terça-feira, 15 de março de 2011
Forças de Khadafi recuperaram bastiões rebeldes
As imagens que vão chegando de Tripoli não são gravadas livremente e mostram a cidade aparentemente calma em relação ao caos que se viveu quando o regime de Kadhafi estava prestes a cair na ofensiva dos insurgentes.
As forças leais a Kadhafi conseguiram inverter a situação e reconquistaram várias cidades rebeldes com todo o arsenal ao dispor.
Há uma guerra civil em curso, mas em Tripoli não se vê nada, como assegurou o correspondente e chefe da equipa árabe da euronews, Ryad.
"Foi aqui que Kadhafi pronunciou o discurso em que prometeu incendiar a Líbia. Mas, em Trípoli, a capital do país, nada indica que há guerra noutros pontos do país, como em Ras Lanouf ou Zawiyah."
Na capital, os pró-Kadhafi são os únicos que se atrevem a falar. O risco é demasiado grande para os outros. As forças governamentais reprimem violentamente qualquer oposição com detenções arbitrárias, desaparecimentos e tortura.
O medo e a propaganda são usados como armas de guerra psicológica, tão letais como as de fogo. O porta-voz do exército, no fim de semana, demonstrou como funciona:
"Está tudo muito bem, a maioria das cidades atacadas foi libertada. Nem sequer foi necessário uma grande ofensiva, porque não passam de um bando de ratos a aterrorizar os civis. Em todas as cidades em todas as zonas onde chegam as Forças Armadas do Povo, eles limitam-se a levantar as mãos e a render-se."
Nem os protestos internacionais, nem o embargo sobre as armas ou as sanções financeiras...nada parece travar a determinação de Khadafi, que, de qualquer modo, prometeu morrer como mártir na Líbia natal. E tem meios para esmagar a revolta. Mesmo que renuncie aos bombardeamentos tem supremacia militar em realção aos rebeldes.
Kadhafi também conta com o apoio incondicional das temidas milícias. A famosa quinta brigada, conhecida como Brigada Khamis, está especialmente bem equipada e treinada.
Também há um aparelho de segurança interna, os mercenários e os apoios tribais.
Toda uma rede de pessoas dispostas a darem a vida pelo regime.
domingo, 6 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
artigo de interesse público de Pedro Afonso, psiquiatra
Artigo de Pedro Afonso, Médico Psiquiatra - publicado no jornal " Público" a 21-06-2010, de Leitura Obrigatória
A saúde mental dos portugueses
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade.
Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos.
Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos.
Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que,humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes
perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público.
Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo,criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico psiquiatra
A saúde mental dos portugueses
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade.
Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos.
Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos.
Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que,humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes
perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público.
Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo,criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Pedro Afonso
Médico psiquiatra
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Interagir com a lua

Laurent Laveder criou a série Moon Games, composta por diversas imagens que mostram pessoas interagindo com a Lua.

Capturando as cenas por um ângulo específico, o artista faz parecer que o satélite está realmente ao alcance das mãos dos homens e mulheres que, posando para as lentes do artista, brincam com ele ou pousam-no na chávena de café.

Especializado em fotos do céu, Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos melhores astrofotógrafos do planeta.





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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
O que Khadafi fez em Lisboa e com quem
A procurar info's sobre as loucuras de Khadafi em Portugal, além da tenda em São Julião da Barra e os soldados de metralhadora a impedirem o acesso dos portugueses ao local, vejam bem o que encontrei!
em Blog "ruptura vizela"
Zita Seabra (uma mulher íntegra sem papas na língua) aborda o convite e a recusa em ir a esta conferência de géneros... Sócrates, pelos vistos, aprendeu com o excêntrico tirano...
Almoço de género ou género de almoço?
Em festa (parece), o primeiro-ministro decidiu comemorar os 100 dias do seu Governo com um gesto inédito de que certamente se lembrou um dos génios da propaganda governamental. Decidiu oferecer um almoço às ministras do seu Governo. Logo aí começa o incómodo: às senhoras ministras. Não, como são socialistas, às mulheres ministras. As meninas secretárias de Estado também foram convidadas. Como fica bem nestas coisas, convidaram - e, como se faz em casa, juntaram mais uma - senhoras para perfazer 12. Doze à mesa como os apóstolos. Um almoço oficial em que critério é serem mulheres ministras ou mulheres secretárias de Estado.
