contrário! Estes autarcas sabem que o poder não é eterno e que o surf é a grande mais valia que ali têm. Não estou a ver a Câmara de Peniche, por exemplo, a tentar expropriar o Surf Castle ou a Ilha do Baleal inteira, mesmo que tivesse a possibilidade de utilizar milhões de Euros do QREN para obras de “melhoramento”. É a diferença que faz saber ouvir, escutar quem todos os dias está embrenhado no assunto em causa. E o que deixa Peniche completamente cheia de turistas/surfistas durante todo o ano.
Mas o que mais me entristece é a quase total ausência de tomada de posição pública de entidades que deviam ser as primeiras a fazê-lo! Salvo a meritória voz de três dos guardiões da Reserva Mundial de Surf e da Save the Waves Coalition, que mostraram estar em desacordo e atentos ao desenrolar da situação em Ribeira d’Ilhas, nenhum dos clubes locais – supostamente representantes dos principais interessados, da comunidade – tomou uma posição. Quem cala, consente! Até o nosso melhor surfista de todos os tempos – Tiago Pires – arranjou tempo para, no meio do seu calendário apertado, tornar pública a sua opinião sobre o assunto. Goste-se ou não dela, é pública! Porque Tiago sabe que é uma figura pública e que a sua voz é ouvida/desejada! Já o Ericeira Surf Clube e a Associação dos Amigos da Baía dos Coxos estão há mais de um mês para tomar uma posição, o que só revela que algo vai mal no reino da Ericeira!... afinal a comunidade parece pouco unida, ou se calhar a situação não é consensual... ou será que os clubes representam de facto toda a comunidade?... escudando-se atrás de um argumento falso – o de que se tratam de interesses privados – não entendem que o que está em causa é a sobrevivência do surf na Ericeira e do “North Shore” da Europa como Reserva Mundial de Surf! Toda esta situação diz respeito ao surf nacional, sim! (E aqui, também gostava de ver uma posição oficial assumida pela Federação Portuguesa de Surf, pela Associação Nacional de Surfistas e pela Associação Portuguesa de Bodyboard) Porque perante os factos, não há argumentos que resistam – a voracidade do betão só vai parar quando tiver toda a falésia Norte de Ribeira d’Ilhas construída e um condomínio de luxo em frente aos Coxos, com acesso privativo e exclusivo! E aí, meus amigos, como nos activos do país que estão a ser desbaratados em praça pública, será tarde demais! 

Está na hora de toda a comunidade das ondas se unir, de agir como tal e de dar um murro na mesa, exigindo clarificação, bom senso e ser ouvida no que respeita à Reserva Mundial de Surf, cujo real funcionamento está, até hoje, um ano depois de ter conquistado esse título, longe de ser claro. É a hora de nos unirmos e de tomarmos uma posição no que às nossas vidas diz respeito. Sim, porque isto diz-te tanto respeito a ti como a mim! E porque o preço a pagar pelo nosso não envolvimento com algo que nos é intrínseco é sermos liderados por outros, menos capazes e conhecedores do meio. E isso é insuportável, pois a ignorância é a pior das conselheiras. Está na hora de agir!
"RIBEIRA D'ELES?" - Artigo de Miguel Pedreira, na mais recente edição da revista OnFire - "Quanto vale uma boa ideia? (...) Até porque o assunto já levantou ba
stante polémica, alguma investigação de órgãos de comunicação social generalistas e até mesmo uma crónica no jornal Expresso da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, uma das vozes mais activas no combate à corrupção em Portugal."

Por Miguel Pedreira

“Ribeira d’Eles?”


Quanto vale uma boa ideia?... Quanto valeriam, em 1970, as ruínas de uma determinada quinta, junto à Ria Formosa, no Algarve, quando o empresário André Jordan olhou para aquelas terras e visionou o seu potencial? Quanto valeria o mesmo pedaço de terra, doze anos depois, já designado como Quinta do Lago? E hoje? Quanto vale o património intangível de uma terra, de um país, da humanidade?... são perguntas que me assaltam de cada vez que penso na “tomada de posse administrativa” da Câmara Municipal de Mafra aos terrenos do Ribeira Surf Camp, em Ribeira d’Ilhas, que tanta polémica tem dado! Tudo “legal”, segundo a Câmara Municipal, “passando por cima da lei”, segundo os proprietários do Surf Camp. Do ponto de vista legal não posso nem sei pronunciar-me. Não tenho competência nem conhecimentos para isso. Confio no funcionamento regular das instituições competentes para o efeito e aguardo, como tantos outros, o desenrolar da situação. Até porque o assunto já levantou bastante polémica, alguma investigação de órgãos de comunicação social generalistas e até mesmo uma crónica no jornal Expresso da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, uma das vozes mais activas no combate à corrupção em Portugal. Confio na justiça.

Mas do ponto de vista moral, e no que ao surf diz respeito, tenho (temos!) todo o direito de opinar, sugerir e até mesmo de exigir algumas respostas a questões que me (nos) preocupam! Não vivo no concelho de Mafra, mas como praticante de surf há trinta anos e jornalista da área há vinte, frequento as ondas da Ericeira desde que me lembro e preocupo-me com a sua “boa saúde”. Como qualquer surfista da área da Grande Lisboa que se preze, a Ericeira acabou por se tornar numa segunda casa. Profissionalmente acompanhei dezenas de campeonatos nas suas ondas, incluindo o primeiro mundial alguma vez realizado em Portugal, em 1989, a maior parte dos quais com a sua estrutura principal montada em Ribeira d’Ilhas. Esta localização privilegiada não foi escolhida ao acaso. A qualidade das ondas de Ribeira e a sua estrutura natural, em jeito de anfiteatro, são um palco lógico para albergar eventos de surf, conhecido desde, pelo menos, 1977, quando os surfistas de todo o país que ali acampavam durante o Verão decidiram organizar o primeiro campeonato nacional da modalidade, no final do mesmo. Com o passar dos anos, foi com alguma preocupação que assisti à descaracterização da vila, ao aumento exponencial da construção e à sua voracidade pelas áreas de terreno cada vez mais próximas do mar. Também me recordo do “episódio” do emissário submarino da ETAR que está no início do Vale de Santo Isidoro, mesmo por trás de Ribeira d’Ilhas, e de como o seu “encurtamento” transformou a secção final da onda. 
Ou seja, como qualquer cidadão que se preze, preocupei-me com uma localidade que, embora não seja onde resido, me é muito querida. Foi assim que me ensinaram a ser e é assim que entendo o conceito de “comunidade”, palavra tão cara à enorme quantidade de surfistas que, desde o final dos anos 1970 e até hoje, se mudaram para a Ericeira, de forma a poderem usufruir do maior tesouro do “North Shore” português – as suas ondas – com maior frequência. 

