Neste final de 2011 sinto um pouco de nostalgia pelas expetativas frustradas de 2011. Não apenas por mim, suavemente embalada por 12 anos de contrato renovável bienal na euronews, participado pela RTP, e já empolgada, pessoal e profissionalmente, em novos projetos. Mas, em virtude do choque da elucidação das mentiras por causa da duplicação da dívida de Portugal durante a legislatura de Sócrates, que ninguém responsabiliza penalmente, nem sequer questionando a fortuna acumulada com provas que circulam pelos mails de todos os cidadãos com um pouco de cibersenso.
O que me doi é muito mais profundo e, acho, não tem cura: dói-me a mulher do empregado devoto de uma fábrica que vende a placa comemorativa de prata pelos 30 anos de serviço. Vende-a por o marido estar desempregado pela primeira vez na vida e ela não ter como comprar a comida que deve fazer em casa. Porque as mulheres do país ainda gerem, geram e maternam, trabalham, multiplicam e sonham. Só o Estado as desgoverna. Desgovernou desde os anos 70 com as bençãos da pílula e da liberdade, retirando qualquer apoio às famílias numerosas, através da suavização dos impostos ou mesmo a atribuição de subsídios, como na Alemanha e em França.
Aqui, em Écully, todas as jovens famílias têm entre três a quatro crianças. Nunca imaginei comover-me com a saída das escolas, o desfilar de mamãs como quando eu era pequena e tínhamos todos quatro e cinco irmãos.
Na verdade, esse passado foi padrasto e estas famílias antigas foram muito penalizadas com as alterações sociais. Ficaram mutiladas de irmãos e irmães, pais e mães. Muitas histórias explicarão os factos,
Por mim, que perdi mais uma irmã este ano, sublinho a dimensão negra dos sacrifícios: como o da senhora que vendeu o segundo serviço de talheres de prata para pagar um tratamento que devia fazer fora de Portugal mas que receia.
Não posso terminar este apontamento sem denunciar que o Bino Pombo, grande fotógrafo e amigo, morreu de ataque cardíaco no hospital, quando estava na lista de espera para um cateter. Também perdemos o Carlinhos Cardoso. O Traqueia salvou-se.Lustrem as pratas e os ouros das velhas casas de barões arruinados. Parece que dão jeito.
2012 será o ano de serviço da eurolândia. Vamos acreditar que será um ano de consciencialização, de integração na eurolândia e participação, absolutamente euronewsiana.
Sem ter de vender mais tesouros pessoais para assegurar o que devia estar, por natureza, assegurado: trabalho, saúde, educação e pão.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Londres e Paris precisam de nova "entente cordiale"
As relações entre Paris e Londres estão azedas desde a cimeira europeia de Bruxelas. Nicolas Sarkozy chegou mesmo ao ponto de evitar o cumprimento a David Cameron depois de se defazer em gentilezas com os 26 outros parceiros.
Sarkozy ainda sublinhou mais o isolamento em relação ao Reino Unido quando deu uma conferência de imprensa a seguir ao acordo sobre a reforma do tratado proposta pelo eixo franco-alemão.
"- Relativamente ao desacordo dos britânicos, é muito simples: para aceitar a reforma a 27, David Cameron pediu o que todos os outros consideraram inaceitável: um protocolo que exonerasse o Reino Unido de um certo número de regras sobre os serviços financeiros".
Mas, longe dos microfones, o presidente francês terá sido mais acutilante: o "Chanard Enchainé" cita: "Cameron portou-se como um menino mimado"
Para o 'Daily Telegraph, diário conservador britânico, é evidente que França aceitou mal a bofetada de luva branca e declarou uma guerra das palavras ao Reino Unido.Como exemplo, o diário transcreve as declarações do ministro francês de Economia, François Baroin:
"- Não somos ninguém para dar lições, mas também não para receber. Aprendemos algo e é verdade que a situação económica do Reino Unido é hoje muito preocupante; é preferível ser francês a britânico ..."
"- Porque os provoca?"
"- Porque não queremos receber lições".
Sinal que "o chapéu assentou à medida", como diz a gíria popular relativa a uma resposta à altura.
Perante a possibilidade da França perder a triplo A, o governador do Banco de França, Christian Noyer, também "pegou na foice para cortar em seara alheia" e sugeriu às agências que degradem mais nota de Reino Unido do que a dos países da zona euro.
A relações entre Sarkozy e Cameron, como foram ostentadas na Líbia, precisam de uma nova "entente cordiale"... nome dado ao bloco formado pela República de França e pelo Império Britânico com os aliados, na Primeira Guerra Mundial.
