quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ainda o impacto solar

de carreirinho em carreirinho
dou a mão às estrelas
para não sair do meu caminho
de pedras e perdê-las.
Aos saltinhos de mão dada com o riso
que provoca tropeções a quem leva oiro na mão e se distrai com cântaros
e provocações de quem não entende nada de estrelas nem de apressados
que vão sempre em contra-mão
falta de hábito, claro.

Co-pilotos da minha geração
escolhem sempre todo-o-terreno
de carreirinho em carreirinho até à meta

Isadora Duncan



Era o movimento per si, uma expressão do seu tempo
em palcos russos e seios milionários de
homens que pagavam o tempo
sem compreender que os arcos de luz
entre os pés e o colo de uma mulher que dança
são linhas gordas de criação com écharpes e charmes
que matam
estrangulam os diáfanos seres num Bugatti descapotável....
Isadora Duncan não morreu. Voou antes de ser estrangulada.
Na Côte d'Azur todos o juram, todos o sabem.


Já agora, foi extremamente bem representada por Vanessa Redgrave, que também representou Julia, da II Guerra Mundial. Duas personagens de mão cheia.

brrrrrr mais a Callas

Um dia somos os arquitectos, os artistas, intelectuais em todos os sentidos e, num colapso de segundos, passamos a ser uns bebés dependentes do meio ambiente e da familia.
A voz de Maria Callas, a Ópera, podem ajudar a seguir em frente, sacudida a lágrima, mas a vida reclama a seriedade do momento, sem se virar o olhar, assumindo a coisa, assumindo que se quer matar a morte, matar a dor, matar de um tiro, matar à fome, matar com dor e devagar a morte que nos mata assim. Morte matada, dançada bailada e escondida...a morte é fodida...e pronto. É porque é morte. Se fosse outra coisa não nos apanhava a eito, assim de repente, escondida

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os Livros de "L"

Areias do tempo editou Os livros de "L" de João Pedro Domingos d'Alcântara Gomes.
Vive em Coimbra, este poético escritor que eu desconhecia.



Na página 35, do chamado 2° Livro - O corpo, a luz e outras indefinições - o texto poético deslumbrou-me particularmente:

"coisas há que se vêem como a seda o veludo amiúde brame mar
os dedos que olhos ordenam impressão de búzio intrometendo-se
no corpo eterna índia
é um ruído de pele que a noite aumenta, há sem saberes formas
com que me atacas no silêncio do sono o teu raspar de lençóis
comove-me erecto"


O formato é pouco robusto mas o livro é grande. Os pequenos textos saboreiam-se como a vaga da capa lembra: uma onda é para surfar de corpo e alma.


João Pedro Domingos d'Alcântara Gomes nasceu em 1959, participou em várias revistas literárias e dirigiu algumas, co-editou Filigrafias e Plágio. Além de Poesia, escreve para Teatro, tendo ganho o Prémio Ribeiro da Fonte de Revelação 2004 com Prometeu, para o teatro de Ferro, para onde também fez Sexta-feira, em 2007.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quatro incendiários activos no Soeiro

É isso...não lembro agora os incêndios, mas quatro incendiários a actuar nas costas dos Bombeiros na zona do Soeiro, em que o fogo alastra há uma semana.

Fonte RTP/Protecção Civil


Notícia do Expresso, ainda mais interessante: "O suspeito de ter ateado o incêndio de Castro Daire, o principal fogo florestal ainda a decorrer em Portugal, detido ontem pela Polícia Judiciária, cumpria pena em regime de dias livres quando, supostamente, desencadeou as chamas.

Em causa estão dois incêndios alegadamente ateados pelo jovem detido, a 10 e 16 de Agosto, que destruíram mais de 50 hectares de floresta e mato.

O detido tinha ateado outro incêndio em Castro Daire em 2005, segundo revelou ao Expresso fonte da Polícia Judiciária. A mesma fonte adianta que no fim de semana, aproveitando uma saída graças ao regime de prisão por dias livres de que beneficiava há algum tempo, o jovem terá tido a oportunidade de desencadear este incêndio de grande monta.

O regime de prisão por dias livres permite aos condenados cumprirem a pena nas datas que lhes são mais convenientes, depois de negociadas com o tribunal. Podem desse modo manter o posto de trabalho e contactos com a sociedade para facilitar a sua reintegração.

Suspeito tem cadastro


O suspeito em causa, de nome próprio Marco, de 32 anos, trolha, está neste momento a ser ouvido no Tribunal Judicial de Castro Daire e tem cadastro por crimes de fogo posto, furto e condução de automóveis em estado de embriaguez, ainda segundo a Polícia Judiciária.

O suspeito de ter ateado o maior incêndio florestal em curso em Portugal - dominado cerca das 10 horas de hoje e já em fase de rescaldo - reside em Castro Daire e foi detido pela PJ do Porto.

É o único suspeito de ter ateado o fogo que ontem se reacendeu, na aldeia de Aguadalte, freguesia de Moledo, Castro Daire.

Fogo dominado com recurso a aviões


O incêndio iniciou-se domingo, teve várias frentes ativas e deixou em pânico as populações, obrigando até a accionar o Plano Municipal de Emergência de Castro Daire. "

Milhões de crinças vulneráveis no Paquistão

"E as crianças, Senhor?
Porque lhes dais tanta dor
porque padecem assim?" João de Deus

Há milhões de crianças perdidas das famílias, orfãs e doentes, entre os seis milhões de paquistaneses que precisam de ajuda imediata.