Dessa comunidade “estrangeira” nasceram negócios, carreiras, clubes, oportunidades de vida numa vila que deixou de ser apenas para dois ou três meses de Verão, e até o melhor surfista português de todos os tempos. Sinal de fertilidade daquelas águas!

Dessa comunidade nasceu também, há doze anos, um dos primeiros surf camps nacionais pensados de raiz. Com infra-estruturas criadas para receber condignamente os surfistas que se deslocavam à praia de Ribeira d’Ilhas, integrada na paisagem e com uma preocupação ambiental como até então pouco se via. Acreditando num sonho, um grupo de quatro amigos, empreendedores, comprou (e repito, COMPROU!) um terreno particular (novamente, PARTICULAR!), em cima da praia, e transformou aquilo que era um autêntico pardieiro, uma verdadeira pocilga a céu aberto (para os que não têm memória curta e ainda se lembram!), num espaço agradável, onde famílias inteiras podiam estar despreocupadas, enquanto aproveitavam as ondas ali em frente, com a comodidade da “sala lá de casa”. Embora tivessem toda a legitimidade para fazer crescer ali um negócio privado (e sim, é suposto os negócios darem lucro. Não é um crime, é uma necessidade!), a verdade é que o Ribeira Surf Camp sempre foi um espaço aberto a todos os que ali fossem por bem, independentemente de serem ou não clientes, onde nunca vi alguém ficar sem uma prancha, um fato, um banho, uma refeição, um espaço para descansar ou uma mera dica que fosse, no que às condições do mar dissesse respeito. Em suma, um exemplo de ponto de encontro de uma comunidade! Foi este património imaterial ali criado que levou muitos clientes de todo o mundo a voltarem à Ericeira, a sugerirem o destino a amigos e a terem no Ribeira Surf Camp um ponto de referência. O “modelo” inspirou muitos outros Surf Camps e foi mesmo assumido pelo anterior Secretário de Estado do Desporto como referência para a concepção dos Centros de Alto Rendimento de Surf que estão agora a ser construídos. Foi também com base numa proposta dos sócios do Ribeira Surf Camp que o plano de pormenor do POOC para Ribeira d’Ilhas foi alterado e que a Câmara Municipal de Mafra apresentou a sua proposta actual, embora alterada em relação ao original e, por isso, para mim, megalómana e descabida na sua enormidade. Foi também a existência deste Surf Camp, com estas características, que contribuiu para que a organização Save The Waves atribuísse o estatuto de Reserva Mundial de Surf (a segunda no mundo e primeira na Europa) aquele trecho de costa da Ericeira, tendo em Ribeira d’Ilhas um ponto de convergência natural e no Ribeira Surf Camp um conjunto de pessoas que já agiam como guardiões naturais da mesma, qualidade intrínseca a uma boa formação pessoal e no âmbito de uma verdadeira comunidade. E volta a tal pergunta... Quanto é que vale uma boa ideia?

Do ponto de vista ético e moral, a “tomada de posse administrativa” dos terrenos onde se situa o Ribeira Surf Camp levanta-me imensas dúvidas! Pelo seu “timing”, apenas dois dias antes das férias judiciais e em plena época balnear, deixando centenas sem o seu habitual ponto de apoio; pela força claramente exagerada utilizada, com o encerramento da estrada e a presença de um número estranhamente elevado de elementos de três tipos de polícia diferentes, numa clara e prepotente demonstração de autoridade, embora o processo judicial não esteja terminado; pela inversão surpreendente das negociações com os proprietários, que obviamente não querem deixar de ter o seu negócio e, caso isso seja de facto incontornável, legitimamente não querem ser pagos abaixo do que investiram por um conceito/negócio onde investiram doze anos (já agora… quanto vale realmente essa ideia?...); pela abrangência do protesto subsequente – não me parece que todos os que frequentavam aquele Surf Camp, que são as mesmas pessoas que frequentavam a praia, estejam errados; e pela dualidade no posicionamento da Câmara, que diz querer melhorar as condições de apoio a pessoas que não foram sequer ouvidas, não querem ser “apoiadas” daquela forma e foram altamente prejudicadas desde o dia 30 de Julho. A expropriação de um terreno privado declarando a sua utilidade pública é o último recurso que uma instituição do Estado deve tomar, sobretudo quando os donos do terreno até querem utilizar verbas próprias para a utilização pública do seu negócio, ali implantado. E o que é “interesse público”? É retirar das mãos de privados um terreno com uma localização privilegiada, utilizar dinheiros públicos e comunitários (mais de 3 milhões de Euros, ao que parece!) para construir ali um autêntico “centro comercial do surf” – vejam o projecto – e depois concessionar a sua exploração novamente a privados?... que privados? Qual é a legitimidade disto e, já agora, o “interesse do público”? Quem é o “público” em Ribeira d’Ilhas? Mas já alguém tentou perceber se a estrutura da praia comporta os “milhares” de utentes que dizem querer servir com a “nova” estrutura? Já alguém explicou o que vai acontecer ao curso da ribeira que ali corre para o mar e que implicações a alteração do seu curso terá na formação das ondas? O exemplo da Foz do Lizandro (ou, noutro concelho, da Costa de Caparica!) não chega, com uma praia descaracterizada e igual a tantas outras por essa Europa fora? Será que não entendem que o que os turistas que nos visitam procuram é precisamente esse lado “pitoresco”, diferente e não uniformizado, diferente das centenas de praias por essa Europa fora, todas iguais entre si? Pelos vistos não, se olharmos para a forma como a Ericeira foi devorada por betão! Não deixa de ser curioso ler a acta, pública, da Assembleia Municipal que decretou a utilidade pública daqueles terrenos privados e verificar que, na mesma reunião, foi decretada a eventual alienação de terrenos públicos (uma parte do parque de campismo dos Mil-Regos) para a construção de um hotel de cinco estrelas… privado, claro! 