Sarkozy ainda sublinhou mais o isolamento em relação ao Reino Unido quando deu uma conferência de imprensa a seguir ao acordo sobre a reforma do tratado proposta pelo eixo franco-alemão.
"- Relativamente ao desacordo dos britânicos, é muito simples: para aceitar a reforma a 27, David Cameron pediu o que todos os outros consideraram inaceitável: um protocolo que exonerasse o Reino Unido de um certo número de regras sobre os serviços financeiros".
Mas, longe dos microfones, o presidente francês terá sido mais acutilante: o "Chanard Enchainé" cita: "Cameron portou-se como um menino mimado"
Para o 'Daily Telegraph, diário conservador britânico, é evidente que França aceitou mal a bofetada de luva branca e declarou uma guerra das palavras ao Reino Unido.Como exemplo, o diário transcreve as declarações do ministro francês de Economia, François Baroin:
"- Não somos ninguém para dar lições, mas também não para receber. Aprendemos algo e é verdade que a situação económica do Reino Unido é hoje muito preocupante; é preferível ser francês a britânico ..."
"- Porque os provoca?"
"- Porque não queremos receber lições".
Sinal que "o chapéu assentou à medida", como diz a gíria popular relativa a uma resposta à altura.
Perante a possibilidade da França perder a triplo A, o governador do Banco de França, Christian Noyer, também "pegou na foice para cortar em seara alheia" e sugeriu às agências que degradem mais nota de Reino Unido do que a dos países da zona euro.
A relações entre Sarkozy e Cameron, como foram ostentadas na Líbia, precisam de uma nova "entente cordiale"... nome dado ao bloco formado pela República de França e pelo Império Britânico com os aliados, na Primeira Guerra Mundial.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Patricia
- resolvi publogá-lo depois de o enviar para uma amigo. Gostei de o reler.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
dei-te moedas, flores, água de Lourdes e de Fátima
dei-te a alma, dei-te o tempo, mas não o sangue como corre nas veias
foi como vento fútil de que não precisavas...
que poderia fazer sem ter de cortar os meus bocados sãos para os trocar pelos teus?
Irmã que voaste sem asas
Irmã que estoiraste com o meu livre arbítro na fortuna sorteada
Irmã terra, barro, carne, irmã bela de raiva, soberba de desvario
morta irmã tão viva que sublimaste um riso indecente na memória, com gargalhadas
e cigarros e fumo a evolar-se
e vinho à mesa e mãos nos pés dos cálices
mãos alegres e nervosas de bem estar
Deus Meu que a vida agride
porque te dei postais e fotos e poemas e posts e almofadas
e nada tu levaste para esse canto de agruras do escuro forno
onde te lamentámos e tu, decerto, cantavas
por ausência de dor e esse abraço de valsinhas sorridentes
em que projetámos o nosso amor.
--
mjc
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
dei-te moedas, flores, água de Lourdes e de Fátima
dei-te a alma, dei-te o tempo, mas não o sangue como corre nas veias
foi como vento fútil de que não precisavas...
que poderia fazer sem ter de cortar os meus bocados sãos para os trocar pelos teus?
Irmã que voaste sem asas
Irmã que estoiraste com o meu livre arbítro na fortuna sorteada
Irmã terra, barro, carne, irmã bela de raiva, soberba de desvario
morta irmã tão viva que sublimaste um riso indecente na memória, com gargalhadas
e cigarros e fumo a evolar-se
e vinho à mesa e mãos nos pés dos cálices
mãos alegres e nervosas de bem estar
Deus Meu que a vida agride
porque te dei postais e fotos e poemas e posts e almofadas
e nada tu levaste para esse canto de agruras do escuro forno
onde te lamentámos e tu, decerto, cantavas
por ausência de dor e esse abraço de valsinhas sorridentes
em que projetámos o nosso amor.
--
mjc
Editoria:
Patricia de Medeiros,
Poemas da guerra,
Tuxa
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
55 milhões para a Lusa ...euronews só quer 2
A agência noticiosa Lusa receberá do Estado pela renovação do contrato de serviço público celebrado para o triénio 2010-2012 um total de 55.524.443,06 euros, divulgou hoje o Diário da República.
O montante total corresponde a 17.735 euros inscritos para o exercício de 2010, 18.640 em 2011 e 19.147 destinados ao exercício de 2012.
