Fui assistir à "Noite do Rei" de Shaskespeare no Castelo de Montmelat. Mas os melhores, entre os presentes, eram estes dois príncipes índios acabados de adoptar por uma extremosa francesa, tão tranquila, tão zen, que eu acabei por observá-los mais do que aos fabulosos actores, apesar de os ir seguindo. Um dos gémeos, vencendo o frio, não perdeu pitada. O outro, meteu-se debaixo da manta índia da mãe de adopção e gozou o fofo lugar, recém ganho com tanto sonho.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Nobreza de sangue
Fui assistir à "Noite do Rei" de Shaskespeare no Castelo de Montmelat. Mas os melhores, entre os presentes, eram estes dois príncipes índios acabados de adoptar por uma extremosa francesa, tão tranquila, tão zen, que eu acabei por observá-los mais do que aos fabulosos actores, apesar de os ir seguindo. Um dos gémeos, vencendo o frio, não perdeu pitada. O outro, meteu-se debaixo da manta índia da mãe de adopção e gozou o fofo lugar, recém ganho com tanto sonho.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Planeta menos Azul
Os telejornais de hoje foram deprimentes, porque a realidade é deprimente.
O que se passa no Paquistão, com três milhões de desalojados por causa das inundações, e os incêndios que devastam a Rússia, mostram o quão a humanidade desleixa o Planeta Azul. A seguir à notícia do impacto das mudanças climáticas no Paquistão, tivémos de dar a notícia dos conflitos em Karachi.
Não tem havido muitos justos à frente de Estados-potências. A aliança Putin-Medvedev originou, há dois dias, a demissão da assessora para os direitos humanos (nomeada por Putin em 2002) "por alegado desajustamento entre a promoção teórica de um Estado liberal e a realidade.
Quem assiste ao desfilar de vaidades dos oligarcas russos e acompanhantes na Praça Vendome, Paris, e nas melhores casas das melhores marcas... à compra desenfreada de propriedades míticas no sul de França e de Itália... não pode deixar de engulir em seco quando ouve as queixas da população russa do interior: "nem estradas, nem água nas torneiras, nem bombeiros, nem guardas florestais"- o governo federal acabou com os guardas federais.
Por uma questão de enquadramento: em 1926, o recorde da temperatura negativa no Inverno, na Sibéria (em Oymyakon ou Oimekon, no Leste, na República de Sakha, com 1000 habitantes), foi de - 71ª C.
No ano passado, também no Inverno, na mesma localidade, a temperatura foi -56ºC.
Mas no Inverno de 2009 a temperatura negativa não baixou de - 33º.
Assim, não é de admirar que as temperaturas de verão atinjam o calor recorde de 37/38º positivos e deixem os russo à beira de um estado de nervos.
E o Kremlin atreveu-se a desdenhar os ecologistas sobre as mudanças climáticas?
É bem...vamos continuar a vender património e diamantes aos patos bravos russos e meter os Khodorkovski's em celas siberianas e as Politkovskaïa's em campas razas. Desde que Moscovo continue a prometer fontes energéticas à Europa, os europeus vão fechando os olhos a tanta falta de liberdade, fraternidade e igualdade.
Sinceramente, os paquistaneses e os russos precisam de verdadeira solidariedade.
O que se passa no Paquistão, com três milhões de desalojados por causa das inundações, e os incêndios que devastam a Rússia, mostram o quão a humanidade desleixa o Planeta Azul. A seguir à notícia do impacto das mudanças climáticas no Paquistão, tivémos de dar a notícia dos conflitos em Karachi.
Não tem havido muitos justos à frente de Estados-potências. A aliança Putin-Medvedev originou, há dois dias, a demissão da assessora para os direitos humanos (nomeada por Putin em 2002) "por alegado desajustamento entre a promoção teórica de um Estado liberal e a realidade.
Quem assiste ao desfilar de vaidades dos oligarcas russos e acompanhantes na Praça Vendome, Paris, e nas melhores casas das melhores marcas... à compra desenfreada de propriedades míticas no sul de França e de Itália... não pode deixar de engulir em seco quando ouve as queixas da população russa do interior: "nem estradas, nem água nas torneiras, nem bombeiros, nem guardas florestais"- o governo federal acabou com os guardas federais.
Por uma questão de enquadramento: em 1926, o recorde da temperatura negativa no Inverno, na Sibéria (em Oymyakon ou Oimekon, no Leste, na República de Sakha, com 1000 habitantes), foi de - 71ª C.
No ano passado, também no Inverno, na mesma localidade, a temperatura foi -56ºC.
Mas no Inverno de 2009 a temperatura negativa não baixou de - 33º.
Assim, não é de admirar que as temperaturas de verão atinjam o calor recorde de 37/38º positivos e deixem os russo à beira de um estado de nervos.
E o Kremlin atreveu-se a desdenhar os ecologistas sobre as mudanças climáticas?
É bem...vamos continuar a vender património e diamantes aos patos bravos russos e meter os Khodorkovski's em celas siberianas e as Politkovskaïa's em campas razas. Desde que Moscovo continue a prometer fontes energéticas à Europa, os europeus vão fechando os olhos a tanta falta de liberdade, fraternidade e igualdade.
Sinceramente, os paquistaneses e os russos precisam de verdadeira solidariedade.
Editoria:
Clima e política
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Heróis sem Tempo - Mário Bettencourt Resendes
O jornalista Mário Bettencourt Resendes era também um comentador. Homenageio-o lembrando que Stéphane Taponier e Hervé Ghesquière são reféns dos talibãs há 216 dias. Foram raptados no dia 29 de Dezembro, assim como os seus três camaradas de trabalho afegãos.
Faziam uma reportagem para a France 3, para o programa "Pièces à conviction".
Assim, este post, para honrar a memória de Bettencourt Resendes, honra também todos os que sacrificam tudo em prol da liberdade de informação e da informação tout court assim como os que promovem a liberdade nos Media.
Graças a chefes de redacção e directores como Mário Bettencourt Resendes, pude (decerto como outros jornalistas no país e no mundo) partir para a guerra sem quaisquer outras credenciais que o lirismo, a utopia e uma vontade de ferro.
Mário Rettencourt Resendes não só acreditou em mim, na altura, uma miúda em termos profissionais, como montou uma operação com outros jornalistas em Belgrado e em Paris para cobrir a insensatez do Conflito nos Balcãs. Eu era uma outsider.
Não duvidou em dar-me manchetes e centrais do DN, que partilhei com jornalistas credenciados que, ainda hoje, não sabem a que ponto os admiro.
Sublinho: não vinha de lado nenhum, exceptuando uma rádio não homologada, vulgo pirata (com óptima direcção de um grande jornalista), o CENJOR (grande Marquês de Almeida) , a Radiogeste (querido Henrique Garcia) e Lusa.
Mas o Mário Bettencourt Resendes (DN) e o Jorge Morais (do saudoso Tal e Qual) fizeram as credenciais e carimbaram-nas para que eu passasse os check points.
Eles, simplesmente, assinaram por baixo e publicitaram, tão positivamente que é impossível descrever, a aposta numa jovem jornalista que queria decifrar o ilogismo da guerra.
A loucura dos guerreiros continua indecifrável, mas os jornalistas continuam a fazer a ponte entre os abusos silenciados aos povos e a consciencialização dos membros da comunidade internacional em organizações ou Estados com algum poder.