Tudo na maior das legalidades! E pergunto eu… precisamos nós de leis assim? E de políticos assim, que não entendem a mais valia que têm em mãos e preferem dar cabo dela? Ou será que entendem e tudo isto é feito com uma intenção específica?... será que estão a matar a “galinha dos ovos de ouro” propositadamente? Não quero acreditar! Espero que seja apenas falta de conhecimento…

Aguardo atentamente a actuação da justiça em relação a este caso, mas não me parecem óbvias as boas intenções da Câmara Municipal de Mafra neste assunto, no que ao surf diz respeito. Não vejo o mesmo tipo de actuação, por exemplo, na Câmara Municipal de Peniche ou na da Nazaré. Muito pelo contrário! Estes autarcas sabem que o poder não é eterno e que o surf é a grande mais valia que ali têm. Não estou a ver a Câmara de Peniche, por exemplo, a tentar expropriar o Surf Castle ou a Ilha do Baleal inteira, mesmo que tivesse a possibilidade de utilizar milhões de Euros do QREN para obras de “melhoramento”. É a diferença que faz saber ouvir, escutar quem todos os dias está embrenhado no assunto em causa. E o que deixa Peniche completamente cheia de turistas/surfistas durante todo o ano.
Mas o que mais me entristece é a quase total ausência de tomada de posição pública de entidades que deviam ser as primeiras a fazê-lo! Salvo a meritória voz de três dos guardiões da Reserva Mundial de Surf e da Save the Waves Coalition, que mostraram estar em desacordo e atentos ao desenrolar da situação em Ribeira d’Ilhas, nenhum dos clubes locais – supostamente representantes dos principais interessados, da comunidade – tomou uma posição. Quem cala, consente! Até o nosso melhor surfista de todos os tempos – Tiago Pires – arranjou tempo para, no meio do seu calendário apertado, tornar pública a sua opinião sobre o assunto. Goste-se ou não dela, é pública! Porque Tiago sabe que é uma figura pública e que a sua voz é ouvida/desejada! Já o Ericeira Surf Clube e a Associação dos Amigos da Baía dos Coxos estão há mais de um mês para tomar uma posição, o que só revela que algo vai mal no reino da Ericeira!... afinal a comunidade parece pouco unida, ou se calhar a situação não é consensual... ou será que os clubes representam de facto toda a comunidade?... escudando-se atrás de um argumento falso – o de que se tratam de interesses privados – não entendem que o que está em causa é a sobrevivência do surf na Ericeira e do “North Shore” da Europa como Reserva Mundial de Surf! Toda esta situação diz respeito ao surf nacional, sim! (E aqui, também gostava de ver uma posição oficial assumida pela Federação Portuguesa de Surf, pela Associação Nacional de Surfistas e pela Associação Portuguesa de Bodyboard) Porque perante os factos, não há argumentos que resistam – a voracidade do betão só vai parar quando tiver toda a falésia Norte de Ribeira d’Ilhas construída e um condomínio de luxo em frente aos Coxos, com acesso privativo e exclusivo! E aí, meus amigos, como nos activos do país que estão a ser desbaratados em praça pública, será tarde demais!

Está na hora de toda a comunidade das ondas se unir, de agir como tal e de dar um murro na mesa, exigindo clarificação, bom senso e ser ouvida no que respeita à Reserva Mundial de Surf, cujo real funcionamento está, até hoje, um ano depois de ter conquistado esse título, longe de ser claro. É a hora de nos unirmos e de tomarmos uma posição no que às nossas vidas diz respeito. Sim, porque isto diz-te tanto respeito a ti como a mim! E porque o preço a pagar pelo nosso não envolvimento com algo que nos é intrínseco é sermos liderados por outros, menos capazes e conhecedores do meio. E isso é insuportável, pois a ignorância é a pior das conselheiras. Está na hora de agir!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Psicotécnicos que falham

A notícia sobre o crime da inspetora da PJ de 36 anos, confirma-me a certeza de que os exames psicotécnicos feitos aos candidatos que entraram nesta polícia não são, de todo, adequados. Aliás, muitos dos que passaram em todos os outros exames, chumbaram nestes ditos psicotécnicos. O tempo dá-me razão.
Uma das perguntas feitas aos candidatos é se estão prontos a abdicar dos seus princípios em nome da Polícia. Não são explicitados quais os princípios que têm de ser "atropelados". E têm alguns princípios os que esquecem a educação familiar e escolar em nome de uma qualquer instituição?


Também devem ser revistos os psicotécnicos apresentados em tribunal para fundamentarem casos de inimputabilidade. A maioria dos loucos e incapacitados continua à solta até matar alguém....