Confrontado com este aumento, o presidente do conselho de administração da Lusa, Afonso Camões, explicou que “o montante líquido anual que a Lusa recebeu e irá receber é o mesmo, cerca de 15 milhões de euros. As variações apenas têm que ver com a actualização da inflação e do IVA”, ao longo do triénio, esclareceu.
A Lusa apresentou em 2010 resultados líquidos de 654 mil euros e distribui aos accionistas dividendos na ordem dos 327 mil euros. A agência de notícias registou, por outro lado, no final do terceiro trimestre do ano em curso lucros de 1,94 milhões de euros. “Uma parte deste crescimento deve-se à redução da massa salarial entre 5 e 10 por cento em 2011, determinada pelo Governo”, indicou ainda Afonso Camões.
A Lusa e o Estado assinaram um contrato de prestação de serviço público em 31 de Julho de 2007 que “reconhece o interesse público dos serviços noticiosos e informativos prestados por esta sociedade e define as regras de pagamento da respectiva indemnização compensatória”, cujo termo inicial de vigência foi definido até 31 de Dezembro de 2009, tendo sido entretanto renovado “automaticamente, por um período de três anos, nos termos contratualmente estabelecidos”, esclarece o Diário da República.
A resolução do Conselho de Ministros agora publicada vem regularizar “a existência de uma situação contratual de facto sem que a repartição do encargo orçamental em mais do que um ano económico tenha sido objecto de autorização expressa”, explicita ainda o documento.
O montante total corresponde a 17.735 euros inscritos para o exercício de 2010, 18.640 em 2011 e 19.147 destinados ao exercício de 2012.
Confrontado com este aumento, o presidente do conselho de administração da Lusa, Afonso Camões, explicou que “o montante líquido anual que a Lusa recebeu e irá receber é o mesmo, cerca de 15 milhões de euros. As variações apenas têm que ver com a actualização da inflação e do IVA”, ao longo do triénio, esclareceu.
A Lusa apresentou em 2010 resultados líquidos de 654 mil euros e distribui aos accionistas dividendos na ordem dos 327 mil euros. A agência de notícias registou, por outro lado, no final do terceiro trimestre do ano em curso lucros de 1,94 milhões de euros. “Uma parte deste crescimento deve-se à redução da massa salarial entre 5 e 10 por cento em 2011, determinada pelo Governo”, indicou ainda Afonso Camões.
A Lusa e o Estado assinaram um contrato de prestação de serviço público em 31 de Julho de 2007 que “reconhece o interesse público dos serviços noticiosos e informativos prestados por esta sociedade e define as regras de pagamento da respectiva indemnização compensatória”, cujo termo inicial de vigência foi definido até 31 de Dezembro de 2009, tendo sido entretanto renovado “automaticamente, por um período de três anos, nos termos contratualmente estabelecidos”, esclarece o Diário da República.
A resolução do Conselho de Ministros agora publicada vem regularizar “a existência de uma situação contratual de facto sem que a repartição do encargo orçamental em mais do que um ano económico tenha sido objecto de autorização expressa”, explicita ainda o documento.
Editoria:
estado português,
euronews,
lusa,
rtp. salários
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Grande Prémio de Motocross em Torres Vedras

Enduro World Championship 100 por cento Enduro realiza-se em 2012, pela primeira vez, em Torres Vedras.
São esperados para o Grande Pémio Português, 130 concorrentes de 30 países e mais de 120 televisões vão transmitir o acontecimento.
Depois "publogaremos" mais pormenores.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Parabéns ao Mestre e à Doutora
O grande Mário Silva, pintor de doirados e azuis do Mondego, pintor de sois em Mira e na Figueira, no Cabedelo, no mundo, celebrou 82 anos de idade. No mesmo dia que a nossa querida Dra Teresa Coimbra, da Figueira da Foz (também 82 anos de idade).
A estes dois seres especiais, os votos de plenitude, saúde e muito amor desta humilde amiga

Marta, Zezinha (mulher do Mestre)e Ana
A estes dois seres especiais, os votos de plenitude, saúde e muito amor desta humilde amiga

Marta, Zezinha (mulher do Mestre)e Ana
Editoria:
aniversário,
Figueira da Foz,
mário silva,
Teresa Coimbra
O Infocídio - por Rui Tavares no Público
Talvez, muito simplesmente, Miguel Relvas não tenha qualquer interesse em manter informação internacional que ele não controle
e há coisa que se tornou incontestável, é esta: a importância da Europa para o futuro próximo de Portugal. (Há anos, tinha amigos que me diziam “não escrevas tanto sobre a Europa, pá — ninguém quer saber”. Hoje toda a gente quer saber, e esses amigos escrevem sobre a Europa todas as semanas.)