Oficialmente, andam os governos PS há anos a combater divisões por sexo e a substituí-las pelo conceito moderno e progressista de género. Mudam nomes de comissões que foram da condição feminina e passaram a ser de igualdade de género, mudam diplomas, editam revistas, fazem leis, criam ONG para garantir a igualdade de género, para afinal o primeiro-ministro almoçar com mulheres.
O ano passado esteve cá o presidente da Líbia e eu recebi (era deputada) um convite para um cocktail numa tenda em Belém. Muammar Khadafi convidava mulheres, só mulheres portuguesas, 500 para a luxuosa tenda. Eu achei o convite de mau gosto e que certamente só ocorreria a um rei ou a um presidente vindo do deserto da Líbia, e recusei ir.
Agora, subitamente, o primeiro-ministro decide comemorar os 100 dias de Governo dividindo governantes em função do sexo. Discriminação positiva dirão alguns, logo aceitável, progressista, dentro dos mais modernos padrões de modernidade, uma vez que as mulheres ministras almoçaram e os homens ministros não. Almoço de género (dirão outros) que não discrimina, porque nos 200 dias certamente haverá almoço para o género homens e nos 300 e 400 para os restantes géneros aceites oficialmente.
Esta ideologia "progressista", "moderna", que oscila entre banir as mulheres em nome da igualdade de género e remetê-las para o fim das listas eleitorais para fazer a quota, conduz direitinho a estes almoços de senhoras/meninas ministras e secretárias de Estado - e, como não chegam para compor a mesa, convidam-se outras para fazer número e ficarem honradas com o convite.
Para evitar essa situação, sugiro uma alteração de critérios do convite de almoço nos 200 dias do Governo: o primeiro-ministro pode almoçar com os melhores ministros do seu Governo e teria certamente alguma mulher no almoço. E se, depois almoçar com os piores ministros, também terá de certeza algumas. Outra hipótese será dividir os ministros pela raça ou pela cor da pele, o que é pior ainda, até porque não tem nenhum ministro preto, negro, amarelo ou cigano. Pode então dividi-los por altos e baixos, o que será certamente um critério mais igualitário, apenas com o problema de ter que decidir como contabilizar os tacões das senhoras ministras. É melhor não seguir por aí, tanto mais que medir os convidados não é bonito.
em Blog "ruptura vizela"
Zita Seabra (uma mulher íntegra sem papas na língua) aborda o convite e a recusa em ir a esta conferência de géneros... Sócrates, pelos vistos, aprendeu com o excêntrico tirano...
Almoço de género ou género de almoço?
Em festa (parece), o primeiro-ministro decidiu comemorar os 100 dias do seu Governo com um gesto inédito de que certamente se lembrou um dos génios da propaganda governamental. Decidiu oferecer um almoço às ministras do seu Governo. Logo aí começa o incómodo: às senhoras ministras. Não, como são socialistas, às mulheres ministras. As meninas secretárias de Estado também foram convidadas. Como fica bem nestas coisas, convidaram - e, como se faz em casa, juntaram mais uma - senhoras para perfazer 12. Doze à mesa como os apóstolos. Um almoço oficial em que critério é serem mulheres ministras ou mulheres secretárias de Estado.
Oficialmente, andam os governos PS há anos a combater divisões por sexo e a substituí-las pelo conceito moderno e progressista de género. Mudam nomes de comissões que foram da condição feminina e passaram a ser de igualdade de género, mudam diplomas, editam revistas, fazem leis, criam ONG para garantir a igualdade de género, para afinal o primeiro-ministro almoçar com mulheres.
O ano passado esteve cá o presidente da Líbia e eu recebi (era deputada) um convite para um cocktail numa tenda em Belém. Muammar Khadafi convidava mulheres, só mulheres portuguesas, 500 para a luxuosa tenda. Eu achei o convite de mau gosto e que certamente só ocorreria a um rei ou a um presidente vindo do deserto da Líbia, e recusei ir.
Agora, subitamente, o primeiro-ministro decide comemorar os 100 dias de Governo dividindo governantes em função do sexo. Discriminação positiva dirão alguns, logo aceitável, progressista, dentro dos mais modernos padrões de modernidade, uma vez que as mulheres ministras almoçaram e os homens ministros não. Almoço de género (dirão outros) que não discrimina, porque nos 200 dias certamente haverá almoço para o género homens e nos 300 e 400 para os restantes géneros aceites oficialmente.