A inspetora da Polícia Judiciária (PJ) suspeita da morte de Filomena Gonçalves, avó do seu marido, vai ser ouvida hoje em tribunal. A mulher, de 36 anos, terá roubado uma arma das instalações da Polícia Judiciária do Porto e disparado 13 a 14 vezes sobre a mulher, de 82 anos, antiga comerciante no mercado municipal, numa altura em que ela  estava sozinha, em sua casa., na zona de Celas. Como não atendia o telefone, familiares e vizinhos deram o alarme.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Morte matada de O Figueirense



Quer-me parecer que a morte matada do Jornal Figueirense tem muito a ver com a gestão mal orientada do Grupo Amorim em relação ao Casino da Figueira. Começou por retirar o Nicola com a sua esplanada aos fiéis do Bairro Novo e acabou a cortar os laços da população não jogadora mas 'festeira'....eu, que ia às garraiadas do Casino, dancei rock nas matinés ao domingo, me mascarava nas festas de Carnaval e mostrei os meus primeiros vestidos de cocktail da bisavó no Casino e escapava, com os amigos de sempre, até aos shows mais adultos da velha boite do tempo dos velhos mitos...eu que cantei com o Zé António Bracourt no palco do Salão Nobre (onde atuava desde o Jardim Esciola João de Deus até â Festa de Finalista do Liceu)  e escrevi crónicas e mais crónicas no Figueirense, estou triste. Deixo mesmo um voto de pesar e de revolta neste espaço público pelo rumo que as coisas tomam. A continuação da presença do Casino na Figueira tem de ser discutida em solo neutro. O centro da cidade não pode ser desbaratado por quem rompe com a história da cidade e tão pouco dá em troca. O Grupo Amorim deve provar o contrário e passar a ser mais participativo. Se ninguém dá nada a ninguém porque é que só vai buscar o dinheiro dos jogadores sem retribuir à população?
Lembro ainda que o I Congresso Nacional de Jornalistas, que a organização a que eu presidia organizou, no Casino,coberto por todos os Media, no início da década de 90 foi feito com o patrocínio da Sociedade Figueira Praia...em 2012, os jornalistas e os leitores são tratados como empecilhos. Já antes, a autarquia e o Casino tinham feito o mesmo ao festival de Cinema e continuam a fazer o mesmo ao espólio do Zé Poeta sobre o mesmo. Depois acabaram com as salas, o piano bar... O dinheiro do jogo não pode ir para os mesmos bolsos de sempre. Os figueirenses estão desanimados e é quase Natal! 



O editorial que não queria fazer com a notícia que não queria dar
Editorial de 23.11.2012 do Jornal O Figueirense

A administração da empresa proprietária deste semanário comunicou-me a interrupção da publicação de «O Figueirense» no final do corrente ano, ou seja, o último número desta série será o de 28 de dezembro.
Entendi que não poderia deixar de o comunicar aqui, ainda que não me seja cómodo ser eu a fazê-lo, nem me sinta confortável por ficar associado ao encerramento de um semanário quase centenário.
Entendo que era minha obrigação fazer esta comunicação porque nem que tivesse apenas um leitor – a minha mulher… – era devida a explicação e o aviso prévio.
Ora eu tenho deveres para com os leitores, assinantes e colaboradores, e não posso esquecer todos aqueles que aqui anunciaram, ajudando à sustentabilidade da edição.
Pois cá está a notícia que não quera dar: a da morte anunciada de «O Figueirense» para 28 de dezembro!
Dir-me-ão que, como as pessoas, as publicações nascem e morrem e acrescentarão, citando o meu último editorial, que é a vida!
Será, mas ainda assim terá de haver uma razão.
A razão que me foi transmitida foi de natureza financeira. E eu só posso acreditar e só tenho razões para acreditar que a razão é financeira e, como sempre referi à administração, os números são números, não os discuto.
Mas que outra razão poderia ser?
Se acaso fosse a linha editorial, se se quiser, a linha dos meus editoriais, então teria bastado um sinal, um simples sinal, para que eu saísse espontânea, leal e imediatamente pela porta por onde entrei. Eu ando sempre com as chaves do carro no bolso…
Se acaso fossem as eleições autárquicas que por aí vêm, eu teria lembrado que passei por três eleições sem uma nota de reparo, nomeadamente nas autárquicas de há três anos, com elogio de ganhadores e perdedores e até público louvor de um dirigente distrital do Bloco.
Quero aliás referir aqui, expressa e formalmente, que eu só tenho uma agenda, qual seja, no plano jornalístico, a dos leitores e, como diretor, a do acionista.
Por isso, ao contrário do que me foi sugerido e até recomendado, me mantive afastado dos poderes vários, do convívio e dos afetos – exceto daqueles que já eram os meus, pois sou de fidelidades e da lealdade! – que um dia, inevitável e inelutavelmente, cobram ou, pelo menos, condicionam.
Agora, sim, vou andar por aí livre como o passarinho a que abriram a porta da gaiola…
As razões deste encerramento só podem ser, pois, as financeiras.
Como há não muito referiu Marcelo Rebelo de Sousa “já se deu a morte da imprensa regional e local e está a dar-se a morte acelerada da imprensa escrita”.
(Triste) sinal dos tempos.
Joaquim Gil - Diretor

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Foto do Glorioso Peninsular/Casino da Figueira


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Manuel Pina por Pepe em castelhano



MANUEL ANTONIO PINA 1943 - 2012
 "AMOR COMO EN CASA"
 
Vuelvo despacio a tu
sonrisa como quien regresa a casa. Hago
de cuenta que
no es nada conmigo. Distraido recorro
el camino familiar de saudade,
pequeñitas cosas me sujetan;
una tarde en un café, un libro. Despacio
te amo a veces de prisa,
mi amor, y a veces hago cosas que no debo,
retorno despacio a tu casa,
compro un libro, entro en
amor como en casa.
 
" EL MIEDO "
 
Nadie me robará algunas cosas,
ni sobre ellas sabréis transigir;
un pequeño muerto muere eternamente
en cualquier sitio de todo esto.
     Es su muerte que yo vivo eternamente
     quien quiere que yo sea y el sea.
     Mis palabras vuelven eternamente
     a esa muerte
     como, inmovil, al corazón de un fruto.
Seré capaz
de no tener miedo miedo de nada,
ni de algunas palabras juntas  ?