E no quadro dessa evolução incontestável, que faz o Governo? Decide acabar com as emissões em língua portuguesa na Euronews.
Ah, mas diz o leitor. Não há dinheiro. Não podemos certamente dar-nos a esse luxo.
E eu pergunto-lhe: quanto custa ter emissões em português na Euronews? Um pouco menos de dois milhões de euros (os fogos de artifício na Madeira custam três milhões). Em troca desse dinheiro as emissões em língua portuguesa chegam a um universo potencial de cem milhões de casas. Tão importante quanto isso, um canal informativo internacional chega a casa dos portugueses, incluindo os que não falam uma língua estrangeira.
Só no Brasil, onde este canal (que é um consórcio público de televisões públicas) começou a ser emitido há um par de anos, as emissões em português europeu atingem cerca de cem mil assinantes. Um Governo com um mínimo de visão estratégica, mesmo que sem dinheiro, estaria a pensar como procurar parceiros no Brasil (a Tvcultura ou a Tvfutura, por exemplo) para pensar como reforçar, e não diminuir, a componente em língua portuguesa da Euronews.
Mas um Governo com um mínimo de sentido de responsabilidade, mesmo que sem dinheiro, estaria a pensar como preservar este laço, num momento em que (mais do que nunca) é importante que a voz portuguesa não se cale, e que os portugueses ouçam a voz europeia. em por isso toda a razão Ribeiro e Castro, deputado do CDS, quando escreveu sobre este tema (no PÚBLICO de segunda-feira) dizendo “não pode ser”. Espero que o seu artigo sirva para despertar algumas consciências na maioria.
Mas acho que podemos insistir um pouco mais e perguntar-nos “como pode ser”? Como pode ser isto? A Comissão Europeia paga neste momento as emissões da Euronews em árabe, porque certamente pensa que elas têm sentido estratégico para a União Europeia. A comissária Viviane Reding já disse várias vezes que a Comissão Europeia está disposta a apoiar financeiramente o leque de idiomas da Euronews.
Como pode ser então que o ministro Miguel Relvas não tenha perguntado à Comissão se não pode partilhar esta conta com o Estado português? Um milhão para cada um seria de mais?
Como pode ser que Miguel Relvas, ou Passos Coelho, ou Paulo Portas não tenham dito à Comissão que a língua portuguesa, a caminho de ser falada por 300 milhões de pessoas, deve também ser uma aposta estratégica da União?
Como pode ser que ninguém se tenha ao menos lembrado de apontar à Comissão o exemplo do Brasil, primeiro dos BRIC, e com ele convencê-los a ajudarem-nos a manter as emissões na língua desse país?
Talvez, no fundo, o Governo não esteja interessado em diminuir a conta. Talvez as declarações de João Duque, quando disse que a informação pública deveria ser reduzida ao mínimo e a informação para o estrangeiro filtrada segundo as conveniências do Governo, não tenham sido um acaso. Talvez, muito simplesmente, Miguel Relvas não tenha qualquer interesse em manter informação internacional que ele não controle. Nem que seja de graça.
Rui Tavares, Historiador. Deputado independente ao Parlamento Europeu http://twitter.com/ruitavares
e há coisa que se tornou incontestável, é esta: a importância da Europa para o futuro próximo de Portugal. (Há anos, tinha amigos que me diziam “não escrevas tanto sobre a Europa, pá — ninguém quer saber”. Hoje toda a gente quer saber, e esses amigos escrevem sobre a Europa todas as semanas.)
E no quadro dessa evolução incontestável, que faz o Governo? Decide acabar com as emissões em língua portuguesa na Euronews.
Ah, mas diz o leitor. Não há dinheiro. Não podemos certamente dar-nos a esse luxo.
E eu pergunto-lhe: quanto custa ter emissões em português na Euronews? Um pouco menos de dois milhões de euros (os fogos de artifício na Madeira custam três milhões). Em troca desse dinheiro as emissões em língua portuguesa chegam a um universo potencial de cem milhões de casas. Tão importante quanto isso, um canal informativo internacional chega a casa dos portugueses, incluindo os que não falam uma língua estrangeira.