Esta ideologia "progressista", "moderna", que oscila entre banir as mulheres em nome da igualdade de género e remetê-las para o fim das listas eleitorais para fazer a quota, conduz direitinho a estes almoços de senhoras/meninas ministras e secretárias de Estado - e, como não chegam para compor a mesa, convidam-se outras para fazer número e ficarem honradas com o convite.
Para evitar essa situação, sugiro uma alteração de critérios do convite de almoço nos 200 dias do Governo: o primeiro-ministro pode almoçar com os melhores ministros do seu Governo e teria certamente alguma mulher no almoço. E se, depois almoçar com os piores ministros, também terá de certeza algumas. Outra hipótese será dividir os ministros pela raça ou pela cor da pele, o que é pior ainda, até porque não tem nenhum ministro preto, negro, amarelo ou cigano. Pode então dividi-los por altos e baixos, o que será certamente um critério mais igualitário, apenas com o problema de ter que decidir como contabilizar os tacões das senhoras ministras. É melhor não seguir por aí, tanto mais que medir os convidados não é bonito.
O rei que vai nu
A Líbia tem um chefe de estado e um chefe de governo que ninguém conhece. O líder da Líbia não tem legitimidade oficial, apesar de ter retratos em todas as ruas do país, se tenha autoproclamado coronel, guia da revolução e rei dos reis, Muammar Khadafi.
Chegou ao poder através de um golpe de estado contra o rei Idris I em 1969.Tinha 27 anos e ia mudar completamente a imagem da Líbia.
Em 1977, Khadafi proclamou a revolução do povo, mudou o nome do país e colocou em marcha os comités revolucionários para substituir os partidos políticos.
41 anos mais tarde, sem nunca ter sido eleito - as eleições foram banidas - sem ter nenhuma função oficial, continua a dirigir o estado de seis milhões de habitantes, a concentrar o poder executivo e a proibir qualquer crítica ou oposição ao regime. Como Mao Tsé Tung ou Hitler, Khadafi também escreveu a bíblia do regime, "O livro verde", uma mistura de socialismo e democracia directa.
Recentemente, quando sentiu o vento da revolta a soprar, fez algumas concessões: deu ajudas para os artigos de primeira necessidade e facilitou o crédito. A política de Khadafi, ao longo dos anos, permitiu melhorar as condições de vida dos líbios e alguns avanços sociais, nomeadamente para as mulheres.
Há uma lei de 1984 que proibe a poligamia, autoriza o divórcio e defende, entre outras coisas, o casamento livre.
O contraste entre os avanços sócio-económicos e a regressão política é enorme.
Não só os partidos políticos estão interditos como também os sindicatos e as ONG's são toleradas apenas se obedecerem aos princípios da revolução. Os comités revolucionários são baseados na família que forma tribos que constituem a sociedade.
Uma sociedade tribal em que os elos parentais e familiares determinam tudo, até as equipas de futebol.
O que complica as alianças políticas e a oposição, até mesmo a organização de uma contestação.
Khadhafi perseguia o velho sonho de fundar os Estados Unidos de África e de imprimir a teoria da própria revolução no continente. Mas a elite no poder começou a mostrar desconforto, nomeadamente por causa de dois filhos do líder, um revolucionário e outro reformador, favorável à criação de uma sociedade civil.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Internacional Socialista expulsa partido de Mubarak
Mais vale tarde do que nunca:
A Internacional Socialista expulsou hoje o Partido Nacional Democrático (PND), a força política liderada pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak.
A expulsão do PND soma-se assim à do partido do recentemente deposto presidente da Tunísia, Zine El Abidide Ben Ali, o Agrupamento Constitucional Democrático (RCD).
A Internacional Socialista, de acordo com as fontes, esperava uma mensagem de Mubarak ao povo do Egipto que mostrasse um claro caminho para a mudança política, social e económica, que não aconteceu.
A Internacional Socialista expulsou hoje o Partido Nacional Democrático (PND), a força política liderada pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak.
A expulsão do PND soma-se assim à do partido do recentemente deposto presidente da Tunísia, Zine El Abidide Ben Ali, o Agrupamento Constitucional Democrático (RCD).