 Traducción de José Miguel Santolaya Silva 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Dia dos Mortos

É o Dia dos Mortos
dos que plantámos
num diáfano céu
de obscuros véus
sagrados e puros
onde a mortalidade dos erros
não toca
mas onde também
o nosso beijo não chega.
É o Dia das Sortes
que os americanos
transformaram em abóboras....
dias sem norte
fósforos sem glórias.
Pfff

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Juros dos empréstimos bancários

Os juros dos empréstimos bancários:
que justificação têm e porque não deveríamos pagá-los?

por Juan Torres López [*]
Qualquer pessoa que tenha precisado de devolver um empréstimo sabe o que significam os juros na hora de pagá-lo. Um empréstimo recebido, por exemplo, a 7% ao ano suporia ter de devolver quase o dobro do capital recebido ao fim de dez anos.

Tanto é o peso dos juros acarretados pelos empréstimos que durante muito tempo considerou-se que cobrá-los acima de determinados níveis mais ou menos razoáveis era considerado não só um delito de usara como também uma acção imoral, ou inclusive um pecado grave que condenaria para sempre quem o cometesse.

Hoje em dia, contudo, quase todos os governos eliminaram essa figura delitiva e parece a toda gente natural que se cobrem juros legais de até 30% (isto é o que cobram neste momento os bancos espanhóis aos clientes que ultrapassam a sua linha de crédito) ou que haja países afundados na miséria não exactamente pelo que devem e sim pelo montante dos juros que hão de pagar.

Os países da União Europeia renunciaram a ter um banco central que os financiassem quando precisassem dinheiro e portanto têm que recorrer à banca privada. Em consequência, ao invés de financiarem-se a 0%, ou a um juro mínimo que simplesmente cobrisse os gastos da administração da política monetária, têm de fazê-lo e 4, 5, 6 ou inclusive a 15% em certas ocasiões. E isso faz com que a cada ano os bancos privados recebam entre 300 mil milhões e 400 mil milhões de euros em forma de juros (tenho, então, de explicar quem esteve e porque por trás da decisão de que o Banco Central Europeu não financiasse os governos?),

Os economistas franceses Jacques Holbecq e Philippe Derudder demonstraram que a França teve de pagar 1,1 mil milhões de euros em juros desde 1980 (quando o banco central deixou de financiar o governo) até 2006 para fazer frente à dívida de 229 mil milhões existente nesse primeiro ano (Jacques Holbecq e Philippe Derudder,La dette publique, une affaire rentable: A qui profite le système?, Ed. Yves Michel, París, 2009). Ou seja, se a França houvesse sido financiada por um banco central sem pagar juros teria poupado 914 mil milhões de euros e a sua dívida pública seria hoje insignificante.

Na Espanha verificou-se o mesmo. Nós já pagámos, por conta dos juros (227 mil milhões no total desde então), três vezes a dívida que tínhamos em 2000 e apesar disso ainda continuamos a dever o dobro do que devíamos nesse anos (Yves Julien e Jérôme Duval, España: 
Quantas vezes teremos de pagar uma dívida que não é nossa? ). Eduardo Garzón calculou que se um baco central houvesse financiado os défices da Espanha desde 1989 até 2011 a 1%, a dívida agora seria também insignificante, de 14% do PIB e não de quase 90% (Situação do cofres públicos se o estado espanhol não pagasse juros de dívida pública) .

E o curioso é que este juros que os bancos cobram às pessoas, às empresas ou aos governos e que lastram continuamente a sua capacidade de criar riqueza não têm justificação alguma.

Poder-se-ia entender que alguém cobrasse um determinado juro quando concedesse um empréstimo a outro sujeito se, ao fazê-lo, renunciasse a algo. Se eu empresto a Pepe 300 euros e isso me impede, por exemplo, de passar um fim de semana de férias com a minha família poderia talvez justificar-se que eu lhe cobrasse um juro pela renúncia que faço das minhas férias. Mas não é isso o que acontece quando um banco empresta.

O que a maioria das pessoas não sabe, porque os banqueiros encarregam-se de dissimular e de que não se fale disso, é que quando os bancos emprestam não estão a renunciar algo porque, como dizia o Prémio Nobel da Economia Maurice Allais, o dinheiro que emprestam não existe previamente e, na verdade, é criado ex nihilo, ou seja, do nada.

O procedimento é muito simples e o explicamos, Vicenç Navarro e eu, no nosso livro
Los amos del mundo. las armas del terrorismo financiero (p. 57 e seguintes):
Capa de 'Los amos del mundo'."Suponhamos que Pedro se deixa convencer por um banqueiro e deposita os 100 euros de que dispõe num banco, em troca do recebimento de um juro de 4% ao ano. Nesse momento, o banco faz duas anotações no seu balanço, que é o livro onde regista suas contas:

- Por um lado, anota que tem 100 euros como um activo (os activos são os bens ou direitos sobre outros possuídos por alguém) e, mais concretamente, em dinheiro metálico entregue por Pedro.

- Por outro, anota que tem um passivo (os passivos são as obrigações de alguém) de 100 euros, uma vez que esse dinheiro é na realidade do Pedro e terá que ser devolvido no momento em que ele o reclame.

Ao ser feito este depósito tão pouco mudou a quantidade de dinheiro na economia. Continua a haver 100 euros, ainda que agora estejam fisicamente em outro lugar, na caixa do banco.

Agora suponhamos que outra pessoa, Rebeca, precisa de 20 euros e vejamos o que acontece na economia se Pedro lhe empresta essa quantia ou se for o banco que o faz.

Se Pedro tem 100 euros e dá 20 em empréstimo a Rebeca a quantidade dinheiro existente na economia continua a ser a mesma: 100 euros, só que agora 20 estão no bolso da Rebeca e 80 continuam no de Pedro. O empréstimo entre particulares não alterou a quantidade dinheiro total ainda que produza um efeito importante: Pedro renunciou a poder gastar uma parte do seu dinheiro, os 20 euros que emprestou a Rebeca.

Mas o que acontece se não for Pedro quem dá um empréstimo de 20 euros à Rebeca e sim o banco?