Só no Brasil, onde este canal (que é um consórcio público de televisões públicas) começou a ser emitido há um par de anos, as emissões em português europeu atingem cerca de cem mil assinantes. Um Governo com um mínimo de visão estratégica, mesmo que sem dinheiro, estaria a pensar como procurar parceiros no Brasil (a Tvcultura ou a Tvfutura, por exemplo) para pensar como reforçar, e não diminuir, a componente em língua portuguesa da Euronews.
Mas um Governo com um mínimo de sentido de responsabilidade, mesmo que sem dinheiro, estaria a pensar como preservar este laço, num momento em que (mais do que nunca) é importante que a voz portuguesa não se cale, e que os portugueses ouçam a voz europeia. em por isso toda a razão Ribeiro e Castro, deputado do CDS, quando escreveu sobre este tema (no PÚBLICO de segunda-feira) dizendo “não pode ser”. Espero que o seu artigo sirva para despertar algumas consciências na maioria.
Mas acho que podemos insistir um pouco mais e perguntar-nos “como pode ser”? Como pode ser isto? A Comissão Europeia paga neste momento as emissões da Euronews em árabe, porque certamente pensa que elas têm sentido estratégico para a União Europeia. A comissária Viviane Reding já disse várias vezes que a Comissão Europeia está disposta a apoiar financeiramente o leque de idiomas da Euronews.
Como pode ser então que o ministro Miguel Relvas não tenha perguntado à Comissão se não pode partilhar esta conta com o Estado português? Um milhão para cada um seria de mais?
Como pode ser que Miguel Relvas, ou Passos Coelho, ou Paulo Portas não tenham dito à Comissão que a língua portuguesa, a caminho de ser falada por 300 milhões de pessoas, deve também ser uma aposta estratégica da União?
Como pode ser que ninguém se tenha ao menos lembrado de apontar à Comissão o exemplo do Brasil, primeiro dos BRIC, e com ele convencê-los a ajudarem-nos a manter as emissões na língua desse país?
Talvez, no fundo, o Governo não esteja interessado em diminuir a conta. Talvez as declarações de João Duque, quando disse que a informação pública deveria ser reduzida ao mínimo e a informação para o estrangeiro filtrada segundo as conveniências do Governo, não tenham sido um acaso. Talvez, muito simplesmente, Miguel Relvas não tenha qualquer interesse em manter informação internacional que ele não controle. Nem que seja de graça.
Rui Tavares, Historiador. Deputado independente ao Parlamento Europeu http://twitter.com/ruitavares
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euronews,
governo português,
relvas,
rtp
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
ainda sobre euronews
Apenas uma precisão; a euronews não é um canal oficioso da União Europeia; e as línguas farsi, espanhola e árabe não dependiam, contratualmente, dos contratos com as televisões públicas dos respetivos estados. A equipa árabe foi despedida e só muitos anos depois reconstituida de novo com outro contrato. A TVE saiu quando quis e a farsi, por motivos óbvios, nada detem. Só a RTP é que fez depender a continuação da Língua Portuguesa do contrato com a euronews!
Ribeiro e Castro em defesa da euronews, contra o apagão
Euronews: contra o apagão por Ribeiro e Castro
Ninguém pode conformar-se com tal destino. Antes pelo contrário: o caminho é a crescente afirmação e circulação da nossa língua como grande língua internacional
ndo inquieto com o possível fim da emissão portuguesa do Euronews. Não pode ser.
Já em 2002- 03, o destino desse serviço andou tremido. Nessa altura, agi nalgumas frentes a partir da posição de deputado ao Parlamento Europeu. E, por várias diligências, minhas e doutros, os problemas resolveram-se: o futuro ficou assegurado no que é o figurino actual.
Hoje, a RTP garante o canal por dois instrumentos: um, a quotização como accionista em 338 mil euros anuais, com direitos de utilização integral do Euronews; outro, um contrato de produção em português, no valor de 1,66 milhões de euros por ano. É este acordo que estará em risco com a falada reestruturação da RTP: diz-se que o canal acaba em Janeiro de 2013, com denúncia até Julho de 2012.
Não pode ser. A lesão aos interesses do português como língua internacional seria de tal ordem que não acredito que isso aconteça. O que está em causa? Três coisas: a nossa língua; a Europa e a ideia que fazemos dela; e o serviço público. m primeiro lugar, a língua. Não podemos dizer que o português é a “terceira língua europeia mais falada no mundo” e, depois, apagá-la por inteiro do ecrã no único canal europeu. O apagão do português do Euronews colocar-nos-ia não na segunda, mas na terceira divisão da competição linguística europeia, atrás, pelo menos, de 12 outras línguas: cairíamos de 3º para 13º.