A Internacional Socialista, de acordo com as fontes, esperava uma mensagem de Mubarak ao povo do Egipto que mostrasse um claro caminho para a mudança política, social e económica, que não aconteceu.
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mais vale tarde do que nunca,
países árabes
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Israel teme impacto da revolta egípcia na região
Maria João Carvalho com Sophie Desjardin para a euronews
Os israelitas assistem impotentes, há duas semanas, à vacilação do regime com que contavam e em que se apoiavam na região. Confidencialmente o primeiro-ministro terá pedido aos aliados europeus e americanos para apoiarem Mubarak, mas discretamente.
Publicamente, Netanyaou lembrou que "a paz entre Israel e o Egito tem três décadas e é seu objectivo assegurar a continuidade destas relações".
Desde o início da contestação no Egito que Israel se angustia e isso tem sido evidente nos Media do país. A manchete do Haaretz, ontem, assinalava" Um novo Médio Oriente", refirindo o aumento do perigo.
O Egito é o país árabe que tem mais população. Foi o primeiro a assinar, em 1979, a paz com Israel, terminando com 30 anos de guerra entre os dois países. A Jodânia só o fez em 1994, depois dos acordos de Oslo. Mas Israel nunca conseguiu fazer o mesmo com os outros vizinhos árabes.
E mesmo a boa vontade de Oslo se perdeu com inúmeros obstáculos entre israelitas e palestinianos.
Apesar da boa vontade do Egito, sempre num autêntico ballet diplomático entre os dois e, mesmo, a desempenhar o papel de bombeiro.
Com a chegada do Hamas ao poder, em 2006, Israel depositou todas as esperanças no Cairo, que não se poupou a esforços - apesar das relações de amizade entre o Hamas e os Irmãos Muçulmanos, a irmandade que, no Egito, defende um estado islâmico.
E é essa eventualidade que o estado hebreu teme.
Esta antiga organização islâmica inspirou muitos movimentos radicais islâmicos em todo o mundo, defende a aplicação da lei islâmica e afirma que o Islão é a solução.
Neste contexto, a nomeação de Omar Souleiman como vice-presidente tranquilizou um pouco Israel, que o conhece bem de várias acções de reforço da segurança contra o Hamas. Se vier a substituir Mubarak o poder será assegurado e, com ele, a estabilidade.
Um antigo embaixador de Israel no Egito analisa:
"Se isto for verdade, se os generais dirigirem o país, não vislumbro quaisquer mudanças nas relações entre Israel e o Egito. Os generais do regime estão comprometidos com a paz, com as relações com os americanos e com o Ocidente. Mas a questão que se coloca é: o que acontecerá depois das eleições?".
É difícil saber em que resultará a revolta popular no Egito: o desconhecido provoca o medo. Com o Hezbollah a destabilizar o Líbano e a Turquia a afastar-se, Israel receia o isolamento.
Os israelitas assistem impotentes, há duas semanas, à vacilação do regime com que contavam e em que se apoiavam na região. Confidencialmente o primeiro-ministro terá pedido aos aliados europeus e americanos para apoiarem Mubarak, mas discretamente.
Publicamente, Netanyaou lembrou que "a paz entre Israel e o Egito tem três décadas e é seu objectivo assegurar a continuidade destas relações".
Desde o início da contestação no Egito que Israel se angustia e isso tem sido evidente nos Media do país. A manchete do Haaretz, ontem, assinalava" Um novo Médio Oriente", refirindo o aumento do perigo.
O Egito é o país árabe que tem mais população. Foi o primeiro a assinar, em 1979, a paz com Israel, terminando com 30 anos de guerra entre os dois países. A Jodânia só o fez em 1994, depois dos acordos de Oslo. Mas Israel nunca conseguiu fazer o mesmo com os outros vizinhos árabes.
E mesmo a boa vontade de Oslo se perdeu com inúmeros obstáculos entre israelitas e palestinianos.
Apesar da boa vontade do Egito, sempre num autêntico ballet diplomático entre os dois e, mesmo, a desempenhar o papel de bombeiro.
Com a chegada do Hamas ao poder, em 2006, Israel depositou todas as esperanças no Cairo, que não se poupou a esforços - apesar das relações de amizade entre o Hamas e os Irmãos Muçulmanos, a irmandade que, no Egito, defende um estado islâmico.