Rebeca irá certamente atemorizada à agência bancária a perguntar-se se o senhor banqueiro lhe fará o favor de concedê-lo. Mas o banqueiro não tem dúvida: desde que recebeu o depósito de Pedro está a pensar que este, com toda a segurança, não vai retirar de repente a quantidade depositada, de modo que se deixar uma parte desses 100 euros depositado para atender aos seus reembolsos e encontrar outra pessoa que deseje um crédito pode fazer um bom negócio desde que lhe cobre mais do que os 4%.

Quando Rebeca chega ao seu banco, o banqueiro esfrega as mãos e, ainda que certamente disfarce para dissimular quem faz o favor a quem, conceder-lhe-á a seguir o empréstimo desejado de 20 euros a uma taxa certamente superior a 4%, digamos que a 7%.

Suponhamos que lhe põe essa quantia à sua disposição num depósito em seu nome e que lhe entrega alguns cheques ou um cartão com os quais pode utilizá-lo.

Quanto dinheiro há na economia no momento em que se concedeu o referido crédito?

Como a imensa maioria das pessoas pensa que o dinheiro é simplesmente o dinheiro legal, responderá que continua a haver 100 euros. Mas se entendemos que o dinheiro é o que é, ou seja, meios de pagamento, veremos claramente que há mais: Pedro pode fazer pagamentos com o seu livro de cheques no valor de 100 euros e Rebeca pode gastar os 20 euros que lhe deram de empréstimo. Portanto, desde o próprio momento em que se tornou efectivo o empréstimo, na economia há 120 euros em meios de pagamento. Não foram criadas nem moedas nem papel-moeda (continua a existir no valor de 100 euros) mas sim meios de pagamentos a que chamamos dinheiro bancário no valor desses 20 euros".
É assim que os bancos criam dinheiro a partir do nada quando dão um empréstimo. O banco cria dinheiro na medida em que cria dívida, mas o certo é que esta também se cria a partir do nada: simplesmente anotando o banco no activo do seu balanço que os 100 euros que Pedro havia depositado convertem-se agora em 80 mantidos na caixa e 20 num empréstimo concedido a Rebeca e que esta se obriga a devolver. Se não fosse assim, se o dinheiro que os bancos criam não nascesse do nada, a quantidade de dinheiro não poderia aumentar, uma vez que um bilhete ou uma moeda não se podem reproduzir a partir de si mesmos.

E se soubermos estas coisas tão simples já poderemos responder à pergunta do título: como se justifica que os bancos cobrem juros quando concedem empréstimos e por que não deveríamos pagá-los?

A resposta é clara: não há nenhuma justificação e não deveríamos pagá-los porque procedem de dinheiro criado do nada. Se os pagamos é só porque os banqueiros têm um privilégio exorbitante que nos impõem graças ao seu enorme poder.

Uma agência pública poderia criar esses meios de pagamento sem ânimo de lucro e sem nenhum custo, simplesmente controlando para que se mantenha a proporção adequada entre actividade económica e meios de pagamento.

Mas quando a criação de dinheiro é convertida no negócio da banca, é lógico que esta o cria sem cessar, promovendo a maior geração de dívida possível. A banca privada tende assim a aumentar a circulação monetária sem necessidade, artificialmente, e sem que ao mesmo esteja a aumentar a circulação de activos reais (porque isto obviamente não está ao seu alcance).

Está é a razão para que aumente tanto a dívida e não a de vivermos acima das nossas possibilidade ou de se gastar muito em educação ou saúde, como nos dizem sempre.

Já sabemos portanto o que é preciso fazer para que a economia funcione muito melhor: acabar com o privilégio da banca e impedir que possa criar dinheiro a partir do nada aumentando a dívida.

Outro dia explicarei a forma alternativa como poderia funcionar perfeitamente o sistema bancário sem que os banqueiros desfrutem deste privilégio que nos arruína constantemente.

23/Outubro/2012
[*] Professor catedrático do Departamento de Teoria Económica na Universidade de Sevilha.

O original encontra-se em 
http://juantorreslopez.com/ 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Europa a duas velocidades: Portugal à frente e França atrás


Pergunta que enviei para a UE através do Portal UE


O Estado pode permitir aos privados, franceses e espanhois, terem cisternas de combustível enterradas nos jardins, para aquecimento, sem verificar, ao longo dos anos, se têm fissuras? É o caso de uma cisterna que, há três dias, verte combustível e afeta todas as casas. provocando vómitos, palpitações e dor de cabeça. Em Portugal só às empresas se permite tal coisa. E não há em França, como em Portugal, uma polícia como a ASAE, que fiscaliza tudo o que tem a ver com higiene e saúde pública? Por exemplo, eu trabalho numa redação com alcatifa que nunca é lavada e já sofremos duas pulverizações contra as pulgas enquanto fazíamos as notícias. Nada disto parece normal. Também não parece normal os restaurantes e demais estabelecimentos abertos ao público, incluindo centros comerciais, e instituições francesas não terem wc para serviço dos utentes. Há uma Europa onde se cumpre e outra que passa ao lado de todos os princípios básicos da nossa civilização europeia?
Agradeço que me respondam com uma certa urgência, já que o problema do fuel subterrâneo se arrasta há três anos e piorou com esta nova fuga, intoxicando todos à passagem.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Erasmus festeja 25 anos

A Visão apresenta testemunhos sobre o Erasmus. O da minha filha Marta está "delicioso"


Marta Beja, Liverpool, Psicologia, 2003

sábado, 20 de outubro de 2012

Homenagem a Manuel Pina, Poeta Vivo

Dou-te o meu poema, Manel, um....
---
É simples poetar como se o mundo
de gente com auréolas de espuma
e bolinhas gordas a fazerem balão e
a dizerem "sim quero"
distorcem a realidade
o mundo fazer de conta que sim
que o quotidiano não é nada de mais
se fizermos como a pastilha elástica
e planearmos um mundo de nim e sal:
nim para zen
e sal para acordar das mágoas divinalmente
que os balões rebentam
quando se desvanecem no horizonte.