Imaginemos o Euronews emitindo o Presidente da República a presidir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, no passado dia 9 de Novembro: falou em português e referiu-se à nossa língua. E imagine-se que nós poderíamos ouvi-lo em inglês, em espanhol, em alemão, em francês, em italiano, em romeno, até em russo, em árabe, em turco ou em farsi, mas… não em português! Quando Cavaco recordou que somos a “terceira língua europeia”, qualquer espectador desinformado acharia que estaria a mentir ou a brincar.
Segundo, a Europa. Que ideia fazemos dela e de Portugal na Europa? Saímos da União Europeia? Já desistimos da Europa? Então que sentido faz que deixássemos desaparecer a nossa língua do único projecto europeu de notícias, transnacional e comum, um canal oficioso da União Europeia? Que sentido faz destruir o uso do português nessa alameda central, quando por aí passam interesses e valores estratégicos da nossa afirmação na Europa e no mundo, bem como da lusofonia e da sua percepção global? O apagão no Euronews ajudaria a afundar-nos na periferia e na irrelevância.
Terceiro, o serviço público. A consolidação global do português como grande língua internacional é, sem dúvida, uma missão de serviço público — e de primeira linha. Está adequadamente confiada à RTP, estação de serviço público. Não é ela que paga, somos nós que pagamos. E pagamos bem através da RTP, porque, sendo do meio, é o instrumento público mais adequado para agir no projecto comum Euronews, dele extraindo todas as virtualidades — o que, de resto, bem pode ser melhorado. Mas qualquer outro organismo (como o sugerido Instituto Camões) ou departamento, que fosse escolhido para canalizar a comparticipação portuguesa, andaria perdido e seria um estranho no meio, porque estrangeiro à arte. Ou seja, a cooperação com o Euronews está muito bem confiada à RTP — tem é que ser bem feita, com exigência, critério e propósito estratégico. Euronews cresceu muito, desde a criação em 1993. Quando da minha última intervenção em 2002-03, já chegava a 125 milhões de lares em 78 países. Hoje, é recebido em 256 milhões de lares em 155 países — duplicou! E há ainda o portal Internet, também em português. Por aqui, avaliamos bem o dano colossal à nossa língua, como língua global, que resultaria do apagão no Euronews. Só o serviço televisivo em português é, hoje, recebido em 98 milhões de lares em todo o mundo. Tem 800 mil espectadores diários só em Portugal, mais do que a CNN, a Sky ou a BBC no cabo. E há, acima de tudo, os países da CPLP e outros a que chega e pode chegar.
Compreendo o aperto em que o país vive; e as medidas de rigor a que a RTP não é excepção. Apoio isso. Mas não pode dizer-se que, prevendo a RTP dispensar 300 pessoas, não há como manter o Euronews. Decidir o fim deste canal corresponderia a subir os dispensados para 333 — são 33 no canal europeu em português.
A austeridade e o rigor têm que ser compatíveis com a preservação de interesses estratégicos do país. Exige-se essa finura. E a nossa língua, língua internacional de comunicação, é um deles — e dos principais. Por isso, confio no fim da resposta a uma pergunta parlamentar minha: “O Governo, conforme assumido no seu programa, assegurará e privilegiará a difusão da língua portuguesa no mundo, independentemente do medium.”
Importa garantir que a RTP siga no circuito e tentar negociar melhor com a gestão do Euronews e a Comissão Europeia, pondo em cima da mesa os precedentes do espanhol, do árabe ou do farsi. Mas, se isto não se conseguir e for mesmo impossível assegurar a contribuição financeira via RTP, há que buscar alternativas, como a convocação dos operadores de cabo ao financiamento da produção do canal que também distribuem — mesmo repercutindo o custo nos subscritores, só custaria 75 cêntimos por ano por cliente.
Há que evitar um desenlace totalmente inaceitável: o apagão do português do Euronews. Ninguém pode conformar-se com tal destino. Antes pelo contrário: o caminho é a crescente afirmação e circulação da nossa língua como grande língua internacional
Ninguém pode conformar-se com tal destino. Antes pelo contrário: o caminho é a crescente afirmação e circulação da nossa língua como grande língua internacional
ndo inquieto com o possível fim da emissão portuguesa do Euronews. Não pode ser.
Já em 2002- 03, o destino desse serviço andou tremido. Nessa altura, agi nalgumas frentes a partir da posição de deputado ao Parlamento Europeu. E, por várias diligências, minhas e doutros, os problemas resolveram-se: o futuro ficou assegurado no que é o figurino actual.