Mário Bettencourt Resendes tinha apenas 58 anos de idade, mas travou muitas batalhas e foi um vencedor por natureza. Tranquilamente, lá deve estar sentado numa núvem a sorrir como um menino "corisco mal-amanhado lá da ilha dos japoneses".
A Naná (Natália Correia) lá há-de estar a arrancar-lhe as asas... Bem Hajam os Poetas e os Jornalistas...
Faziam uma reportagem para a France 3, para o programa "Pièces à conviction".
Assim, este post, para honrar a memória de Bettencourt Resendes, honra também todos os que sacrificam tudo em prol da liberdade de informação e da informação tout court assim como os que promovem a liberdade nos Media.
Graças a chefes de redacção e directores como Mário Bettencourt Resendes, pude (decerto como outros jornalistas no país e no mundo) partir para a guerra sem quaisquer outras credenciais que o lirismo, a utopia e uma vontade de ferro.
Mário Rettencourt Resendes não só acreditou em mim, na altura, uma miúda em termos profissionais, como montou uma operação com outros jornalistas em Belgrado e em Paris para cobrir a insensatez do Conflito nos Balcãs. Eu era uma outsider.
Não duvidou em dar-me manchetes e centrais do DN, que partilhei com jornalistas credenciados que, ainda hoje, não sabem a que ponto os admiro.
Sublinho: não vinha de lado nenhum, exceptuando uma rádio não homologada, vulgo pirata (com óptima direcção de um grande jornalista), o CENJOR (grande Marquês de Almeida) , a Radiogeste (querido Henrique Garcia) e Lusa.
Mas o Mário Bettencourt Resendes (DN) e o Jorge Morais (do saudoso Tal e Qual) fizeram as credenciais e carimbaram-nas para que eu passasse os check points.
Eles, simplesmente, assinaram por baixo e publicitaram, tão positivamente que é impossível descrever, a aposta numa jovem jornalista que queria decifrar o ilogismo da guerra.
A loucura dos guerreiros continua indecifrável, mas os jornalistas continuam a fazer a ponte entre os abusos silenciados aos povos e a consciencialização dos membros da comunidade internacional em organizações ou Estados com algum poder.