Poetar brilhantemente o manto roto
em que tropeço, absorta e tonta,
como se o mundo fosse meu
e um corvo lembrasse num repente
que nim não é nem não nem sim
e que para zen
o sal greta as vagens.
O mundo exige histórias
e a alma da escriba inscrita nas viagens...------------------------------------------

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Uma carta pertinente e pública


Joaquim Amaro
Urbanização Quinta João de Ourém, Lote 8- 2.º Direito
8700-132 Olhão


                                   
                                               Exmo. Senhor
                                               Doutor Miguel Macedo
Ministro da Administração Interna
Praça do Comércio
                                               1149-015 Lisboa

Registada c/ Aviso de Receção

                                                                               Olhão,25/09/2012

Senhor Ministro,

Com os meus cumprimentos, dirijo-me a V. Excelência verberando as suas recentes declarações que transcrevo:

“Portugal é um País com muitas cigarras e poucas formigas”

Esta sua afirmação leva-me a concluir que o Senhor Ministro por ignorância ou desconhecimento, não sabe interpretar o sentido da fábula da cigarra e da formiga.

Eu explico:

As formigas são a maioria dos Portugueses que o Senhor ofendeu com a sua infeliz afirmação, que trabalham (aqueles que têm trabalho) e levam para casa uns míseros trocos para o sustento das suas famílias.

Para que o Senhor Ministro meça no futuro as suas palavras, não resisto a contar-lhe a fábula como eu a conheço:

Aqui vai, nasci no longínquo ano de 1939 numa freguesia rural do Alentejo.
Sou filho de um camponês que tinha mais cinco descendentes, sendo eu o mais velho.

A formiga era o meu pai que trabalhava de sol a sol (assim como uma grande parte dos portugueses).

Ouso perguntar-lhe: O Senhor Ministro alguma vez na sua vida ouviu cantar o galo? Eu disse galo, não disse cigarra, essa certamente já a ouviu, porque elas só cantam com o sol em pleno.

Era precisamente à hora que os galos cantavam no verão entre as 4,30 horas e as 5,00 da manhã que ele se levantava para ir trabalhar. Levava no alforge um bocado de pão, azeitonas, toucinho ou chouriço, quando o havia e iniciava mais um dia de calvário calcorreando cerca de 2 léguas a pé para chegar à Quinta de São Pedro, onde trabalhava.

Chegado ali, dirigia-se às cavalariças para aparelhar as mulas, dar-lhes de beber e alguma ração e em seguida iniciava os trabalhos consoante a época do ano e que consistiam, em lavrar e arar a terra, semear, mondar, ceifar, debulhar as sementes e muitos outros serviços inerentes à atividade agrícola.

O Senhor Ministro antes de dizer aquelas “palermices” tem consciência do que é estar à boca de uma debulhadora ou a ceifar sob o tórrido sol do Alentejo? Eu respondo por si; não tem porque o Senhor nasceu em berço de ouro.

Quando o sol desaparecia no horizonte, no verão cerca das 21,00 horas, dirigia-se às cavalariças, desaparelhava o gado, dava-lhes água, palha e ração e regressava a casa, muitas vezes debaixo de grandes intempéries (isto no inverno, como é óbvio), atravessando ribeiras e trilhando caminhos cheios de lama, muitas vezes às escuras e com um feixe de lenha às costas para os filhos se aquecerem no inverno. Ceava qualquer coisa e deitava-se mais morto do que vivo, porque muitos dias não conseguia dormir com as dores que sentia no corpo.

O Senhor imagina o que é fazer este ritual todos os dias do ano, praticamente sem um dia de descanso a não ser no dia de festa da aldeia, sim, porque neste tempo não havia feriados, nem fins-de-semana.

Tudo isto para trazer para casa uma jorna de 105 escudos por semana, correspondente a 7 dias a 15 escudos diários.

 Depois do meu pai chegar a altas horas da noite a minha mãe ia à mercearia do Sr. Silvério, pagar o avio da semana para poder trazer o outro para a semana seguinte, porque se não o fizesse não havia seguinte.

O Senhor Ministro comeu alguma vez pão com 8 dias ou mais?

Com certeza que não porque o Senhor nunca comeu o pão que o diabo amassou, como diz o povo do qual se arvora em defensor.

O Senhor alguma vez ouviu falar nas cadernetas de racionamento?

Certamente pensará que estou a ironizar. Não estou não senhor. Não se trata de uma caderneta de cromos era um livrinho que foi distribuído às famílias para controlar o consumo a que estavam autorizados e obrigados ao tempo.

Sabe o Senhor Ministro o que é que esta formiga amealhou durante os anos em que viveu e tanto se sacrificou? Eu digo-lhe, miséria e fome, tal como alguns milhões que o senhor infelizmente apelida de cigarras.

Sabe qual foi a escolaridade dos meus irmãos? Nenhum chegou à 4.ª classe, porque tiveram que ir guardar porcos e trabalhar no campo para minorar a pobreza do agregado familiar.

Agora espero que tenha compreendido na verdadeira aceção da palavra, o papel da formiga, comento o papel da outra interveniente na fábula.

A cigarra é o Senhor que está no governo e muitos outros que por lá têm passado que conduziram o País à miséria e quase à bancarrota, arvorando-se em defensores dos desprotegidos e dos mais pobres, que são afinal as únicas vítimas da crise e dos desmandos que os senhores estão a praticar e praticaram.

A cigarra são os senhores bem-falantes que estão na Assembleia da República, com bons vencimentos, mordomias e privilégios que ninguém tem, que se intitulam defensores do povo. Qual povo, qual carapuça, os senhores são é defensores dos “tachos” quando aí estão e quando saem para a vida privada. Afirmam muitos que para servir o País e a bem de Portugal, estão a perder dinheiro.