E é essa eventualidade que o estado hebreu teme.
Esta antiga organização islâmica inspirou muitos movimentos radicais islâmicos em todo o mundo, defende a aplicação da lei islâmica e afirma que o Islão é a solução.
Neste contexto, a nomeação de Omar Souleiman como vice-presidente tranquilizou um pouco Israel, que o conhece bem de várias acções de reforço da segurança contra o Hamas. Se vier a substituir Mubarak o poder será assegurado e, com ele, a estabilidade.
Um antigo embaixador de Israel no Egito analisa:
"Se isto for verdade, se os generais dirigirem o país, não vislumbro quaisquer mudanças nas relações entre Israel e o Egito. Os generais do regime estão comprometidos com a paz, com as relações com os americanos e com o Ocidente. Mas a questão que se coloca é: o que acontecerá depois das eleições?".
É difícil saber em que resultará a revolta popular no Egito: o desconhecido provoca o medo. Com o Hezbollah a destabilizar o Líbano e a Turquia a afastar-se, Israel receia o isolamento.
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Ayman Nour: pai da terceira via para o Egito
O pai da terceira via para o Egito (inspirado em Blair), o antigo advogado, Ayman Nour, é uma figura emblemática de oposição laica no Egipto.
Fundou e lidera o partido liberal El-Ghad, desde 2004. Teve apenas 8% mas conseguiu um segundo lugar, apesar da maioria de Mubarak. Fustigou a política do regime, incapaz de erradicar o desemprego.
Tem um programa eleitoral de 1200 páginas assente na liberalização económica e na luta política contra a corrupção.
Está com a multidão, que se expressa nas ruas do Cairo, e repete a a mensagem de necessidade de reforma sócio-política.
"A nossa mensagem é esta: que parta. Queremos que o presidente Mubarak parta. Já não o suportamos, a ele e ao regime. O povo egípcio não quer este sistema. Mubarak fechou as portas a qualquer mudança pacífica".
Para o líder, o regime está na reta final. Antes do black out à nformação, Ayman Nour deu à euronews uma opinião sobre a saída da crise:
"Com todas as formações e as forças políticas de todas as facções faremos assembleias populares como alternativa ao parlamento para compensar das fraudes eleitorais legislativas e presidenciais."
Em 2005, Ayman Nour foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de um delito de falsificação de documentos na legalização do partido i El-Ghad, (amanhã, em árabe), alegadamente na recolha de assinaturas. A mulher de então, Gaamela Ismail continuou a liderar os protestos contra o regime de Mubarak e pela sua libertaçao.
Diabético, foi libertado por razões de saúde em Fevereiro de 2009, mas continua sem poder apresentar-se às eleições presidenciais, previstas para o próximo mês de setembro.
Fundou e lidera o partido liberal El-Ghad, desde 2004. Teve apenas 8% mas conseguiu um segundo lugar, apesar da maioria de Mubarak. Fustigou a política do regime, incapaz de erradicar o desemprego.
Tem um programa eleitoral de 1200 páginas assente na liberalização económica e na luta política contra a corrupção.
Está com a multidão, que se expressa nas ruas do Cairo, e repete a a mensagem de necessidade de reforma sócio-política.
"A nossa mensagem é esta: que parta. Queremos que o presidente Mubarak parta. Já não o suportamos, a ele e ao regime. O povo egípcio não quer este sistema. Mubarak fechou as portas a qualquer mudança pacífica".
Para o líder, o regime está na reta final. Antes do black out à nformação, Ayman Nour deu à euronews uma opinião sobre a saída da crise:
"Com todas as formações e as forças políticas de todas as facções faremos assembleias populares como alternativa ao parlamento para compensar das fraudes eleitorais legislativas e presidenciais."
Em 2005, Ayman Nour foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de um delito de falsificação de documentos na legalização do partido i El-Ghad, (amanhã, em árabe), alegadamente na recolha de assinaturas. A mulher de então, Gaamela Ismail continuou a liderar os protestos contra o regime de Mubarak e pela sua libertaçao.
Diabético, foi libertado por razões de saúde em Fevereiro de 2009, mas continua sem poder apresentar-se às eleições presidenciais, previstas para o próximo mês de setembro.
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