Têm a vida virada do avesso desde as inundações. São as vítimas mais vulneráveis da pior catástrofe do país. Estão ao relento, com os pés na água e na lama, têm fome e estão sujeitas a todas as doenças de cariz sanitário, como a cólera, a febre tifóide e a hepatite e a futuros problemas psicológicos, como o stress pós-traumático.

Como as zonas mais afectadas pelas inundações são terreno fértil das guerrilhas extremistas, o perigo deste abandono é duplo: além de enfrentarem a doença enfrentam o perigo real de rapto.

Fogo

A Ocidente, nada de novo: hoje, em Portugal, um dos incendiários detidos, foi um imigrante de 60 anos preso em flagrante delito...pela segunda vez.
O que confirma a impunidade dos criminosos, por mais que acenem com estatísticas. Que raio lhe fizeram da primeira vez? Mandaram-no alegremente para casa, sem o responsabilizar pelo acto criminoso?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Três presos, três pastores e o país a arder

Que pontaria os portugueses têm para as estatísticas: não é que calha tão bem a detenção, hoje, de três incendiários ("dois em flagrante delito e um em quase flagrante delito") e serem os três pastores?
Eu sublinho a notícia divulgada: os únicos três detidos de hoje são três pastores-
E que tem acontecido aos pirómanos desvairados e incendiários contratados, nos últimos anos? Continuam detidos, depois do julgamento, ou vivem, com pena suspensa, à beira dos pinhais?

É que não sei quanto tempo vai a população aguentar esta ameaça permanente em território nacional - os fogos no Gerês e na Galiza foram de uma previsibilidade assustadora. A orquestração de fogos ateados em diferentes frentes, durante noites de humidade antes das subidas de temperatura anunciadas, foi comprovadamente criminosa. Até os timings foram estudados para não coincidirem, quando, antes do Gerês, já se esperavam os dois - até pela reclamação de ajuda insistente dos guardas florestais.

Na verdade, as condições climatéricas acabam sempre por se reunir para confirmar o encolher de ombros fatídico que aponta a desculpa do tempo, do destino e da negligência dos proprietários, porque o governo tem sido, por natureza, isento. Nos últimos anos é assim.

Claro que sou contra o modelo de justiça iraniano ou norte-coreano. No entanto, saliento que não levantam processos aos seleccionadores que não apreciam, executam-nos atados a um poste, no Irão, ou fazem-nos "desaparecer", na Coreia do Norte. Mas sou pela aplicação efectiva das penas. E, há muitas décadas, que os agentes policiais se queixam de levar, perante os juízes, ladrões, violadores e pirómanos que os tribunais enviam para casa, com pena suspensa. Para já não falar dos casos de amnistias presidenciais de Abril a penas pesadas de alguns. E na morosidade dos processos judiciais.
Parece, portanto, ter havido uma certa promiscuidade entre a justiça e a política, nestes últimos anos...

Por isso, pelo menos, expliquemos aos mais sujeitos a manipulações malévolas que o fogo não limpa nem purifica. O fogo corrói a terra, carboniza os animais e mastiga o pouco de humano que resta na alma dos mais vorazes esclavagistas da sociedade.

E, já gora: acho que foi sintomática a entrada em cena do primeiro-ministro português pela mão do presidente, que se retirou para o Algarve para a continuação das férias.
Deu a impressão que o primeiro-ministro teve de amenizar a ausência em crise ...
mas descobriu, na aliança com a presidência, uma atenuação do regresso tardio e uma desculpa com que brindou, imediatamente, os jornalistas:

" a área ardida não é a mesma que em 2003 (pois...mas em que dia do ano?!) e..."estavam reunidas as ignições" (foi algo do género...reconheço que fiquei a pensar e não registei o exacto termo...mas era o sentido).

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Onde está o seleccionador da Coreia do Norte?

Raquel Branco/Euronews:


Onde está Kim Jong-hun, seleccionador da Coreia do Norte? Esta é questão que Joseph Blatter quer ver esclarecida.

O presidente da FIFA está preocupado com o súbito desaparecimento do técnico, depois da eliminação do Mundial na África do Sul, há pouco mais de um mês. As últimas imagens que chegaram ao Ocidente foram recolhidas ainda em competição.

"Está em curso um inquérito que pretende, primeiro, esclarecer o afastamento do antigo presidente da Federação de Futebol, logo após o Mundial e, depois, se é verdade o que ecoa das alegadas informações que os Media divulgaram, ou seja: "o seleccionador e jogadores foram condenados ou castigados, ou o que quer que seja."

A contrastar com estas imagens de festa de 2008, conta a Radio da Coreia do Sul que, no mês passado, o regime de Pyongyang humilhou publicamente a comitiva nacional durante 6 horas, pelas derrotas na fase de grupos, uma delas de 7-0 frente a Portugal.

A emissora diz ainda que as autoridades terão obrigado os jogadores a criticar publicamente o treinador e o mesmo terá sido condenado a trabalhos forçados sob a acusação de ser o responsável pelo fracasso da participação no Mundial.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

twitter...coisa bizarra

Bem, uma pessoa aterra, lê uma frase com a qual não concorda, responde e é agredida verbalmente.
Sublinho o que defendo: quem twitta habitualmente que faça o que entender. Mas eu sou contra essa acção de não twittar em memória dos bombeiros mortos. Tal como não ecoar a morte ou rapto dos jornalistas.
Quem morre em acção merece todas as homenagens possíveis. Agora se querem travar a reacção emotiva das críticas ao sistema com um silêncio estratégico, ao menos sejam mais directos.
Aliás. se essa acção for em frente, eu, que raramente twitto, fá-lo-ei em todos os minutos dessa hora. 60 twitts, pelo menos. Em memória de todos os combatentes do fogo.