Como tenho pena dos “coitados”. Porque não experimentam viver com o salário mínimo nacional durante uns anos? Porque não têm a reforma só aos 65 anos como a maioria dos portugueses, aqueles que apelidam de cigarras?

A cigarra leva a vida a cantar é o que vocês fazem tentando adormecer os portugueses. Cuidado que eles estão a despertar e o feitiço pode voltar-se contra o feiticeiro e de repente o tapete desaparece debaixo dos vossos pés e ainda podem vir a ser responsabilizados pelo mal que têm feito a este triste País.

Levam uma vida faustosa e de luxúria com bons carros, motoristas, grandes banquetes e sabe-se lá mais o quê e ainda têm o descaramento de chamar “cigarras” aos desgraçados que têm espoliado escandalosamente, contrariando inclusive a própria Constituição da República. Os Senhores foram mandatados para nos governar, não para nos “desgovernar”.

Sabe o Senhor Ministro porque temos muitas cigarras e poucas formigas, eu explico:

Porque os senhores são muitos e para cúmulo mandaram quase um milhão de formigas para o desemprego e para a miséria. Foram os senhores e os vossos antecessores, que mercês das vossas políticas desastrosas acabaram com o aparelho produtivo do País.

Foram os políticos que estiveram nos sucessivos governos que, escudados na obrigatoriedade de cumprirem diretivas emanadas da União Europeia, acabaram com a agricultura, com as pescas e outras atividades que eram o sustentáculo da produção nacional ao ponto de não sermos mais autossuficientes em alguns produtos.

O Senhor Ministro lembra-se ou alguma vez viu os campos verdejantes do Alentejo cobertos de trigo, cevada, grão, milho e outros cereais? Lembra-se de campos cobertos de papoilas e malmequeres?

Sabe o que vejo atualmente nesses campos outrora verdejantes e cultivados?

Vejo-os ao abandono e desertificados.

Triste realidade a que nos conduziram. Houve evolução depois do 25 de Abril, houve sim senhor. O País melhorou em muitos aspetos; melhorou sim senhor. Piorou noutros; piorou.

Deixou de haver respeito e palavra de honra, não se respeitam as autoridades, as instituições, os professores, os mais velhos e quanto à palavra de honra à gente que não sabe o seu significado, incluindo os políticos do seu governo que hoje dizem uma coisa e amanhã outra. Diz-se que navegam à vista, eu, diria navegam ao sabor das correntes, isto é, dos seus interesses.

É por causa das vossas políticas que as empresas abrem falência diariamente e são mandados para o desemprego milhares de portugueses que vão engrossar o número das “cigarras”.

O mais grave é que teimosamente os senhores não reconhecem os vossos erros.

A seu tempo o Imperador Napoleão Bonaparte censurou um dos seus generais de brigada e disse-lhe o seguinte:

“Junot o mal não está no erro, está na persistência do erro”

Este recuou na sua estratégia. Os senhores também recuam para depois investirem de forma mais austera, tendo sempre como destinatários os mais desfavorecidos e aqueles que trabalham.

Em suma, sempre os mesmos.

Dizem as cigarras estar preocupadas com a justiça, com a corrupção, com a fuga ao fisco e muito mais. O Dr. Paulo Morais, sabe e disse-o na televisão e numa entrevista no Correio da Manhã, onde está instalada a corrupção. Porque não lhe perguntam?

Certamente que ele vai colaborar e eu também, dizendo que estão instalados na Assembleia da República que é afinal o centro de todas as decisões.

Os lobby’s e os interesses instalados não abdicam dos seus privilégios e assim torna-se muito difícil tomar medidas estruturais.

Os problemas de Portugal além de estruturais são económicos. Se não produzimos, não exportamos e diminuímos o consumo interno.

Diminuindo o consumo interno asfixiamos o mercado nacional e somos obrigados a importar, fator que implica o agravamento da nossa balança comercial.

Deixo estas apreciações aos senhores economistas que tudo sabem, mas, que raramente estão em sintonia com as causas com que nos debatemos.

 Não vou alongar-me mais Senhor Ministro, apesar de ter muito para lhe dizer. Quando assisto aos debates na Assembleia da Republica, quase sempre nas vossas interpelações, oiço alguns gracejos, pelo que não devo bater-lhe mais, para não o deixar cheio de nódoas negras, mais, do que aquelas que já tem com a sua atuação que espero em breve ver julgada pelos portugueses.

O Senhor Ministro sabe a tristeza que eu sinto, quando perpasso o olhar pelo hemiciclo e oiço os senhores falarem em sacrifícios que os portugueses precisam de fazer para sair da crise e vejo um grupo de “emproados e anafados deputados”, defendendo as suas damas e acusando-se uns aos outros. Sim porque a culpa é sempre dos outros.

Senhor Ministro depois de ter ofendido a maioria dos portugueses que o elegeram, sugiro-lhe que se demita ou apresente a todos as suas desculpas, dizendo que as suas palavras foram deturpadas e foram reproduzidas fora de contexto? Aliás o final da sugestão é o que normalmente acontece quando os governantes metem “a pata na poça” como diz o povo. Reconhecer os erros é humildade, precisamente o contrário de arrogância.

Ouso perguntar-lhe se já viu a foto da menina que na manifestação de 19 do corrente junto ao Palácio de Belém, está a abraçar um polícia e que está a correr mundo nas redes sociais?

Se ainda não viu; veja que é elucidativa. Espero que o pobre coitado não seja castigado, pois, apesar de ter muita vontade, não esboçou sequer um sorriso apesar de a garota ser linda e muito ternurenta.

Penso que o elucidei sobre a verdadeira essência da fábula acima descrita para que não cometa mais “argoladas”

Reitero os meus cumprimentos,


 .

Joaquim Amaro
B.I. 1346083


 Nota - Esta carta respeita as normas do novo acordo ortográfico.

COM CONHECIMENTO: Aos Grupos Parlamentares do P.S.D. / P.S. / C.D.S./P.P. / P.C. / B.E. E P.E.V..