Hoje, a RTP garante o canal por dois instrumentos: um, a quotização como accionista em 338 mil euros anuais, com direitos de utilização integral do Euronews; outro, um contrato de produção em português, no valor de 1,66 milhões de euros por ano. É este acordo que estará em risco com a falada reestruturação da RTP: diz-se que o canal acaba em Janeiro de 2013, com denúncia até Julho de 2012.
Não pode ser. A lesão aos interesses do português como língua internacional seria de tal ordem que não acredito que isso aconteça. O que está em causa? Três coisas: a nossa língua; a Europa e a ideia que fazemos dela; e o serviço público. m primeiro lugar, a língua. Não podemos dizer que o português é a “terceira língua europeia mais falada no mundo” e, depois, apagá-la por inteiro do ecrã no único canal europeu. O apagão do português do Euronews colocar-nos-ia não na segunda, mas na terceira divisão da competição linguística europeia, atrás, pelo menos, de 12 outras línguas: cairíamos de 3º para 13º.
Imaginemos o Euronews emitindo o Presidente da República a presidir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, no passado dia 9 de Novembro: falou em português e referiu-se à nossa língua. E imagine-se que nós poderíamos ouvi-lo em inglês, em espanhol, em alemão, em francês, em italiano, em romeno, até em russo, em árabe, em turco ou em farsi, mas… não em português! Quando Cavaco recordou que somos a “terceira língua europeia”, qualquer espectador desinformado acharia que estaria a mentir ou a brincar.
Segundo, a Europa. Que ideia fazemos dela e de Portugal na Europa? Saímos da União Europeia? Já desistimos da Europa? Então que sentido faz que deixássemos desaparecer a nossa língua do único projecto europeu de notícias, transnacional e comum, um canal oficioso da União Europeia? Que sentido faz destruir o uso do português nessa alameda central, quando por aí passam interesses e valores estratégicos da nossa afirmação na Europa e no mundo, bem como da lusofonia e da sua percepção global? O apagão no Euronews ajudaria a afundar-nos na periferia e na irrelevância.
Terceiro, o serviço público. A consolidação global do português como grande língua internacional é, sem dúvida, uma missão de serviço público — e de primeira linha. Está adequadamente confiada à RTP, estação de serviço público. Não é ela que paga, somos nós que pagamos. E pagamos bem através da RTP, porque, sendo do meio, é o instrumento público mais adequado para agir no projecto comum Euronews, dele extraindo todas as virtualidades — o que, de resto, bem pode ser melhorado. Mas qualquer outro organismo (como o sugerido Instituto Camões) ou departamento, que fosse escolhido para canalizar a comparticipação portuguesa, andaria perdido e seria um estranho no meio, porque estrangeiro à arte. Ou seja, a cooperação com o Euronews está muito bem confiada à RTP — tem é que ser bem feita, com exigência, critério e propósito estratégico. Euronews cresceu muito, desde a criação em 1993. Quando da minha última intervenção em 2002-03, já chegava a 125 milhões de lares em 78 países. Hoje, é recebido em 256 milhões de lares em 155 países — duplicou! E há ainda o portal Internet, também em português. Por aqui, avaliamos bem o dano colossal à nossa língua, como língua global, que resultaria do apagão no Euronews. Só o serviço televisivo em português é, hoje, recebido em 98 milhões de lares em todo o mundo. Tem 800 mil espectadores diários só em Portugal, mais do que a CNN, a Sky ou a BBC no cabo. E há, acima de tudo, os países da CPLP e outros a que chega e pode chegar.
Compreendo o aperto em que o país vive; e as medidas de rigor a que a RTP não é excepção. Apoio isso. Mas não pode dizer-se que, prevendo a RTP dispensar 300 pessoas, não há como manter o Euronews. Decidir o fim deste canal corresponderia a subir os dispensados para 333 — são 33 no canal europeu em português.
A austeridade e o rigor têm que ser compatíveis com a preservação de interesses estratégicos do país. Exige-se essa finura. E a nossa língua, língua internacional de comunicação, é um deles — e dos principais. Por isso, confio no fim da resposta a uma pergunta parlamentar minha: “O Governo, conforme assumido no seu programa, assegurará e privilegiará a difusão da língua portuguesa no mundo, independentemente do medium.”