Mário Bettencourt Resendes tinha apenas 58 anos de idade, mas travou muitas batalhas e foi um vencedor por natureza. Tranquilamente, lá deve estar sentado numa núvem a sorrir como um menino "corisco mal-amanhado lá da ilha dos japoneses".
A Naná (Natália Correia) lá há-de estar a arrancar-lhe as asas... Bem Hajam os Poetas e os Jornalistas...
Editoria:
Heróis sem tempo
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Heróis sem Tempo - Michael Reichmann
Michael REICHMANN era para ter vindo trabalhar às 9, como fazia nos últimos quatro anos. A família telefonou de Bruxelas para a Euronews a anunciar oficilamente a morte por paragem cardíaca.... no hotel em que ficam os jornalistas "pigistes" (colaboradores independentes) que trabalham connosco, em Lyon. Antes, quando viram que ele não chegava para trabalhar, procuraram-no.
Tinha os olhos mais azuis e galanteadores da redacção...era a gentileza em pessoa. Mas "engulia o stress" para manter o sorriso.
É o segundo jornalista da equipa alemã a morrer naquele hotel, do mesmo modo, antes de vir trabalhar. A Rosie, da minha equipa, também alemã, é uma sobrevivente que já tem três cateteres no coração.
Tinha os olhos mais azuis e galanteadores da redacção...era a gentileza em pessoa. Mas "engulia o stress" para manter o sorriso.
É o segundo jornalista da equipa alemã a morrer naquele hotel, do mesmo modo, antes de vir trabalhar. A Rosie, da minha equipa, também alemã, é uma sobrevivente que já tem três cateteres no coração.
Editoria:
Heróis sem tempo
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Album - Figueira

A Casa Museu da Presidência,à esquerda,espectacularmente representada pelo director Óscar Casaleiro, entrevistado pela monárquica jornalista, à direita.
----
A total partilha entre amigas, Anabela Vaz e MJC, que são camaradas de trabalho para além da morte.

O meu jovem camarada bloguista (atrevo-me porque sou admiradora), o grande Melo Bicaia. Grande advogado e político republicano, Colega do meu pai e meu camarada de princípios. Ele que me desculpe a máxima sobre colegas...

Um casal lindo, pais de Carlos Manuel, Rosário e João Paulo, filhos gestores e engenheiros verdadeiros e arquitectos -Carlos Alberto e Teresa são a imagem dos meus tios de adopção na escadaria do palácio Sotto Maior.

E aqui estou eu, sorridente e feliz, com o meu amigo e super-profissional, Raul Cardoso.
sombra marítima
indecência e desprimor
no gesto que se eterniza
para além de hoje.
um segundo que
cai com a caliça da parede
e o meu mar foge.
no gesto que se eterniza
para além de hoje.
um segundo que
cai com a caliça da parede
e o meu mar foge.
terça-feira, 27 de julho de 2010
A cascata e o vulcão da Patricia - Açores

Hoje és tu o Mundo
beleza entre pétalas
lagoas vulcânicas do Fogo e nenhures
que vêm do fundo da Terra.
Hoje és a amada princesa que tudo diz a essas idiotas utentes que gritam alto.
Vá...continua e sussurra a dizer:
"oantas louvores e beijam-te os pés com a lavanda que te trazem..."
És a Rainha Negra, a Branca, a Máxima, a Pintora espectacular que vai regressar à arte, como um castor que necessita roer e criar o seu pé de escultura. Até já querida irmã feiticeira dos rumos difíceis e destinos fortes, dos momentos frágeis e das realizações benditas.
Beijos.

A cascata da minha irmã Patricia de Medeiros em que me apetece mergulhar...e o vulcão em que me apetece apetecer.

Não é a melhor promotora da própria arte no seu tempo....mas é a mais bela.


....
Editoria:
Arte,
Patricia de Medeiros,
Tuxa
hara kiri dos inimigos de trazer por casa
devíamos puxar o indizível pelos cabelos
e verificar se o bloqueio dos olhos,
assim como a pele
também gela a luz
devíamos puxar tanto
que a íris descosesse a simplicidade sem temor
- quase mesmo até ao horror
devíamos puxar os cabelos dos nossos inimigos
e já não puxamos...
nem com a moca batemos....
e verificar se o bloqueio dos olhos,
assim como a pele
também gela a luz
devíamos puxar tanto
que a íris descosesse a simplicidade sem temor
- quase mesmo até ao horror
devíamos puxar os cabelos dos nossos inimigos
e já não puxamos...
nem com a moca batemos....
o da gralha
o inadiável sentido
despercebe-se
dos imediatos
como se a poeira
fosse invisível na luz.
Que falta de jeito
temos para amar
despercebe-se
dos imediatos
como se a poeira
fosse invisível na luz.
Que falta de jeito
temos para amar
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