Importa garantir que a RTP siga no circuito e tentar negociar melhor com a gestão do Euronews e a Comissão Europeia, pondo em cima da mesa os precedentes do espanhol, do árabe ou do farsi. Mas, se isto não se conseguir e for mesmo impossível assegurar a contribuição financeira via RTP, há que buscar alternativas, como a convocação dos operadores de cabo ao financiamento da produção do canal que também distribuem — mesmo repercutindo o custo nos subscritores, só custaria 75 cêntimos por ano por cliente.
Há que evitar um desenlace totalmente inaceitável: o apagão do português do Euronews. Ninguém pode conformar-se com tal destino. Antes pelo contrário: o caminho é a crescente afirmação e circulação da nossa língua como grande língua internacional
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Goldman Sachs presente demais nas instrituições e governos europeus
O que têm em comum Mario Dragui, novo diretor do Banco Central Europeu, Lucas Papademos, novo primeiro ministro grego e Mario Monti, novo presidente do Conselho Italiano?
Os três, a nível maior ou menor, fazem parte daquilo a que chamam, nos Estados Unidos, a “Europa de Sachs”.
Goldman Sachs, o todo poderoso banco de negócios americano, assim conhecido por ser acusado de condicionar mercados e governos.
Mario Draghi, formado em economia pelo Massachussets Institute of Technology, depois de ter trabalhado em diferentes conselhos de administração de bancos, foi, de 2002 a 2006, vice- presidente da Goldman Sachs para a Europa, antes de ser nomeado governador do Banco de Itália.
Um posto chave em que uma das missões era vender o produto financeiro “swap” (seguros que cobrem uma obrigação do Estado), que permitia dissimular a dívida soberana dos Estados. Manobra que viabilizou a dissimulação das contas gregas. O banco de negócios americano ajudou a Grécia contra uma remuneração de 300 milhões de dólares, nas operações de “contabilidade criativa” para camuflar uma parte da dívida.
Lucas Papademos era, entre 1994 e 2002, governador do banco central helénico, posto que contribuiu enormemente para fazer o país entrar na zona euro , participando na maquilhagem do Goldman Sachs.
ver aqui
Mario Monti é mesmo um dos antigos de Goldman Sachs. Diplomado pela Universidade de Yale, depois de ter sido comissário europeu, de 1994 a 2004, foi nomeado conselheiro internacional de Goldman Sachs em 2005. Monti e Papademos conhecem bem o funcionamento dos sistemas que é suposto salvarem.
O banco é muito contestado atualmente, pois há suspeições e queixas de fraude, nomeadamente no caso grego, mas também nos subprimes, créditos hipotecários.
Desde Setembro de 2011, o governo americano iniciou vários processos judiciais pelo papel que o banco teve em toda a crise.
Pode colocar-se a questão do conflito de interesses para os homens que estão, hoje, à frente de governos ou instituições europeias.
Os três, a nível maior ou menor, fazem parte daquilo a que chamam, nos Estados Unidos, a “Europa de Sachs”.
Goldman Sachs, o todo poderoso banco de negócios americano, assim conhecido por ser acusado de condicionar mercados e governos.
Mario Draghi, formado em economia pelo Massachussets Institute of Technology, depois de ter trabalhado em diferentes conselhos de administração de bancos, foi, de 2002 a 2006, vice- presidente da Goldman Sachs para a Europa, antes de ser nomeado governador do Banco de Itália.
Um posto chave em que uma das missões era vender o produto financeiro “swap” (seguros que cobrem uma obrigação do Estado), que permitia dissimular a dívida soberana dos Estados. Manobra que viabilizou a dissimulação das contas gregas. O banco de negócios americano ajudou a Grécia contra uma remuneração de 300 milhões de dólares, nas operações de “contabilidade criativa” para camuflar uma parte da dívida.
Lucas Papademos era, entre 1994 e 2002, governador do banco central helénico, posto que contribuiu enormemente para fazer o país entrar na zona euro , participando na maquilhagem do Goldman Sachs.
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Mario Monti é mesmo um dos antigos de Goldman Sachs. Diplomado pela Universidade de Yale, depois de ter sido comissário europeu, de 1994 a 2004, foi nomeado conselheiro internacional de Goldman Sachs em 2005. Monti e Papademos conhecem bem o funcionamento dos sistemas que é suposto salvarem.
O banco é muito contestado atualmente, pois há suspeições e queixas de fraude, nomeadamente no caso grego, mas também nos subprimes, créditos hipotecários.
Desde Setembro de 2011, o governo americano iniciou vários processos judiciais pelo papel que o banco teve em toda a crise.
Pode colocar-se a questão do conflito de interesses para os homens que estão, hoje, à frente de governos ou instituições europeias.
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